O futebol amador perdeu a sua identidade?
No mundo globalizado como o de hoje, onde muitas vezes o dinheiro fala mais alto, diversos setores são atingidos por essa realidade.
No mundo globalizado como o de hoje, onde muitas vezes o dinheiro fala mais alto, diversos setores são atingidos por essa realidade. No futebol amador, inclusive, que sofre com excessivas mudanças de elencos, praticamente de um ano para outro.
No entanto, alguns jogadores tornam-se parte de um time com verdadeira identificação, fazendo dele uma extensão da sua casa, de sua família. São poucos, mas existem. Em Pomerode, podemos citar alguns exemplos.
Na Müller, quem se destaca dentro deste perfil é o atacante Ricardo, que praticamente cresceu dentro do clube. Apesar de já ter atuado em outras equipes, Ricardo está assumindo diversas responsabilidades, além de fazer gols, o que o torna uma referência dentro do clube, como um todo.
Outros times também têm atletas que podem ser considerados como “bons filhos”. No Vera Cruz, desde a parceira com a Loes, em 2008, quem acompanha esta fase desde o início são os jogadores Leite, Sílvio, Radamés, Thiago e Bicudo. Todos eles identificam-se muito com a torcida e com o time cruzmaltino. Já no Alvinegro da Colina, temos o caso do goleiro Alan, além de Souza e Jacir, que também defendem as cores do Botafogo já há alguns anos. Pelos lados de Testo Alto, Elton Belz é outro que cresceu dentro do Caramurú. Atuando pelo clube desde os oito anos, nas categorias de base, teve que interromper a sequência em 1997, quando foi residir na Alemanha. Dez anos mais tarde, no entanto, regressou e voltou a atuar pelo seu clube do coração.
No Atlético Pomerodense, podemos citar os casos de Back, Tiquinho e Juninho, que ingressaram no clube em 2006. No entanto, os pioneiros do Azulão de Testo Rega foram Aranha e Natan, que acompanham o clube desde a sua fundação, em 2005.
Em se tratando de identidade com um time de futebol, todavia, os verdadeiros pioneiros em Campeonatos da LPD têm outro endereço: o Estádio Leopoldo Krueger. Lá jogam dois atletas considerados os de maior sequência dentro de um clube, no caso, o Água Verde. Trata-se do zagueiro Érico e do lateral Maicon que, desde 2004, defendem a camisa verde, ininterruptamente.
Érico afirma que essa longevidade se dá pelo trabalho diferenciado aplicado dentro do time de Testo Alto. “Antes de ser um clube de futebol, o Água Verde é uma família, onde todos se sentem bem. Quando tive a minha primeira experiência, sabia que a minha passagem por lá seria positiva. Tive plena identificação com a torcida e com as todos os envolvidos neste processo. Não tem como abandonar algo tão prazeroso”, diz.
O atleta enfatiza que o Verdinho também o moldou como pessoa. “Lá, além da parte técnica, os jogadores também são escolhidos pelo caráter. Até por isso, você tem que demonstrar que é digno desta vaga, tanto dentro, como fora de campo. Dentro das quatro linhas, você dá o seu melhor, em favor do clube. Fora delas, há a contrapartida, pois todos te tratam como amigo, como ser humano. Claro que já tive diversas propostas de outros times, mas posso afirmar: em Pomerode, somente vou atuar pelo Água Verde. O dia que eles não me quiserem mais, prefiro parar”.
Perguntado sobre o futuro dentro do clube, Érico admitiu que pode, sim, continuar atuando fora de campo, como dirigente, ou até mesmo treinador. “No que eu puder contribuir em prol do Água Verde, eu vou fazer. Eu acredito que isso falta um pouco nos dirigentes hoje em dia. Trabalhar não somente o jogador, mas sim, o ser humano por completo. E esse é o grande diferencial deste clube que me acolheu, que todos deveriam seguir. No que for preciso, vou retribuir tudo o que eles me deram”, finalizou o zagueiro, que chegou à final do Campeonato da LPD em cinco oportunidades, sendo campeão por três vezes.