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Marcas eternas do que se foi

Cicatrizes. Marcas que não vão ficar apenas no corpo de Garciéla Kaht, de 31 anos. Ela foi esfaqueada no dia 26 de novembro do ano passado, por volta das 12h30min, na Rua Frederico Weege, em Pomerode Fundos, onde fica localizada a Casa do Imigrante.

12 de janeiro de 2012

Cicatrizes. Marcas que não vão ficar apenas no corpo de Garciéla Kaht, de 31 anos. Ela foi esfaqueada no dia 26 de novembro do ano passado, por volta das 12h30min, na Rua Frederico Weege, em Pomerode Fundos, onde fica localizada a Casa do Imigrante. O jovem, Jonathan Eduardo Wachholz, de 21 anos, entrou no ponto turístico, colocou o nome no livro de presença, agarrou a vítima e desferiu golpes com uma faca, conforme foi relatado à Polícia Civil. Ao todo, Graciéla teve nove facadas; entre elas várias foram perfurações profundas e deixaram sequelas para ela. Emocionada, a atendente do museu, contou que foram minutos de pânico.
Ela contou que mesmo ferida, conseguiu se desvencilhar do agressor e foi sangrando até o outro lado da rua, onde foi acudida por populares até a chegada dos Bombeiros Voluntários que a conduziram ao Hospital Maternidade Rio do Testo.
Mas antes de conseguir chamar por socorro, Graciéla conta que achou que estava vivendo os últimos minutos da sua vida. “O garoto estava na parte de fora do museu, e eu notei algo estranho. Foi quando entrei peguei a minha Bíblia, pus as mãos sobre ela e comecei a orar. Em seguida, o rapaz entrou no museu, perguntou se era para ele assinar o nome, eu disse que sim e guardei a Bíblia”.
Em seguida, segundo a vítima, Jonathan largou a caneta e mostrou a faca; puxou a mulher por uma corrente onde estava pendurado o crachá e acertou o seio esquerdo com o primeiro golpe. Em seguida atingiu o seio direito, foi quando ela caiu e ele continuou a esfaqueá-la. A última facada e uma das piores, segundo a vítima, foi no braço direito. Uma das mais profundas e que hoje, ainda resulta na perda de movimentos deste membro. “Mas eu tenho muita fé, sou uma pessoa que tem uma relação muito forte com Deus; sei que isso é temporário e que vou voltar a ter os movimentos normais do braço”.
Porém, além das marcas pelo corpo, as cicatrizes psicológicas também ainda estão muito fortes. Graciéla está com o estado emocional muito abalado e está fazendo tratamento com psicólogos. “Eu também estou tomando uma espécie de antidepressivo e remédio para dormir; coisas que eu nunca imaginei precisar em toda a minha vida”, completa.
Questionamos se ela tem raiva do autor. “Seria inevitável não ter. Mas não é ódio; é a penas uma sensação ruim pelo fato dele ter me causado tantas coisas ruins, que podem ser talvez, irreversíveis”. Mas em contrapartida, mesmo sabendo que o rapaz a prejudicou ela confessa: “Eu o ajudaria no que fosse preciso, para ele sair das drogas, ou desse mundo obscuro, mas ele precisa querer primeiro, ele precisa querer melhorar”.
A emoção tomou conta dos relatos da vítima, por diversas vezes, mas ela sempre se demonstra forte e otimista, relacionando a sua vitória a Deus. “Eu não estaria aqui se não fosse Ele. E tenho certeza que Ele não dá um fardo maior para uma pessoa, se ela não poderá carregar; talvez essa foi uma oportunidade para as pessoas tirarem uma lição de vida, para unirem-se na fé, por que eu tenho certeza que a minha fé, fez com que eu permanecesse viva”, finaliza.
Jonathan Eduardo Wachholz, de 21 anos, acusado pelo crime, está preso no Presídio Regional de Blumenau. Ele confessou o crime, em depoimento a Polícia Civil.
Relembre o caso
O autor do crime fugiu do local e foi encontrado depois na casa de sua avó, após tomar banho e trocar de roupa. Segundo o delegado de Polícia Civil, Luiz Carlos Gross ele apresentava sinais de embriaguez.
Ele não tinha passagens pela polícia, mas populares disseram que ele era conhecido no bairro como usuário de drogas.
Momentos depois do crime, os policiais militares fizeram um busca em um matagal às margens da Rodovia Ralf Knaesel à procura da faca usada por Jonathan, porém a mesma só foi encontrada depois na casa da avó do acusado, assim como a roupa que estava suja de sangue da vítima.
O acusado foi preso em flagrante e conduzido ao Presídio Regional de Blumenau e responderá por tentativa de homicídio. Caso seja condenado pode pegar de seis a 20 anos de prisão conforme o Código Penal Brasileiro.
A violência chocou os moradores de Pomerode Fundos, principalmente os que conheciam a funcionária da casa. Moradora do Testo Rega Graciéla é bem quista por muitos que se solidarizaram com ocorrido e foram visitá-la no hospital, assim como aqueles que estão torcendo por sua recuperação.
Após a ocorrência a Casa do Imigrante foi fechada e alguns turistas que pararam no local tiveram que retonar e ficaram assustados com as manchas de sangue no caminho e na entrada do ponto turístico.
Conheça a lei
Em vigor desde 22 de setembro de 2006, a lei Maria da Penha prima pela garantia da segurança, vida e justiça a mulher. Desde sua aprovação, já são inúmeros os casos denunciados.
A vergonha e o medo são os grandes aliados dos agressores. Em virtude deles, muitas mulheres sofrem caladas ao invés de denunciar. Os casos e suas razões são diversos, variam entre ciúme descontrolado, excesso de bebida ou drogas e, podem ser até mesmo, sem motivo.
Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada. A legislação prevê o tempo máximo de detenção de até três anos, além de medidas que vão desde a saída do agressor do domicílio e a proibição de aproximação da mulher agredida.
Por que o nome Maria da Penha
Maria da Penha Maia Fernandes é o nome da mulher homenageada na lei 11.340. Seu caso foi marcado por espancamentos e violências diárias sofridas pelo marido durante seis anos de casamento. No ano de 1983, seu marido tentou assassiná-la duas vezes, tamanho era o ciúme que sentia. Na primeira tentativa, com arma de fogo, o que a deixou paraplégica, e na segunda, por afogamento e eletrocussão. Depois desta, decidiu denunciá-lo. O marido foi condenado, após 19 anos de julgamento, há dois anos em regime fechado.
Rede Social Lei Maria da Penha
Devido à necessidade de conscientização, foi criado em 2009 a Rede Social Lei Maria da Penha. O grupo é formado por mulheres voluntárias de vários estados do Brasil, para esclarecer dúvidas, compartilhar informações sobre a Lei e também sua aplicação. Mais informações no site: www.leimariadapenha.com.

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