Enem mostra cenário da educação do país
Ministério da Educação divulgou na segunda-feira, 12 de setembro, o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No ranking das melhores escolas do país, apenas uma pública figura entre as 10 primeiras colocadas. O melhor educandário, o Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, obteve média geral de 761,7….
Ministério da Educação divulgou na segunda-feira, 12 de setembro, o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No ranking das melhores escolas do país, apenas uma pública figura entre as 10 primeiras colocadas.
O melhor educandário, o Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, obteve média geral de 761,7. Já a pior escola do país, o Complexo Educacional Ardalião Pires, com sede na cidade de Três Lagoas do Manduca, na zona rural do Estado do Maranhão, teve 417,3, de média.
Em comparação com a escola carioca São Bento, a instituição obteve nota 54,8% menor.
O colégio maranhaense foi alvo, em setembro de 2010, de denúncias de contaminação da água servida aos estudantes, que estaria infestada por ratos. E o pior que essa má colocação não é um caso isolado. Outros educandários do estado também figuram entre as piores médias do país.
Entre a maior média e a menor, há a discrepância entre o ensino privado e o público. Problema que aqui em Santa Catarina é mais tênue.
Mesmo diante de problemas estruturais inerentes a toda a rede educacional pública do país, as escolas catarinenses, pelo menos aqui em Pomerode, não apresentam tanta diferença no nível de ensino, como acontece em outras regiões do país.
Quatro escolas com ensino médio na cidade participaram do Enem, porém somente duas tiveram número de participantes da prova suficientes para a análise do MEC. As escolas que obtiveram a média total foram: Colégio Sinodal Doutor Blumenau e Escola Estadual José Bonifácio. Entre as duas existe uma diferença de 19%, número bem inferior aos comparativos de outros estados. Porém vale ressaltar que a escola particular ficou entre as quatro melhores do estado.
A média do Doutor Blumenau, escola privada, foi de 666,11; enquanto o educandário mantido pelo Governo do Estado apresentou 542,96. O colégio particular teve 71.4% de participação dos alunos e a escola pública contou com a participação 28,3%
Conforme a diretora do Doutor Blumenau, Margareth Ripp Butzke, esse resultado mostra que a metodologia da escola está correta e, principalmente, que o conteúdo está sendo assimilado pelos alunos do educandário. “Sempre estivemos entre os melhores, mas nunca tão no topo. Isso mostra que no nosso dia-a-dia estamos tendo êxito no que é passado aos alunos”, concluiu a diretora.
Melhor escola pública
Só uma escola pública está entre as dez melhores do país, segundo o ranking do Enem. O Colégio de Aplicação da UFV (Universidade Federal de Viçosa), com 480 alunos matriculados, obteve média de 726,42 pontos no exame, em uma escala que vai de 0 a 1.000. Apesar de ser a campeã no ranking das escolas públicas, a instituição federal está em oitavo lugar em comparação com os melhores colégios brasileiros.
Entenda como é a avaliação do Enem por escola
Criado em 1998, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) avalia os estudantes ao fim do ciclo básico de ensino (soma do primeiro e segundo graus). O exame não é obrigatório e podem participar alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio.
No ano passado, o Enem teve a participação de 3,24 milhões de estudantes, sendo que 34% declararam estar concluindo o ensino médio em 2010 e 54,5% informaram ter concluído em anos anteriores.
Além de medir a qualidade do ensino médio, o exame hoje é utilizado também como parte dos processos seletivos do ProUni (Programa Universidade para Todos), que dá bolsas em universidades particulares, e do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), programa do governo para ingresso em universidades federais.
Em 2009, foi aplicado pela primeira vez um novo modelo da prova, com redação e 180 questões divididas em quatro eixos, com 45 perguntas cada – linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática.
A nota do estudante segue escala de 0 a 1.000, com algumas diferenças – nenhum estudante recebe nota zero, no geral entre 300 e 800 devido à diferença de peso entre as questões, afirma o MEC. A pontuação dos estudantes é calculada com base na TRI (Teoria de Resposta ao Item), que separa as perguntas da prova em fáceis, médias e difíceis.
A nota média no Enem é calculada com base nos menores e maiores pontos obtidos pelos estudantes. Neste ano, média foi de 511.
Notas da escola
Todos os anos, o MEC (Ministério da Educação) calcula as notas no Enem das escolas de ensino médio do país, públicas e particulares, com base no desempenho dos alunos do terceiro ano do ensino médio daquela instituição.
Essa nota serve como parâmetro para avaliar uma escola com relação às outras. A nota de cada instituição é calculada pela média entre o total de estudantes que fizeram o Enem e os pontos que eles obtiveram no processo seletivo.
Neste ano, a novidade é que o MEC decidiu mudar a avaliação das escolas, para tentar evitar a criação de rankings com base no Enem. A intenção do ministério é inibir a comparação entre colégios com realidades muito diferentes – escolas públicas do Acre e particulares do Rio Grande do Sul, por exemplo.
A pedido do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pela prova, o ministro Fernando Haddad ordenou que as escolas fossem divididas em grupos, conforme o número de alunos do colégio que efetivamente fizeram o Enem.
A divisão segue o esquema abaixo:
Grupo 1 – colégios com 75% a 100% de adesão ao Enem por parte dos alunos concluintes do ensino médio;
Grupo 2 – colégios com 50% a 75% de adesão ao Enem;
Grupo 3 – colégios com 25% a 50% de adesão ao Enem;
Grupo 4 – colégios com 2% a 25% de adesão ao Enem.
Segundo o MEC, os colégios com participação abaixo de 2% no Enem não são computados na classificação.