Geral

Ponto a Ponto

por Karol Pinto

9 de setembro de 2011

E por falar em amor…
Semana passada escrevi sobre as meninas, sobre a juventude desacreditada no amor. Mas ele existe sim, está do lado da gente, pronto para encontrar ou ser encontrado. E quem melhor para falar de amor do que o amado Tom Jobim? “Fez-se uma pausa no tempo, cessou todo meu pensamento, e como acontece uma flor, também acontece o amor. Assim, sucedeu assim e foi tão de repente, que a cabeça da gente vira só coração”. E Tom Jobim fala de amor como se falasse para mim, para você, para todos nós. E por falar em amor, gostaria de parabenizar Anelisa e José, casados há 25 anos, pais de dois filhos, que comemoraram na última semana suas Bodas de Prata. Assim como eles, vários outros casais são provas vivas que é possível sim construir uma linda história de amor solidificada ao longo dos anos.

Quando eu crescer, quero ser assim!
Sempre admirei profissionalmente Loraine Valentini. Profissional dedicada, extremamente competente, que ama seu trabalho, que tem vocação e acredita nas pessoas, na essência boa que cada um carrega consigo. Lori, como é mais conhecida, já deixou mostras de seu perfil e de sua personalidade em várias instituições por onde passou. Agora, recentemente, recebeu um novo desafio, participar da reestruturação da Casa da Solidariedade. Na edição desta semana consta uma matéria de quatro páginas que conta um pouco dos obstáculos e dificuldades enfrentados por dependentes químicos, que lutam diariamente para se livrarem do vício. Nesta árdua jornada, ao lado deles, está Lori. Uma mulher de pulso firme quando necessário e extremamente amigável e generosa na maioria das vezes. Não foi a primeira vez que entrevistei usuários de drogas, que atribuem grande parte de suas recuperações ao trabalho por ela desempenhando. Uma pessoa que tem muito a ensinar. Uma mulher digna de todo o reconhecimento. Uma profissional merecedora de todos os elogios. Mas acima de tudo, um exemplo de que nesta vida é possível sim fazer a diferença.

Gentileza gera gentileza
Detesto gente sem educação. Sabe aquelas pessoas que desconhecem a palavra obrigada? Pois é, tem gente que é incapaz de demonstrar a mínima gratidão. Tem também aquele tipo que chega-chegando, que acha que é dono do mundo. Esse também me irrita profundamente. Tem também aqueles que são intolerantes ao erro, que se julgam perfeitos e que quando criticam parecem que querem te matar. Explico: Na última semana acabei publicando nesta coluna uma notinha a respeito da reunião que seria realizada pela Associação dos Moradores de Testo Rega. Recebe o pedido para que fosse veiculada a informação e prontamente atendi. Contudo, a data estava errada. Ao invés de ser na sexta-feira (conforme noticiado), o encontro seria realizado no sábado. Algumas pessoas acabaram indo desnecessariamente até o local e certamente tiveram transtornos em decorrência disso. Reprogramaram suas agendas e perderam tempo comparecendo em um evento que aconteceria somente no outro dia. Até aí tudo bem, concordo que foi cometido um engano. O que não concordo e que me deixa indignada é atender pessoas grossas, sem educação. A telefonista do Jornal atendeu a ligação e repassou a mim. Nervosa, falou: “Karol, tem um senhor muito bravo na linha, pediu pra falar contigo urgente”. Atendo: “Pois não seu fulano, em que posso ajuda-lo?”. Depois demorou a que eu pudesse falar novamente, pois como quem engole um rádio sintonizado em uma frequência de grosserias e rispidez, ele engatou em um monólogo. Disse que era um absurdo o que tínhamos feito, que isso não poderia ficar assim que era uma falta de respeito. Tive que dizer a ele que se não parasse de falar desligaria o telefone, pois nem ao menos sabia qual o motivo daqueles xingamentos. Pouparei os leitores dessa coluna quanto às barbaridades que ele acabou falando. Informei ao querido “senhor sem educação”, que não havia sido um erro nosso e mesmo que o fosse, nada justificaria a forma com que ele estava se, portanto. Disse que as pessoas não comentem equívocos propositadamente e que por sermos humanos e seres produtivos, estamos constantemente passíveis ao erro. Encerrei desejando a ele e a sua família um ótimo final de semana. Claro que tive vontade de bater boca, responder no mesmo nível e tom suas grosserias, mas temos que ter jogo de cintura nestas horas, contar até 1580, respirar como se estivéssemos em trabalho de parto, deixar o temperamento levemente forte de lado e a essência gaúcha de ser de castigo no cantinho da sala e atender uma pessoa sem educação destas como atendemos qualquer uma outra. Mas até que foi positivo este episódio, essa história toda acabou lembrando-me do Profeta Gentileza. Você já ouviu certamente falar dele, que marcou a cidade do Rio de Janeiro e outras por onde passou. Ele tem esse nome porque vivia pregando o amor, a paz e não constava em seu dicionário a palavra “obrigado”, pois dizia que obrigado era oriundo de obrigação. Ele preferia dizer “agradecido” e falava sempre “por gentileza”. Conta a história que ele era um renomado empresário de transportes e que no início da década de 60 um circo havia pego fogo em Niterói, vitimando centenas de pessoas dois dias antes do Natal. O Profeta Gentileza naquele dia disse ter ouvido “vozes” mandando largar o capitalismo e todo apego material. Pegou um dos seus caminhões e partiu rumo a Niterói e durante anos fez das cinzas e das marcas do incêndio no chão, uma plantação de flores. Durante anos pregou nas barcas Rio-Niterói deixando uma marca. Pintava mensagens de paz, amor e gentileza nas pilastras do Viaduto do Caju – o lugar mais cinza, feio e sem vida da cidade. Avenida do cemitério até a Rodoviária fica com seus dizeres marcantes pintados em preto, verde, amarelo num fundo branco. As mensagens são pintadas no alto para serem lidas pelas pessoas mais humildes que chagam de ônibus da baixada e de Niterói. Gentileza pintava as dezenas de pilastras da avenida e promovia uma das maiores intervenções urbanas de arte na cidade do Rio de Janeiro. Em um dia qualquer as autoridades determinaram que as obras de Gentileza fossem apagadas, cobrindo-as com tinta cinza, revoltando a população que encontrava conforto em suas palavras. As homenagens são feitas até hoje: teve batizado com seu nome a Praça da Rodoviária, bem ao lado de sua arte restaurada. Sua vida virou filme, livro e tese em faculdades. Uma ONG foi criada no Rio – Rio de Gentileza. A Escola de Samba Grande Rio fez de Gentileza seu Enredo através das mãos de Joãozinho Trinta. E a homenagem mais famosa foi a música Gentileza, de Marisa Monte. Gentileza. “Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza. A palavra no muro, ficou coberta de tinta. Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza. Só ficou no muro tristeza e tinta fresca. Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza. Por isso eu pergunto. À você no mundo. Se é mais inteligente, o livro ou a sabedoria. O mundo é uma escola. A vida é o circo. Amor palavra que liberta. Já dizia o Profeta”. Espero, verdadeiramente, que o Profeta Gentileza sirva de exemplo para todos nós, e, neste caso, principalmente, para o senhor sem educação citado anteriormente.

Valeu a intenção
Na última semana, a correria foi intensa na redação do Jornal de Pomerode. Solicitação aos amigos patrocinadores camisetas para o desfile do pelotão do JP Escola, compra de balões, confecção de faixas, detalhes de última hora para acertar todos os detalhes, visitas nas escolas. Tudo em prol do desfile de Sete de Setembro. Em conversa com professoras, diretoras e representantes das mais distintas intuições que tradicionalmente lotam as ruas do município para comemorar a data, todos estavam envolvidos para que tudo transcorresse da melhor forma possível. Pois é, São Pedro não ajudou. A chuva intensa na véspera do feriado, anunciava que provavelmente o desfile seria cancelado. Preocupava também a comunidade, que assustada, temia nova enchente. Fica então para 2012. O que vale é a intenção. E isso temos de sobra, pois temos orgulho de sermos brasileiros, o que pode ser comprovado na determinação e garra de nosso povo, de nossa gente, que veste as cores da nossa bandeira em prol de um Brasil mais justo, mais humanizado.

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