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O mundo pelas lentes

Ela está nas revistas, livros, jornais e nas casas do mundo inteiro. Seja nas paredes, álbuns ou caixas de sapato, a fotografia faz parte do nosso dia-a-dia. Quando ela demonstra emoção e realismo, não tem quem não se curve diante de sua plástica. Assim ela se relaciona com as pessoas…

18 de agosto de 2011

Ela está nas revistas, livros, jornais e nas casas do mundo inteiro. Seja nas paredes, álbuns ou caixas de sapato, a fotografia faz parte do nosso dia-a-dia. Quando ela demonstra emoção e realismo, não tem quem não se curve diante de sua plástica. Assim ela se relaciona com as pessoas e apaixona a quem a aprecia pelos quatro cantos do planeta.
Baseada na exposição à luminosidade para a criação de imagens, ela se popularizou e para alguns até se vulgarizou com a transformação de analógica para digital. Mas para quem gosta do barulhinho do disparar de uma máquina fotográfica, não importa o seu sistema, o que importa é a imagem que será captada por ela. E por isso que em um dia como, esta sexta-feira, 19/08, há muito amantes da fotografia que irão comemorar a data fazendo o que mais gostam, fotografando.
Um desses apaixonados tem a fotografia como hobby, mas também se relaciona com a imagem por meio de sua atividade profissional como diretor de arte de uma agência de publicidade de Blumenau e como professor universitário no curso de pós-graduação/especialização em Fotografia. .
David José Theiss, 30 anos, blumenauense de nascimento e pomerodense de criação, se relaciona com a fotografia desde a 8ª série escolar quando, durante uma excursão, retornou para casa com três rolos de 24 poses, ISO 400, batidos. O curioso é que em nenhuma imagem ele aparecia e isso o intrigou e o fez ver o mundo que estava ao seu redor, a partir dali, de uma maneira mais singular e autoral.
Era uma Kodak Instamatic 177 e foi ela que deu o pontapé inicial para David, neste meio de descobertas e congelamento de pensamentos.
Apresentado ao equipamento, o jovem sempre acabava ficando de fotógrafo oficial em qualquer ocasião e disso a paixão foi crescendo até que quando ingressou no curso de Publicidade viu o interesse crescer ainda mais e, desta forma, começou a estudar arte de fotografar.
Nessa época o diretor de arte descobriu o Brfoto, um fórum de fotografia com pessoas do Brasil todo, no qual são trocadas ideias e informações, desde técnica até equipamentos.
Oficialmente David fotografa há oito anos e tem como preferência capturar pessoas e mostrar suas expressões e emoções, mas confessa que tem afinidade também com imagens da natureza.
Mas apesar de ter uma preferência, diz que todo hobbysta acaba fotografando de tudo um dia. Nessa levada, ele incluiu: “já tirei foto em desfile de moda, festinha de criança, ensaio para banda de rock e até umas fotos publicitárias já arrisquei”, conta.
Apesar de explorar o mundo pelo foco das lentes, 10-20mm, 50mm e 70-210mm, de sua Nikon D80, revela seu lado nostálgico e conta que volta e meia se aventura no passado, usando câmeras analógicas. “Tenho três câmeras de filme, duas totalmente mecânicas, da década de 70, lindas e macias. Um tempo atrás, passei uns dois anos só fotografando com negativo colorido, preto e branco e cromo. Montei um set (kit) com boas lentes e baratas. Foi uma fase bem proveitosa, era o boom das câmeras digitais, eu até tinha, mas o analógico era mais gostoso, a câmera tem barulho, tem movimento, parece ter alma”, filosofou. E ainda no campo filosófico e até mesmo poético da fotografia, David complementa: “Como dizem os puristas, você não fotografa com sua câmera e sim com sua cultura”, disse.
Mas deixando a nostalgia de lado, a verdade é que a tecnologia abriu esse mundo para uma massa muito maior. Porém, ele acredita que saber um pouco mais que simplesmente quantos megapixels tem a câmera, é bom para um resultado final melhor. “Não sou chato a ponto te falar que todo mundo tem que fazer um curso de fotografia ou saber abertura e velocidade, mas seria legal se a preocupação com enquadramentos e iluminação fossem maiores”, alertou, lembrando que sempre que é consultado sobre um equipamento, costuma aconselhar a aquisição de câmeras com ajustes manuais, nas quais o controle é muito maior. “Por isso acho que a fotografia de filme é uma excelente escola, nela cada clique perdido custa dinheiro e automaticamente você se torna mais crítico”, afirma.
Entretanto, apesar de carregar em seu coração e no olhar essa nostalgia, uma coisa o diretor de arte aderiu: ele é do grupo dos que não migram suas imagens captadas do virtual para o impresso. “Infelizmente imprimo muito pouco. O pen drive, hd’s externos, flickrs e outros dispositivos de armazenamento facilitaram demais a nossa vida e o bom costume de ter a foto ampliada acabou diminuindo. A maioria das fotos que tenho ampliadas ainda é da época do negativo e do cromo”, admitiu.

Câmera na mão e ideia na cabeça
Para ter uma boa imagem, somente um bom equipamento não é suficiente. A mente de quem está fotografando tem uma parcela considerável e importantíssima no resultado final. Por isso, apaixonados pela fotografia sigam o conselho: na hora do click, é bom estar focado no que deseja captar e assim elimine todos os outros pensamentos e principalmente os problemas. “Sempre foco no tema que estou fotografando e tento aliar uma técnica e um equipamento que vão trazer o melhor dessa imagem. Claro, que isso leva certo tempo, mas eu sou do tipo que pode demorar 15 minutos na frente de uma cena para fazer a foto que desejo”, aconselhou.
O importante para David é que o fotógrafo tenha seu estilo, seu DNA. “Eu sou diretor de arte, assim tento passar outra realidade, tento ir além do registro. Assim como cada olhar pode ver uma coisa, você pode mostrar para as outras pessoas o seu olhar, através da fotografia”.

Segurança e troca de experiências
Fotografar em grupo além de mais seguro (o número de roubos de equipamentos fotográficos é assustador) é mais agradável, pois existe uma troca, como garante David. Alguns gostam de falar sobre o equipamento, outras de técnicas, outras apenas da arte e si. Mas o interessante de se organizar em grupos de fotógrafos é que também dá para viabilizar viagens.
Pelo site Brfoto (www.brfoto.com.br), há uma sala só pra organizar encontros e aqui em Pomerode todo ano acontece um encontro durante a Festa Pomerana, que é um dos mais famosos. Já são quatro anos seguidos. Mais fotos de David você pode conferir pelo www.flickr.com/davidtheiss.

Dia da Fotografia
Dois franceses merecem destaque nessa descoberta: Joseph Nicéphore Niépce e Jean Jacques Mandé Daguerre. Niépce foi o precursor, unindo elementos da química e da física, criou a héliographie em 1826. Nesse invento ele aliou o princípio da “câmara obscura”, empregada pelos artistas desde o século XVI, à característica fotossensível dos sais de prata. Após a morte de Niépce, Daguerre aperfeiçoou o invento, rebatizando-o como daguerreótipo.
Por essa época, um francês radicado no Brasil, Hércules Florence, desenvolvia também experimentos que levariam ao mesmo resultado. Mas o advento da fotografia foi anunciado ao mundo oficialmente, em Paris, na Academia de Ciências da França, consagrando o Daguerreótipo, em 19 de agosto 1839.
De lá pra cá a fotografia evoluiu muito e foi a grande responsável por “apresentar o mundo” à humanidade. Mesmo com o surgimento de outras formas de exibição de imagens (cinema, televisão, computador) a fotografia continua sendo a única "capaz de captar a alma humana". Ou, como diria Henri Cartier-Bresson, um dos maiores fotógrafos de todos os tempos, "fotografar é captar o momento decisivo".

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