Festa da Apodef divulga e fortalece a luta dos deficientes em Pomerode
No último sábado, 06/08, centenas de pessoas foram até a o Pavilhão da Festa Pomerana para prestigiar a 2ª Festa da Associação Pomerodense de Deficientes Físicos (Apodef). O evento que tinha como objetivo divulgar a entidade e levantar fundos para a compra de material esportivo para os paraatletas transcorreu conforme…
No último sábado, 06/08, centenas de pessoas foram até a o Pavilhão da Festa Pomerana para prestigiar a 2ª Festa da Associação Pomerodense de Deficientes Físicos (Apodef).
O evento que tinha como objetivo divulgar a entidade e levantar fundos para a compra de material esportivo para os paraatletas transcorreu conforme o esperado para os diretores e organizadores. Mas acima de tudo, a realização do evento foi fundamental para a entidade criar mais uma data para promover ações que visem integrar os deficientes e conquistar o apoio da comunidade. Segundo o presidente da Apodef, Vilmar Ramos, o objetivo é manter no calendário e já pensar em uma festa ainda maior em 2012. “Isso foi uma demonstração e vamos manter de pé para que nossa festa se transforme em um evento como o pedágio, que já é realidade”, comentou Vilmar.
O evento contou com atrações importantes para que o próprio deficiente sentisse uma interação com a sociedade e com o meio onde vive. “Na festa, os deficientes puderam sentir um pouco do que é superar suas dificuldades e fazer algo que mostre até onde vão seus limites. Assim foi na partida de exibição de basquete para cadeirantes, do coral de deficientes auditivos e da apresentação de teclado da jovem que é deficiente auditiva, Elenice Raduenz, de 16 anos”, destacou o presidente.
Na festa foram vendidos galetos e churrascos, com acompanhamentos, que terão renda revertida para a entidade. Conforme Vilmar foram aproximadamente 300 cartões vendidos.
O presidente agradeceu a presença de todos e disse que a Apodef está aí para quem precisar. “Basta procurar a entidade. Cada vez mais queremos oferecer serviços de apoio ao deficiente”, declarou.
Arremesso infalível
A sociedade olha para os deficientes e os vê de forma fragilizada. Para contrariar todos esses preconceitos do cotidiano e para mostrar que nossos limites somos nós que estabelecemos, a Apodef teve como a principal atração de sua festa no último sábado, a partida de basquete de cadeirantes entre Joinville e Florianópolis.
Em quadra atletas, que já podem se intitular vitoriosos por superarem os obstáculos da vida e seus próprios medos.
Isso mesmo, porque um dos maiores desafios de um deficiente é se aceitar em uma condição adversa e fora do convencional da sociedade. Por isso, esses bravos guerreiros sobre rodas mostraram que às vezes uma cadeira de rodas pode levá-los muito mais longe do que pernas sãs, como mostram as histórias de Leandro Soares de Oliveira, 21 anos; Silssu Brandão, 48 anos e Aldo Pavesi, 34 anos.
Leandro, de Florianópolis, joga basquete há seis anos e se tornou deficiente físico aos 14 anos, quando sofreu uma queda de uma janela. Somente um ano após o corrido ele se reaproximou do esporte a convite de um amigo. Para ele, que jogava basquete antes de se acidentar e sofrer uma lesão medular, não há diferença na prática e o que poderia limitar sua trajetória o levou adiante. “Sou da Seleção Brasileira Sub-23 e já disputei o mundial na França. Se depender da técnica pode ser que esteja em Londres, nas Olimpíadas de 2012”, contou o jovem.
Veterano das quadras, o jogador de basquete de Florianópolis, Silssu, também mostra que um problema físico não restringe a vida de ninguém. Casado e pai de dois filhos, já disputou mundial de futsal para pessoas com deficiência nos membros inferiores na Inglaterra e esteve nas Olimpíadas de Los Angeles, nos Estados Unidos, em1984.
Mas a maior vitória foi aceitar e ter conhecido o esporte, como o próprio conta: “Eu tive poliomielite aos oito meses de idade, mas foi aos 18 anos que vendo uma Campanha Internacional contra a Poliomielite, estrelada pelos Trapalhões, que minha vida mudou. Procurei a associação de deficientes físicos no Paraná e comecei a jogar basquete. Já se foram 30 anos e eu enquanto estiver vivo estarei lutando e correndo atrás. Mas me aceitar como deficiente também foi uma jornada, pois cheguei a pensar que meus filhos também nasceriam deficientes”, revelou.
Já para Aldo, do Joinville, a mesma poliomielite que vitimou Silssu, o levou a um voo tão alto quanto dos adversários dentro de quadra. Por causa da deficiência ele chegou ao basquete, que lhe oportunizou cursar Educação Física e hoje tem uma escolhinha de basquete para adolescente de 14 e 16 anos. “Antigamente um deficiente não podia fazer Educação Física, porque no vestibular exigia prova prática. Quando quebraram esse paradigma consegui ingressar e durante o curso fiz as disciplinas práticas todas adaptadas”, lembrou Aldo, que finaliza dizendo que o deficiente superava obstáculos diariamente a partir do momento que ele sai de casa.
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