Ponto a Ponto
por Karol Pinto
Emissor e receptor? Não acredito mais nesta teoria!
Reunida com algumas pessoas esta semana em encontro realizado durante um almoço, estávamos discutindo a importância das redes sociais. Não falávamos daquela espécie de diário online, onde qualquer acontecimento vira motivo de comentário, seja ele “vou almoçar” ou “voltei do almoço”. Explico. Esqueçam discursos utópicos de que a tecnologia às vezes afasta as pessoas e que a humanidade está cada vez mais dependente de todos os aparatos tecnológicos para sobreviver. Toda história tem seu lado, o que é em demasia acaba prejudicando. As redes sociais nos permitem o acesso à informação já mastigadinha, resumida, um segundo depois do acontecido, o que até então era possível só através das rádios. Papéis se invertem. Esqueçam aquele modelo antigo de comunicação. O veículo é o emissor da informação e o leitor o receptor. Estabeleceu-se o feedback através de várias vias de comunicação, o que é extremamente positivo. O jornal acaba sendo construído pela comunidade, as colunas da mesma forma. As pessoas manifestam suas opiniões e acabam pautando os veículos. Recebi nesta semana um e-mail de uma professora e amiga relatando que está trabalhando em aula com seus alunos questões que envolvem a polêmica morte da cantora Amy Winehouse. Disse que sua turma está montando um portfólio e para sua surpresa um aluno trouxe um tópico desta coluna. “Você colaborou com a nossa prática educativa. Agradecemos. O Jornal, ou seja, a sua página, está no nosso Portfólio, como fonte de pesquisa. Um aluno quis recortar, mas o outro disse: – Não corte! Tem mais valor se você deixar a referência. O jornal de Pomerode como recurso pedagógico no ensino de línguas”.
Até a Miss Brasil sofreu bullying
Esta mesma turma citada no tópico “Emissor e receptor? Não acredito mais nesta teoria!” sugeriu que neste espaço fosse falado sobre a escolha da Miss Brasil. Acredito que o fato que tenha despertado o interesse da turma é que a nossa atual Miss foi vítima de bullying na escola. Com 1,80 de altura e 56 quilos, Priscila Machado (25) foi eleita a mulher mais bonita no Brasil. As formas perfeitas que renderam o título de Miss Brasil 2011, no entanto, já fizeram a gaúcha ser motivo de piadas entre os colegas durante a infância e adolescência. “Considerada a ‘Olívia Palito’, a magricela do colégio, tinha problema com namoradinhos porque era mais alta, então ninguém queria ela”, contou seu irmão. Ela é prova de que as pessoas não podem se deixar abater pelas críticas. Grande parte dos adolescentes já foi taxada de gordinho, magricela, quatro olhos, dentuço, nerd, espinhento e etc. O mundo dá voltas e nada como um dia após o outro. Priscila superou todas as críticas e deboches e hoje é uma das mulheres mais bela do mundo. Mas também tem o outro lado da história, sua beleza não é totalmente natural. Já passou por procedimentos cirúrgicos. Seus discursos são ensaiados, usa nos desfiles somente as cores que lhe caem bem. Arma-se como uma drag queen, a maquiagem é carregada, os vestidos custam uma fortuna, e quando está de ‘cara limpa’, sem toda a produção, volta a ser uma mulher normal, uma pessoa comum. Até que ponto as críticas nos atingem? Que sequelas deixam? Mulheres bonitas ou produtos da moda e da ditadura da beleza? Acredito que sejam estes os principais questionamentos e reflexões que devem ser feitos. Quando adolescente, também me deixava abater pelas críticas em alguns momentos. Não importava muito com que os outros pensavam a meu respeito, estava mais preocupada em ser feliz, jogar bola, correr, estudar, me divertir. Tive uns dois ou três apelidos, colocados pelos colegas de escola e até mesmo por meus dois irmãos, que sabiam como ninguém me tirar do sério. Mas gente, acreditem, isso é fase, passa. A chance de virar uma Miss ou um ator global de propaganda de pasta de dente é muito pequena, mas os jovens vítimas de bullying não deixarão de ser talentosos, não serão condenados à solidão. Serão bons em suas profissões e certamente vão encontrar a outra metade da laranja.
“Aqui todo mundo vira alemão”
Particularmente não gostei do folder de divulgação da Oktoberfest de Blumenau deste ano. A frase “Aqui todo mundo vira alemão” é ilustrada por pessoas de três etnias distintas, de diferentes raças. Considerei um pouco apelativo e preconceituoso o conjunto. As pessoas que prestigiarem o evento não precisam virar alemãs, elas continuarão sendo o que são. A ideia pode ter sido válida, mas não conseguiram passar, volto a dizer, em minha opinião, uma mensagem positiva, de um povo ordeiro e hospitaleiro. O que garante o sucesso é o prestígio do povo, indiferentemente de sua cor, crédulo, preferência sexual ou situação econômica. A mesma festa pode ser feita de diferentes formas, por pessoas distintas. E que brindemos a multiplicidade, a miscigenação cultural.
Qual a sua opinião?
“O povo que é grande, mas não vingativo. Que nunca a justiça e o Direito calcou, Com flores e festas deu vida ao cativo, Com festas e flores o trono esmagou”. Você conhece esta frase? Lembra-se de já ter escudado antes estas palavras? Eu confesso, é a primeira vez que analisei estas duas linhas retiradas do Hino de Santa Catarina. Moro há quase seis anos aqui e não mais do que cinco vezes, em eventos solenes, presenciei uma plateia cantando sua letra e quando fui testemunha, me chamou atenção que muitas pessoas estavam caladas, não conheciam sua letra. O que me despertou a falar sobre este assunto em minha coluna foi novamente a professora citada anteriormente e sua turma, ricos colaboradores de pauta. Li a respeito, busquei informação. Descobri que um projeto para mudar o Hino de Santa Catarina é analisado pela Assembleia Legislativa. O motivo para a mudança é que na letra da música o Estado não é sequer mencionado. Segundo especialistas, esse distanciamento torna a música praticamente desconhecida da população, que não se identifica com a composição. O deputado estadual Gilmar Knaesel é o autor do projeto, sugere uma consulta popular antes da alteração, com concurso para escolher a música que melhor resume o Estado. Qual a sua opinião? Deve-se mudar o hino? Os catarinenses desconhecem a letra por ela não mencionar o estado ou por não existir uma cobrança para que a população cante-o? Manda sua opinião por e-mail e vamos promover esta discussão aqui na coluna Ponto a Ponto.
Do leitor
“Estou escrevendo desta vez para agradecer a ti e a toda comunidade de Pomerode que se empenhou em nos ajudar a realizar o 4º Bazar da Pechincha, que aconteceu no dia 12/06. Conseguimos uma arrecadação suficiente para nossa viagem ao Fórum interdisciplinar de epidermólise bolhosa, que foi um sucesso! Conseguimos formar uma comissão para tentar formar o Debra Brasil, uma associação internacional existente em vários países, comandada por uma central – Debra Internacional. Se conseguirmos fundar o nosso Debra Brasil conseguiremos com mais facilidade ajuda até mesmo para pesquisas aqui no país. Teremos como fazer uma divulgação maior, o que vai ajudar a encontrar os portadores no país, dando a eles uma melhora na qualidade de vida! A Dra. Jeanine Magno Frantz, dermatopediatra do Emanuel, palestrou sobre as complicações da doença, eu, sobre o papel das associações no Brasil e o Emanuel finalizou o Fórum tocando a música “Aquarela Brasileira” no metalofone. Foi emocionante! Muito obrigada a todos por ter nos dado essa oportunidade! Nosso próximo bazar está programado para novembro. Caso possam continuar ajudando, peço que as doações continuem sendo feitas: Pomerode – com Lori, fone: (47)33951732 – Blumenau – com Inka, fone: (47)3237-6243 – Rio do Sul – com Tania, fone: (47)3522-1192”.