Ponto a Ponto
por Karol Pinto
Devaneios do inverno, pensamentos que vem com o frio
Em dias frios as pessoas ficam mais introspectivas ou é impressão minha?Sei lá, entre xícaras de café, mantas, chalés, chocolate quente, jantares com os amigos regados a um bom vinho, sinto que acabamos ficando mais tranquilos, pensativos, como se não estivesse nos acompanhando a agitação dos dias mais quentes. Pode ser só impressão, na verdade pode ser uma particularidade minha, já que completei nesta quinta-feira 30 anos. Para nós mulheres é uma idade complicada de encarar, mas, resta-nos o contentamento que é apenas a ruptura de um ciclo, que dá acesso, digamos, para uma fase mais madura. Bem, nesta semana acabei encontrando um papel amarelado entre minhas coisas, algo que devo ter escrito há uns quatro anos. Relendo, percebi como é bom amadurecer, nem que para isso as marcas do tempo tenham que surgir, em contrapartida, levando a inconsequência que tantas vezes nos colocou em maus lençóis. Compartilharei parte do que escrevi na sequência, mas antes disso, preciso fazer um comentário. Recebi nesta semana vários e-mails e cumprimentos pelas últimas colunas que tenho escrito, e avalio como não sendo elogios somente pelos assuntos abordados. As pessoas gostam de papos mais informais, gostam de ver o próximo escrevendo de forma mais leve, como se fosse um desabafo. E é justamente a proposta destas linhas escritas sem máscaras. Acertamos e erramos, todos nós, sem exceção. E foi assim, desvestida por pudores, que compartilho em desabafo antigo. “Chega. Para. Coloca a cabeça no lugar. Pensa. Ora. Pede a Deus para teus passos guiar. Respira. Mais uma vez. Joga uma água no rosto. Levanta, caminha. Muda de lugar. Espera passar o transe e volta, está na hora de recomeçar. Permita-te chorar. Não é vergonha, pelo contrário. Não temos em nossas mentes as respostas de todas as nossas dúvidas. Quem não contesta o que sente, apenas vive o presente. Não se importa com o passado, e não vislumbra um futuro diferente. É isto mesmo que quero para mim? A pergunta ecoa no vazio. A resposta não vem. Pode ser uma fase, pensa e repete isto como um mantra. Sempre desacreditou nas crises, melancolias e depressões. Hoje, em contrapartida, se vê perdida, mesmo sabendo qual é a direção. Assim és tu, assim sou eu, assim somos todos nós. Dizem que são em momentos de crise, principalmente existenciais, que os caminhos surgem, que decisões corajosas são tomadas. Mas e quando não se quer decidir? Quando se tenta não pensar? Passam as horas no relógio pendurado na mesma parede que ficamos focados todos os santos dias de nossas vidas. Passam os dias no calendário. Ontem era Páscoa e agora, logo aí, as propagandas na TV vão anunciar o Natal. Abrimos um livro buscando distração. Um livro amarelado pelo tempo, com suas páginas um pouco desgastadas, mas que seguem contando a mesma história. Eis que de repente, cai no chão uma fotografia. Pego-a e comparo com a imagem que vejo no espelho. No mínimo uns 15 anos se passaram. O sorriso não é mais o mesmo, o cabelo, a pele que já apresenta marcas trazidas pelo tempo. Eis que pergunto com lagrimas nos olhos. E se eu morresse hoje, o que fiz de tão importante? O que deixei para o mundo? Qual foi minha contribuição? Foi assim que me vi mergulhada em uma grande crise existencial. ‘Todo dia ela faz tudo sempre igual’, diz a música do poeta e compositor, grande Chico Buarque. Quero fazer todos os dias a mesma coisa? Será que realmente nasci para isso? É importante aquilo que faço? Realmente não sei. Parece que quanto mais me procuro, mais me perco, não me acho. Assim sou eu, assim és tu, assim não somos todos nós?”.
43 anos
Nossa Biblioteca Municipal completou 43 anos de existência no dia 28 de junho. Em conversa com a bibliotecária Viviane Balk Herrmann, profissional que admiro pelo maravilhoso trabalho que desenvolve, principalmente com as crianças que participam da “Hora do Conto”, percebe-se o carinho e paixão que ela tem pela profissão e o cuidado que é dedicado ao acervo de livros do município. Parabéns aos funcionários do nosso espaço do saber e do conhecimento.
Do leitor…
Recebemos da leitora Ana Paula Fischer uma reflexão a cerca de um e-mail que ela teve acesso.“E o profissional que é o responsável pela educação e instrução do país, é aquele que menos tem valor…Lembro dos meus professores até hoje. Aqueles que me mostraram um monte de coisas que eu não sabia…Que me levaram a biblioteca para que eu pudesse me deliciar com todos aquele livros! Hoje em dia, está tudo no Google e ninguém mais se dá ao ‘trabalho’ de abrir um livro de cem páginas, quem dirá um Best-Seller de setecentas…. somos poucos, bem poucos… meus amigos! Boa sorte Brasil!”
Resposta
Concordo plenamente com suas palavras Ana Paula. É complicada a desvalorização que nossos professores enfrentam mensalmente quando confrontam em um lado da balança o sonho de educar, a missão de ser pedagogo, e de outro lado, o salário ridículo, que em nada é condizente com a dedicação de uma vida inteira em nome do saber, em prol do ensinar.
Do leitor…
“Olá Karol! Gostaria de agradecer pela belíssima reportagem sobre os paraatletas de Pomerode. Ficou realmente muito linda. Foram sete páginas de belas histórias de superação. Surpreende-me que, num período em que só interessa ou vende-se, tragédias e notícias sensacionalistas, o jornal de Pomerode disponibilizou tamanho espaço para noticiar belas histórias. Quero parabenizá-la pela delicadeza e carinho com que escreveu o texto, foi emocionante. Na sexta-feira muitas pessoas me abordaram comentando terem gostado da reportagem. Creio que algumas coisas ‘não tem preço’, como por exemplo: participar destas conquistas, receber um sorriso, um abraço carinhoso que vem do fundo do coração. Pareceu-me que este foi o sentimento que passou nas suas entrelinhas. A equipe da APODEF agradece. Espero que tenha oportunidade de acompanhar o grupo num PARAJASC, será uma experiência única, com certeza. Muito obrigada. Um forte abraço! Lisbete”.
Resposta
Querida Lisbete, os méritos são todos de vocês, que lutam diariamente por uma sociedade mais justa, uma sociedade em que o preconceito é sufocado pela interação, pela aceitação das diferenças. Em nome da equipe JP agradeço suas palavras de carinho. O trabalho feito pela APODEF, APAE e pela FUNPEEL, com o apoio da Prefeitura de Pomerode, é que merece todo o reconhecimento da população pomerodenses. Só pessoas como você, com um coração enorme, são capazes de se dedicar diariamente para que estas pessoas tão especiais vivam em um mundo um pouquinho menos duro. Juntamente com a Joyce, nossa diagramadora, e com o Frank, Gerente de Esportes da FUNPEEL, tive a oportunidade de entregar em mãos na APAE a edição que foi veiculada a matéria sobre o PARAJASC. A felicidade daqueles amados atletas estampada em seus olhares, deveria ser vista por cada pomerodense, porque assim, e só assim, aquelas sete páginas de matéria passam a ter sentido pleno, absoluto. Já está marcada em minha agenda a cobertura do próximo PARAJASC, não como um compromisso, mas como a Margareth, diretora do Doutor Blumenau e mãe da querida Dani mesmo diz: “Quem acompanha estes atletas nesta competição volta rejuvenescido, uma pessoa melhor”.