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Valorização já

O impasse entre Governo do Estado e professores da rede de ensino estadual até o fechamento desta edição não tinha terminado e alunos seguem com o transtorno de ficar sem algumas aulas, pelo menos aqui em Pomerode. Porém, fomos além da discussão sobre a paralisação e ouvimos dos estudantes o…

9 de junho de 2011

O impasse entre Governo do Estado e professores da rede de ensino estadual até o fechamento desta edição não tinha terminado e alunos seguem com o transtorno de ficar sem algumas aulas, pelo menos aqui em Pomerode. Porém, fomos além da discussão sobre a paralisação e ouvimos dos estudantes o que eles pensam sobre a educação no Brasil e como eles veem a profissão “professor”. Será que a juventude de hoje sonha em seguir a carreira do magistério? Na entrevista há algumas contradições e também uma certeza: os quatro alunos entrevistados da Escola Estadual José Bonifácio valorizam muito mais os educadores, que as autoridades brasileiras.

Jornal de Pomerode: O que vocês estão achando da greve?
Ana Paula Deremes:
A greve é legítima, mas não concordo em ter aulas só em alguns horários. Deveria paralisar tudo, porque tem gente que mora muito longe e vem pra cá para ter somente duas aulas. É injusto. Por isso muitos alunos estão faltando.
Franciele Wollick: Concordo com a Ana nessa questão de que essa paralisação parcial prejudica principalmente quem mora longe.
Francisco Fernandes: Penso que a maioria dos alunos está se divertindo por não terem todas as aulas e aproveitam para ficar na rampa de skate do Pavilhão da Festa Pomerana. Além disso, depois teremos que repor essas aulas, quando estaríamos de férias.
Matheus Torres: A Greve é ruim porque estamos perdendo conteúdo, deixando de fazer as provas. Além do mais não acho legal às vezes ter que vir pra assistir só uma aula. 

Jornal de Pomerode: Quanto à reivindicação dos professores, vocês acham justa?
Ana Paula Deremes: Se os professores não correrem atrás do que é seu por direito, não conseguirão aumento. É ruim porque teremos que repor essas aulas, mas se eles atingiram o objetivo com a greve todos saem ganhando.
Franciele Wollick: Os professores precisam receber melhor, R$ 1.190 ainda é pouco por tudo que eles fazem e o quanto trabalham.
Ana Paula Deremes: Sem contar que há outras carreiras e profissões que exigem menos estudo que ganham mais que um professor.
Francisco Fernandes: Sim. Eu faço um curso no SENAI e ganho por isso, comparado com o que ganha um professor, eles ganham pouco diante do quanto se estressam. Tem estagiário em empresa ganhando mais do que eles.
Matheus Torres: Acho certo o que os professores estão fazendo. Não é justo o que eles ganham trabalhando de manhã até de noite. Deveriam pedir mais aumento. 

Jornal de Pomerode: Algum de vocês tem vontade de seguir na carreira de professor?
Ana Paula Deremes: Eu quero fazer Educação Física, mas não pelo salário e sim porque gosto.
Franciele Wollick: Não.
Francisco Fernandes: Seria bom poder ensinar o que eu aprendi com os meus professores. Mas pelo salário não está valendo a pena. (Francisco é filho de ex-professora, que hoje cursa uma nova cadeira e trabalha na área de logística).
Matheus Torres: Não. (Matheus é filho da professora Fátima Torres, da Rede Municipal de Educação de Pomerode).

Jornal de Pomerode: Qual importância o professor tem para vocês?
Ana Paula Deremes: Desde pequeno estamos na escola. O que seria da gente se ficássemos em casa e não tivesse professor que adquirem conhecimentos para nos transmitir?
Franciele Wollick: Eles nos ensinam o que precisamos para seguir em frente e nós aprendemos com eles o que iremos usar no futuro. Eles nos fazem pensar em um mundo melhor.
Francisco Fernandes: Eles são importantes desde a infância. São eles responsáveis pelo que aprendemos.
Matheus Torres: Os professores nos preparam para o futuro e para construirmos uma boa carreira.

Jornal de Pomerode: Diante dessa importância, o quanto vocês acham que um professor deveria ganhar? (O piso nacional da categoria é de R$ 1.187,00 para professor de nível médio com carga horária de 40 horas)
Ana Paula Deremes: Na faixa de R$ 1.700. Porque eu trabalhava em uma pizzaria e ganhava mais do que alguns professores ganham hoje. Tudo bem que era um trabalho cansativo, mas não me exigia investimento nos estudos, como acontece com os professores, que pagaram caro suas faculdades para poder nos dar aulas.
Franciele Wollick: A partir de R$ 2 mil.
Francisco Fernandes: Em torno de R$ 1.800.
Matheus Torres: R$ 2 mil seria um salário justo.

Jornal de Pomerode: Considerando o maior salário que vocês responderam acima, R$2 mil. Se vocês fizessem uma faculdade de medicina ou engenharia, trabalhariam por esse salário?
Ana Paula Deremes: Não. Porque é injusto pelo investimento que fazemos.
Franciele Wollick: Não. Isso é que pagaríamos numa faculdade de medicina. É muito pouco ganhar só isso.
Francisco Fernandes: Não.
Matheus Torres: Não.

Jornal de Pomerode: Qual a opinião de vocês em relação à Educação no Brasil?
Francisco Fernandes: Muito fraca.
Matheus Torres: Se formos comparar com outros países, pior ainda.
Ana Paula Deremes: Não precisa nem comparar com escolas de fora do país. Basta vermos na mesma cidade. Acho que deveríamos ter mais de quatro horas por dia de aula. Além, do que no ensino estrangeiro temos que escolher um idioma apenas. Deveria ser os três, inglês, espanhol e alemão.
Franciele Wollick: Isso é. Aqui nós só podemos fazer um idioma.

Análise
Conforme Edmundo Pozes da Silva, Pós-doutor em Educação pela PUC/SP, em relação a questão do salário, a contradição pode aparecer em razão dos parâmetros que eles têm do que é pago nas fábricas. “Já dei palestras e muitos desses alunos são filhos de pessoas que trabalham nas fábricas. Esses jovens sabem o que querem, mas têm que ser mais empreendedores e buscar um horizonte mais amplo. Sobre a relação aluno-professor, da minha geração para essa atual mudou muita coisa. Na minha época o professor era quase que uma autoridade máxima. Perdeu-se muito do respeito por esse profissional. O professor precisa se impor e ocupar o seu papel de orientador desses jovens”.
Considera ainda o especialista que os profissionais da educação estão corretos em reivindicarem melhores salários. “Eles precisam se atualizar e investir na carreira, sem contar que os pais despejam os seus filhos na escola, transferindo a responsabilidade pela educação deles”.

A greve
O movimento grevista dos professores segue inalterado até o fechamento desta edição e completou três semanas na quarta-feira, 08/06. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina (SINTE) discute a proposta do Governo do Estado, que diz atender em 90% as reivindicações da categoria, permanecendo com o diálogo aberto com os professores. Com a proposta do Governo, 100% dos educadores serão beneficiados com a lei do piso. A maior remuneração passa a ser de R$ 1.483,00 e o professor com curso superior receberá vencimento inicial maior do que o de nível médio. Isso representará um impacto na folha de pagamento de R$ 22 milhões ao mês para o Estado.

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