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Mergulho na arte

Alunos do UEJA têm oficinas de arte na grade curricular e descobrem um mundo encantador e de novas oportunidades

28 de abril de 2011

O período da Renascença é a grande referência mundial das artes. Já no Brasil sempre que estudamos o assunto, temos como grande marco a Semana de Arte Moderna de São Paulo, de 1922. Nela o Brasil ingressou no modernismo mostrando grandes artistas para mundo, como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. Mas essas não são as únicas referências nacionais. Somos ricos e repletos de grandes mestres, podendo citar desde Cândido Portinari até o contemporâneo, Romero Brito.
Porém no Brasil, o estímulo à arte parece que está restrito aos mais abastados e aos grandes centros, ficando longe do alcance na maioria da população.
Remando contra a maré, mas no rumo certo, está o projeto das oficinas de arte da Unidade de Educação de Jovens e adultos (UEJA) de Pomerode, que esse ano conseguiu colocar em prática as disciplinas alternativas e inclusivas, que foram inseridas na grade curricular.
O foco principal é oportunizar um ofício complementar aos alunos e assim oferecer mais uma fonte de renda para eles. Entretanto, o alcance desses conhecimentos que eles estão adquirindo podem levá-los a rumos mais esplendorosos, que nem eles imaginam. São portas que poderão se abrir e talentos que poderão surgir, que hoje são impossíveis de serem mensurados, mas a médio prazo poderá ser visto os resultados.
Para Sirley Maria Moreira Loureiro, diretora do UEJA, essa foi a maneira encontrada para oportunizá-los uma capacitação que aumentasse a renda familiar, porém no início houve um pouco de resistência por parte dos alunos, que precisariam disponibilizar mais um dia para comparecer à escola. “Desde que municipalizamos o UEJA, que antes era o NAES, queríamos inserir na grade disciplinas fora do currículo convencional e fizemos isso com as oficinas de artes e informática. A ideia foi amadurecendo e a partir da disponibilidade da profissional, a artista plástica, Gláucia Maria Erbs, conseguimos viabilizar o curso”, explicou a diretora.
Inicialmente atendendo aos alunos que estão nas fases finais do ensino supletivo, o objetivo é abrir as oficinas a toda à comunidade. “A procura tem sido grande e havendo vagas iremos abrir para a população. Porém, para o melhor aproveitamento as turmas não podem exceder 10 alunos”, disse a diretora.

O início
O projeto está no início e os alunos começam a se familiarizar com a disciplina. Como falamos, houve resistência, mas com a apresentação do conteúdo e a prática, rapidamente eles vão gostando da ideia.
Conforme a professora, Gláucia Maria Erbs, que é licenciada em Artes Plásticas e pós-graduada em Ludopedagogia, Leitura e Literatura na Educação Infantil, com ênfase em arte na educação, esse era um trabalho que ela já fazia há tempos nas escolas municipais e que agora teve oportunidade de trazer para o UEJA. O primeiro passo é colocá-los a par das inúmeras possibilidades que eles têm de criar e que as limitações de material não podem ser obstáculos para travar a imaginação. “Trouxe vários exemplos de obras prontas para motivá-los e foi interessante ver a vontade deles de aprender. Claro que estamos começando e somente com a evolução do curso poderemos ver quem leva jeito para a coisa, mas já há os que se destacam”, disse Gláucia, lembrando que em sua casa já texturizou uma parede com uma colher.
O curso teve início com o aprendizado de texturização de parede, no qual eles já estão fazendo um painel na própria escola. A escolha das imagens veio da análise de publicações e das próprias referências locais e aos poucos vão tomando forma por meio de pincéis, espátulas e da criatividade desses alunos.
Serão 21 horas de aulas desta técnica, mas o curso é composto de mais 21 de mosaico, pintura e decupagem.

Sem limites
Para a aluna, Lourdes Maria Oenning, não há limites de idade para se aprender algo novo. Mais velha da turma, com 39 anos, Lourdes, está aprendendo para usar em casa e ensinar o marido, que é pedreiro. “Lá em casa todos gostam de novidade, por isso pretendo levar meu aprendizado para casa e irei compartilhar com meus familiares, mas acredito que para os mais jovens isso pode ser uma experiência, para quem sabe, até se profissionalizar nesta área”, comentou Lourdes, que tem três filhos e dois netos.

Nova oportunidade
Quem já trabalhava com artesanato e o usava como fonte complementar de renda, como é o caso de Scheyla Müller, vislumbra essa oportunidade como um ampliador de horizontes. “Já fazia crochê e bordado e estou achando fascinante aprender novas técnicas”, disse a aluna, que tem o estudo também como uma válvula de escape para o estresse do dia-a-dia. “É muito bom estudar e aprender coisas novas. Faz a gente se desligar do mundo e dos problemas deste mundo caótico”, concluiu.

Talento
Ele conheceu a professora Gláucia ainda na escola e já mostrava que levava jeito e tinha interesse pelas artes. Apesar de dizer que o aprendizado de texturização é para ganhar dinheiro trabalhando no futuro na construção civil, o talento de Gedeão Belchior Leão, de 15 anos, bem explorado pode levá-lo a voos maiores. “Gosto de artes e desenho bem. Quero aprender várias técnicas, desde a texturização até a pintura em tela”, disse o jovem, que nem se dá conta que seus olhos brilham ao falar de seus dons e do aprendizado que está tendo.

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