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Aflição e dor nos ares

Jovem de 14 anos morre ao cair de parapente e pai vê tudo sem poder fazer nada para salvar a vida do filho

24 de abril de 2011

“Meu amigão”. Essas foram as palavras de Adair Stringali, quando se debruçou sobre o corpo do filho morto, Vitor Hiram Stringari, de 14 anos, recém resgatado da mata do Morro da Esperança no início da manhã do domingo, dia 17/04. Ele parecia não acreditar e colocou para fora toda a angústia que manteve sobre controle durante as quase 16h, que duraram os trabalhos de busca.
Controle emocional, que era alimentado pela esperança de que o reencontro estaria próximo e com um final feliz. Tanta sensatez permitiu que o pai relatasse os detalhes do acidente, sem que alguma lágrima escorresse de seu rosto.
Adair contou que a convite do piloto de parapente, João Aureli dos Santos (Joãozinho), amigo da família, foi até o Morro Azul, para que seus filhos fizessem um voo duplo com ele. O irmão de Vitor, de 12 anos, foi o primeiro e a aventura terminou bem no campo de pouso do Clube Pomerano de Parapente, no bairro Ribeirão Herdt.
Quando chegou a vez de Vitor, foram feitos os preparativos para a decolagem, mas a desatenção na colocação dos equipamentos de segurança reservou um fim trágico para aquele sábado de lazer entre pai e filhos. “Já na decolagem ele se desprendeu e ficou pendurado. O Joãozinho tentou segurá-lo com as mãos, mas como não tinha como controlar o parapente, teve que soltá-lo. Tentou prender com as pernas, mas não adiantou e Vitor caiu sobre as árvores”, contou o pai que do alto do Morro Azul viu todo o episódio e nada pôde fazer para salvar o filho.
Após a queda, todas as atenções se voltaram para encontrar o menino na mata fechada da região. Moradores do bairro, o pai, o piloto e depois os Bombeiros Voluntários de Pomerode se embrenharam na mata. Em seguida veio o reforço do helicóptero dos Bombeiros Militares de Santa Catarina, mas até o anoitecer Vitor ainda não tinha sido encontrado.
A dificuldade, além do terreno íngreme e da pouca visibilidade, se agravava por ninguém ter a localização exata de onde o jovem caiu. O próprio piloto dizia que poderia ser em uma área, que depois não foi confirmada. Populares que diziam ter visto o rapaz cair também davam diversas indicações.
A escuridão da noite dificultou ainda mais os trabalhos de busca e mesmo com reforço vindo de Timbó e Blumenau, inclusive com cão farejador, não conseguiram concluir as operações. Eram três equipes enfrentando os perigos do terreno para tentar resgatar o jovem. Mesmo com a indicação de que o jovem teria caído de aproximadamente 100 metros de altura, não perdiam a esperança de encontrá-lo com vida.
A madrugada foi chegando e a cada hora que passava, a angústia de familiares e amigos crescia. Somente a fé poderia fazê-los suportar toda a apreensão. Por volta das 2h, uma corrente de oração foi formada e todos pediam que Deus operasse um milagre.
Pouco tempo depois, às 3h o resgate foi suspenso, devido à falta de condições de se avançar na mata e retomado somente às 6h10min, com a chegada da Força Tarefa dos Bombeiros Voluntários de Santa Catarina, que veio de Indaial e do apoio de Guaramirim, que auxiliaram a operação.
Na mata os bombeiros voluntários encontraram o celular de Vitor e a partir daí seguiram os rastros, até chegar ao ponto onde estava o corpo do menino.

A triste constatação
Mesmo com muitas preces e orações, Vitor Hiram não resistiu à queda de aproximadamente 100 metros e teve politraumatismo, conforme informou o comandante da Força Tarefa, Evandro Vinotti. “Ele estava sobre uma pedra e havia um galho bastante robusto quebrado, no qual provavelmente bateu antes de atingir o chão. A localização onde ele foi encontrado havia uma grande concentração de eucaliptos”, disse o bombeiro.
O trabalho de retirada do corpo da mata foi bastante difícil e levou mais de uma hora para chegar ao local onde aguardava o carro da funerária.
Para os bombeiros a sensação era de dever cumprido, mas com o pesar de não terem encontrado o jovem com vida. “Esse é o nosso dia-a-dia, cada corpo que resgatamos sem vida é um sofrimento, pois nos colocamos no lugar da família. Saímos com a esperança de encontrá-lo vivo, infelizmente não foi esse o final”, desabafou Vilmar Volkmann, comandante dos bombeiros voluntários de Pomerode, que no fim dos trabalhos ressaltou a importância da ajuda das três cidades e resumiu “A união fez esse trabalho dar certo. Foi um marco para os bombeiros voluntários de Santa Catarina”, concluiu Vilmar.
Toda operação reuniu mais de 40 bombeiros voluntários e aconteceu sob o comando de Evandro Vinotti, de Indaial; Vilmar Volkmann, de Pomerode e Gilvionei Dzirukowski, de Guaramirim.

Investigação
A Polícia Civil instaurou inquérito policial e indiciou o piloto, Aureli João dos Santos, por homicídio culposo. Segundo o delegado de Pomerode, Luiz Carlos Gross, o equipamento usado no voo que terminou com a morte de Vitor, já foi entregue pelo piloto e será periciado. Após passar o período de comoção, o delegado pretende ouvir as testemunhas.
O delegado também irá apurar se o piloto tinha licença para a prática de voo duplo e também investigará o embasamento da proibição existente, que impede que menores de 16 anos voem de parapente.
Conforme um dos membros da diretoria do Clube Pomerano de Parapente, Jupiara Postiglione, essa proibição existe e é uma determinação da Federação Catarinense de Voo Livre. Porém, considera impossível que os clubes consigam controlar isso. “As rampas são de acesso livre do público e precisaria uma pessoa fixa para controlar quem pretende voar. Isso é inviável. O clube tem responsabilidade e orienta, mas não dá para controlar”, afirma Jupiara.
Outra informação passada por Jupiara é de que, Aureli João dos Santos, não tinha permissão para fazer voos duplos. “Ele já fez quase todas as etapas para a homologação da licença e só faltava apenas a etapa de voos em condições turbulentas. Experiência de voo ele tinha, mas o problema, e é o que estamos levantando, é qual procedimento de checagem se o passageiro está conectado não foi feito”, disse Jupiara.
O membro da diretoria do clube, disse ainda: “no momento todos os voos duplos estão proibidos e somente após uma reunião com os clubes e a federação que veremos o que será feito. Precisamos definir como iremos fiscalizar a prática”, explicou.
O Jornal de Pomerode fez diversas ligações para o piloto, mas o mesmo não foi encontrado para falar sobre o caso. No dia do acidente, na madrugada de domingo quando retornou das buscas, Joãozinho foi abordado pela reportagem, mas não quis se manifestar.

Despedida
Vitor Hiram Stringali
foi sepultado na manhã de segunda-feira no cemitério Jardim da Saudade em Blumenau. Nas redes sociais da internet os amigos prestaram a última homenagem ao jovem
de 14 anos.
 

Recados de amigos

“Velho me diz que isso é mentira e que não aconteceu mano.
Não pode ser verdade cara, por que sempre um amigo, um irmão?
Velho, te amo cara, e saiba que onde tu estiver, estamos juntos.
A gente te ama”.
(Jonathan)

“A gente te ama cara.Vais fazer muita falta. Eu não acredito que isso aconteceu”. (Ruan)

“Tem aquela velha frase: um irmão nunca vai ser um amigo, mas um amigo sempre será um irmão! Cara tu vai fazer muita falta aqui pra gente meu jovem, posso dizer que os 5 anos que convivi com você no Machado de Assis foram os melhores”. (Lucas)

“Vai com Deus Vitor. A gente vai sentir saudade!”. (Bruna)

“A gente te ama demais! Vais fazer muita falta, mas tu vai ficar pra sempre no nosso coração”. (Jade)

“Vai com Deus Vitor, obrigada por tudo, sentiremos sua falta!” (Vick)
 

O Último Voo – acidente com Parapente

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