À espera de um milagre
Uma em cem mil são as chances que um paciente portador de leucemia tem, para encontrar um doador de medula óssea compatível. Uma em cem mil. Uma probabilidade tão improvável quanto se ganhar na loteria. Para o portador da doença resta, todavia, uma esperança.
Uma em cem mil são as chances que um paciente portador de leucemia tem, para encontrar um doador de medula óssea compatível. Uma em cem mil. Uma probabilidade tão improvável quanto se ganhar na loteria. Para o portador da doença resta, todavia, uma esperança. Uma chama de realizar o sonho de ser uma pessoa saudável, com uma vida normal, sem mais injeções, hospitais, transfuções, infecções ou quimioterapias… uma em cem mil.
Mas a vida reserva surpresas. Foi em um dia comum, na semana passada, que o professor e administrador, Eduardo Lemke, hoje com 33 anos, a mesma idade de cristo quando foi pregado na cruz, recebeu uma notícia inesperada. Possivelmente, ele seria o responsável pelo renascimento de uma pessoa. Foi por meio de um telefonema que uma das enfermeiras do Hemosc avisou Eduardo que ele tinha chances de compatibilidade com um paciente. O professor havia feito o cadastro para doador de medula óssea quatro anos antes, mas ficou surpreso com a constatação do fato. “No primeiro momento fiquei assustado, mas a enfermeira me explicou como seriam os procedimentos com muita calma. Em seguida me senti muito feliz em poder ajudar alguém. Trata-se de uma doença muito séria e encontrar um doador compatível é muito dificil”, diz Eduardo. Ao desligar o telefone, contou para a esposa, que também ficou assustada em um primeiro momento, mas se emocionou em seguida. A notícia se espalhou rapidamente e tão logo, os parentes, amigos, companheiros de trabalho e até mesmo a enfermeira que acompanhou o caso, estavam comovidos e solidários à causa.
Na quarta-feira, 17 de setembro, a primeira etapa foi cumprida. Eduardo foi ao Hemosc fazer a coleta de dois tubos de sangue para os exames iniciais, que o Hemosc chama de 2ª amostra. De acordo com a Responsável pela Captação de Doadores do Hemosc, Thayse Molinari, caso o resultado confirme sinais de compatibilidade, uma 3ª amostra será coletada e analisada para a certificação e só então o paciente entrará em contato com o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea).
A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.
Existe uma outra forma de obtenção das células-tronco da medula óssea, que utiliza uma máquina específica (aférese) para separar do sangue periférico (corrente sanguínea), as células necessárias para o transplante. Neste caso, o doador tem que receber um medicamento antes da doação (fator de crescimento), que estimula a medula óssea a liberar estas células para a corrente sanguínea. Esta técnica só é utilizada em casos específicos, sob decisão médica e com consentimento do doador.
O paciente ainda não é conhecido e pode ser de qualquer lugar do Brasil – Quando a história de Eduardo Lemke se tornou conhecida em Pomerode, algumas pessoas a associaram à campanha de doação de medula óssea realizada em prol do menino Emanuel. Entretanto, trata-se de um coincidência e o paciente que pode ser compatível com Eduardo não foi divulgado por uma questão de segurança, para não gerar espectativas.
A campanha “Ajude o Emanuel a Conseguir um Doador de Medula” segue firme. É importante que as pessoas continuem fazendo o cadastro para tentar encontrar um doador compatível com o garoto.