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Cinema em alta

3 de março de 2011

O cinema brasileiro há tempos está voltando ao patamar criado na saudosa época de Mazzaropi e sua turma. Bons tempos para o cinema nacional, que desde aquele tempo vivia em uma queda que, aparentemente, o faria sucumbir. Sim, teve-se alguns respiros, reanimações como se denomina, por exemplo, no ressurgimento do cinema nacional, com o sucesso “Central do Brasil”. Mas relembre, após este, foram outros anos de incertezas de um futuro outra vez brilhante. É fato que o filme estrelado por Fernanda Montenegro reascendeu as esperanças de um cinema de qualidade, que pode concorrer ao Oscar e demais pompas hollywoodianas, só que ao mesmo tempo, faltavam incentivos para produções que caíssem na graça nacional. Filmes brasileiros que não encantam brasileiros podem estar com os dias contados. Há mais ou menos cinco anos, o cinema verde amarelo começa a retomar suas rédeas e brilhar aqui mesmo, antes de conquistar prêmios lá fora.
Cita-se dois exemplos dos anos de 2010 e 2011. Campeão disparado de bilheteria, “Tropa de Elite 2” não foi só uma superprodução cinematográfica. Gostou-se tanto da ideia de um filme retratando uma ‘realidade falsa’ mas que, aparentemente, é tão verdadeira, que o longa não teve como não dar certo. Política, corrupção, máfia, tráfico, emoção. Tudo o que gera polêmica na nossa vida real, foi transportado de maneira fictícia, e porque não dizer muito real, para as telonas. O povo se encantou por uma forma de abrir os olhos que agora foi diferente de críticas escritas em papel e que não atingiam metade da cidade, quiçá desse país. O Capitão Nascimento e tantos outros mais encheram os olhos de orgulho para um país que aprende a pensar diferente, e consegue fazer, com que outros enxerguem o que está diante dos nossos olhos. A salvação, proposta pelo personagem de Wagner Moura é o sonho nacional de que um Capitão Nascimento surja, nasça de uma esperança que não morre nunca por cá. E talvez, tenha sido este o principal argumento que levou os brasileiros a irem tantas vezes ao cinema prestigiar essa obra mais brazuca dos últimos tempos.
Em 2011, começamos com a realidade da prostituição nacional. “Bruna Surfistinha” já foi sucesso de bilheteria nos livros, mas agora, dirigida por Marcus Baldini, encanta o restante da população que tinha vergonha de encarar esse tema, polêmico, à altura de uma crítica que ultimamente ganha discussões de mesas de bar. Só na primeira semana, 400.412 expectadores, a 2ª melhor marca do ano em todas as estreias. Não é sinal que brasileiro gosta de pouca-vergonha, como alguns poderiam intitular, já que o filme conta como se faz a prostituição. Este é um sinal que o país cresce intelectualmente, e exige, de forma geral, que os filmes sejam críticos como estamos nos tornando. Retratar apenas a libertinagem, já foi muitas vezes o carro-chefe do cinema nacional, mas agora entramos em um ponto distinto, onde o que se deseja é mostrar a realidade aos olhos de quem não a quer ver. O longa conta a história real de uma garota de programa, denominada Rachel Pacheco, que vivia na classe média até transformar-se em prostituta. Ela, ao longo do filme/livro, relata as dificuldades e os interesses encontrados em cada trabalho. É para pensar que nem tudo é como parece ser.
Entre as maiores aberturas do cinema nacional desde a retomada, “Bruna Surfistinha” aparece em sétimo lugar. E sabe quem lidera este posto? “Tropa de Elite 2”, de José Padilha, que alcançou público de 1.309.324 em sua estreia, com exibição em 703 salas.
E que o cinema ganhe forças e retorne aos grandes nomes, e que este não seja apenas mais um suspiro de algo que tenta reviver, mas por falta de incentivo da própria população, que prefere assistir a dramas internacionais – pelo simples fato de serem internacionais – e que se recusam – por preconceito – a prestigiarem as obras nacionais, renasça e governe por muitos e muitos anos. Cinema é cultura, é forma, é expressão.
 

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