Música como conteúdo curricular
“Tchu-tchu-á, tchu-tchu-á é uma dança tropical”, cantando em círculos, instruídos por duas professoras, alunos do C.E.I.M. Rosa Borck têm inserido em suas rotinas, a prática musical de forma divertida. No ano de 2011 todas as escolas públicas e privadas do Brasil terão que incluir o ensino de música em sua…
“Tchu-tchu-á, tchu-tchu-á é uma dança tropical”, cantando em círculos, instruídos por duas professoras, alunos do C.E.I.M. Rosa Borck têm inserido em suas rotinas, a prática musical de forma divertida.
No ano de 2011 todas as escolas públicas e privadas do Brasil terão que incluir o ensino de música em sua grade curricular. A exigência surgiu com a lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. Mas a mudança legislativa não assustou a Secretaria Municipal de Educação e Formação Empreendedora (SED), que encara a obrigatoriedade como o aperfeiçoamento de um trabalho que já vem sendo desenvolvido.
Buscando se adequar a exigência e formalizar o que já vem sendo praticado, a SED realizou uma reunião, na sexta-feira (18/02), com professores da disciplina de Artes, do 1º ao 9º Ano do Ensino Fundamental. O encontro teve como meta discutir orientações metodológicas para a inclusão de conteúdos que abordem a música no contexto escolar.
Como a lei não especifica a necessidade de criação de uma disciplina de Música, a oferta pode estar inserida em diferentes aulas. As escolas devem intensificar os trabalhos já produzidos em sala de aula, principalmente aulas de Artes. A abordagem, que deverá incluir a contextualização histórica, o fazer artístico e a apreciação da música, deve conceber a música como um produto cultural dos diferentes povos, sempre associado ao cenário sócio-histórico vivido por um grupo de pessoas.
O presidente de honra da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM) Prof. Dr. Sérgio Figueiredo, explica que a música ficou legada a um dom especial, “na verdade quando aprendemos as outras disciplinas, como português, matemática, história, ninguém avalia se temos um dom especial para frequentar a disciplina. Assim deverá ser com a música”.
Em Pomerode, exigência já é realidade
Diversas escolas e centros de educação infantil de Pomerode já adotaram, por iniciativa própria, a música em sala de aula. A redação do Jornal de Pomerode foi até o C.E.I.M. Rosa Borck e acompanhou de perto uma destas divertidas aulas que associam a musicalização a rotina das crianças.
A diretora Betina Behling reuniu as professoras Carmen Schuldt Volz, Jerusa K. Pivatto e Deiseléia N. Resner para que elas pudessem explicar melhor como funciona a prática. Para a professora Carmen, existem duas situações, o canto e a instrumentalização, sendo uma distinta da outra, podendo ser trabalhadas em parceria. “As canções já fazem parte do dia a dia dos alunos. Trabalhamos em sala de aula em espaços, ou seja, não atingimos todo o grupo simultaneamente. A criança escolhe o instrumento que quer tocar e se não tiver interesse, participa cantando, brincando. Tem que ser algo gostoso, leve, sem imposição. Elas têm acesso ao xilofone, pau-de-chuva, reco-reco, pandeiro, flauta, atabaque, entre outros instrumentos”, explica Carmen.
A professora Jerusa complementa que percebe a musicalização como um auxílio fundamental para o aprendizado dos alunos. “Muitas vezes um professor não tem intimidade com instrumentos musicais, mas nem por isso, como no meu caso, deixamos de incentivar a prática. Quanto professoras, auxiliamos umas as outras e vamos superando obstáculos em prol do bem-estar de nossos alunos e do aprendizado dos mesmos”.
Questionadas se algum aluno havia manifestado a vocação para a área, Carmen é enfática. “Sim, isso aconteceu com meu filho, o Gabriel, que tem cinco anos”, Deiseléia complementa: “Não trabalhamos conteúdos, mas conceitos. Eles ampliam o repertório, o universo cultural, o vocabulário. Tinha alunos em minha sala extremamente tímidos, que mal falavam, mas que no momento do aprendizado musical se soltavam, interagiam, deixavam de ser retraídos. Outro fato interessante é que utilizamos material alternativo para eles extraírem sons”.
Com a palavra, os personagens principais do processo
Sara e Gabriela se divertem com as aulas. “Adoramos música. Tocamos todos os instrumentos e aprendemos as letras e coreografias direitinho. “Meu pai vai me comprar um violão.Cantamos em alemão, em inglês e até em africano”, divertem-se após a coreografia do ‘Tchu-tchu-á, tchu-tchu-á é uma dança tropical’.
Parâmetros Curriculares Nacionais
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, na creche e na pré-escola, a criança precisa ser orientada a: – Produzir sons com a voz, o corpo, o entorno e com materiais diversos, – Organizar sons e silêncios em linguagem musical, – Interpretar músicas e canções de diversas culturas e épocas, – Participar de jogos e brincadeiras musicais.
O aluno de 1ª a 8ª série precisa aprender a: – Ter contato com a linguagem musical, – Utilizar e elaborar anotações musicais, convencionais ou não experimentar, selecionar e utilizar instrumentos, materiais sonoros, equipamentos e tecnologias disponíveis, – Traduzir realidades interiores e emocionais por meio da música, – Improvisar e criar peças musicais, utilizando os elementos dessa linguagem (som, duração, timbre, textura, dinâmica, forma, etc.), – Criar instrumentos com diversos materiais sonoros, assim como usar o canto e o corpo para produzir sons, – Combinar a criação musical com outras linguagens (trilha sonora para cinema, publicidade e jogos eletrônicos, para dançar e celebrar), – Conhecer a riqueza e profusão de ritmos do Brasil e do mundo em diversas épocas, – Incentivar as crianças e os jovens a participar ativamente como ouvintes, intérpretes, compositores e improvisadores, dentro e fora da sala de aula, em shows, festivais e demais eventos musicais promovidos pela comunidade, – Interpretar e apreciar músicas de seu ambiente cultural, nacionais e internacionais, – Saber analisar os usos e as funções da música no cotidiano. Pesquisar e discutir a origem e a transformação dos diferentes estilos musicais, principalmente da música brasileira.