Geral

Dormir demais não é preguiça, afirmam cientistas

É comum, quando as aulas retornam, adolescentes ficarem mais sonolentos durante o restante do dia. Quando essa sonolência não acontece somente após a mudança de rotina, muitos afirmam ser apenas preguiça, mas cientistas relatam ser um distúrbio, denominado “distúrbio do sono atrasado”. Esse foi um dos temas do 6º Congresso…

4 de fevereiro de 2011

É comum, quando as aulas retornam, adolescentes ficarem mais sonolentos durante o restante do dia. Quando essa sonolência não acontece somente após a mudança de rotina, muitos afirmam ser apenas preguiça, mas cientistas relatam ser um distúrbio, denominado “distúrbio do sono atrasado”.
Esse foi um dos temas do 6º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu recentemente em Gramado, Rio Grande do Sul.
Para os especialistas, o organismo humano tem um ciclo diário, de modo que os níveis hormonais e a temperatura do corpo se alteram ao longo do dia e da noite. Depois do almoço, por exemplo, o corpo trabalha para fazer a digestão e, consequentemente, a temperatura sobe, o que pode causar sonolência.
Quando dormimos, a temperatura do corpo diminui e começamos a produzir hormônios de crescimento. Se dormirmos durante a noite, no escuro, produzimos também um hormônio específico chamado melatonina, responsável por comandar o ciclo do sono e fazer com que sua qualidade seja melhor, que seja mais profundo.
Pessoas vespertinas, que têm o hábito de ir para a cama durante a madrugada e dormir até o meio dia, por exemplo, só irão começar a produzir seus hormônios por volta das cinco da manhã. Isso fará com que tenham dificuldade de ir para a cama mais cedo no outro dia e, portanto, facilidade para acordar mais cedo. É um hábito que só tende a piorar, porque a pessoa vai procurar fazer suas atividades durante o final da tarde e a noite, quando tem mais energia.
A questão, na verdade, é que o vespertino não se encaixa na rotina que a sociedade considera normal. E o problema já surge na infância, sendo percebido principalmente quando a criança prefere estudar durante a tarde e não consegue praticar muitas atividades de manhã. Na adolescência, a doença é acentuada, uma vez que os jovens tendem a sair à noite e dormir até tarde com mais frequência.
A característica vira um problema quando persiste na fase adulta. Os estudos apontam que aproximadamente e 5% da população sofre do transtorno da fase atrasada do sono em diferentes graus e apenas uma pequena parcela acaba se adaptando à rotina contemporânea.
O tratamento não envolve apenas remédios indutores do sono, como se fosse uma insônia comum. É necessária uma terapia comportamental complexa, numa tentativa de mudar o hábito, procurando antecipar o horário do sono. Envolve estímulo de luz, atividades físicas durante a manhã e principalmente um trabalho de reeducação.
 

Notícias relacionadas