O Quebra-Nozes
Ele está presente em diferentes tamanhos e caricaturas. Fabricado em 130 etapas em diferentes tipos de madeira. Corpo, Braços, pernas são torneados. Pés e nariz são esculpidos a partir de um cubo de madeira. Por fim a boca é fresada. A alavanca, que quebra a noz, é serrada e presa…
Ele está presente em diferentes tamanhos e caricaturas. Fabricado em 130 etapas em diferentes tipos de madeira. Corpo, Braços, pernas são torneados. Pés e nariz são esculpidos a partir de um cubo de madeira. Por fim a boca é fresada. A alavanca, que quebra a noz, é serrada e presa com uma cavilha. Braços, pernas e outras partes são coladas. Suas cores são sempre vibrantes, uma das características do quebra-nozes. Por fim, são colados pedaços de lã ou pele de coelho formando cabelo e barba.
Surgimento
Aproximadamente 400 anos atrás, tinha-se a intenção de fazer alguma ferramenta que facilitasse a retirada da noz. Ainda é tradição entre alguns povos, quebrar a casca da noz com os dentes. Não há provas de que esse foi o objetivo para que se chegasse ao Quebra-Nozes tradicional. Tem-se apenas a comprovação de que no ano de 1650, em Berchtesgaden na Alemanha, foi fabricada a primeira figura de um ?mordedor de nozes? e no ano de 1735, na cidade de Sonneberg. Nessa época, o instrumento que haviam fabricado para quebrar as nozes, consistia numa réplica de figura humana que amassava as cascas das nozes com a boca.
Depois de Berchtesgaden e Sonneberg, surgiram outras versões em diferentes regiões da Alemanha onde a escultura, a tornearia e a produção de brinquedos em madeira eram mais comuns. Cópias destes quebra-nozes já eram tradição entre os produtos dessa região como também nas cidades de Grödner Tal, Rhön, Oberammergau como também em Erzgebirge, conhecida como ?Montanha de Minério?.
Antes do Quebra-nozes ter essa fisionomia que conhecemos hoje e ser o personagem principal do artesanato popular da região de Erzgebirge, na Alemanha; ele era tido como uma forma de expressão que simbolizava a aversão do povo para com seus superiores. Isso explica sua caricatura não simpática.
Em Erzgebirge, foi oferecido ao povo em 1745 o ?Quebra-Nozes de parafuso? na Feira de Rua de Dresden. Em 1804 foi mencionado como ?utensílio proveitoso?. Até 1850, o quebra-nozes original de Erzgebirge era ilustrado apenas em livros ou constava nas listas de preço.
Sua fabricação em massa foi a partir da segunda metade do século 19. Sua ascensão deu-se em curto tempo até tornar-se o principal e mais importante personagem do artesanato popular de Erzgebirge.
Acredita-se que o aumento da popularidade do quebra-nozes veio a partir do momento em que a burguesia passou a ter como objetivo a família e as crianças e, com isso, a festividade do Natal passou a ter a conotação de ?festa da família?, sendo o Quebra Nozes a partir daí, oferecido como presente para as crianças. Outro motivo dessa popularidade é que o quebra-nozes apareceu como personagem principal nos contos de fadas e na literatura infantil da época. Assim as crianças encantavam-se com um boneco quebra-nozes feito de madeira, o mesmo das histórias que liam.
Em 1816 é que o quebra-nozes realmente entra na literatura com o autor E.T.A. Hoffmann (1776-1822) em seu conto ?O Quebra-nozes e o Rei Rato?, um dos melhores contos da literatura romântica alemã através da poesia. Mais tarde, o autor natural de Frankfurt, o médico Dr. Heinrich Hoffmann (1809-1894) ficou conhecido através do seu conto ?Rei Quebra-nozes e o pobre Reinoldo? que conta a vida de um menino pobre e adoentado que vivia com a mãe. Numa noite, durante um sonho, um anjo leva-o para um mundo cheio de fantasia e brinquedos onde o pobre Reinoldo faz muitos amigos, dentre eles o Rei Quebra-Nozes. O mesmo anjo traz o menino de volta a sua casa e, ao acordar pela manhã, percebe que está totalmente curado, e na sala da sua casa há uma linda e iluminada árvore de Natal além de muitos brinquedos, como casas, árvores, cavalos, soldados e, inclusive o Rei Quebra-Nozes.
Atualmente existem cerca de 40 colecionadores particulares de quebra-nozes em toda Alemanha. Em Erzgebirge está o maior deles, o Sr. Jürgen Löschner em Neuhausen, cidade vizinha a Seiffen. Ele coleciona desde 1966. Em 1986 ele organizou uma exposição com seus 800 quebra-nozes para o público. Em 1994 sua coleção somou 2000 exemplares e por isso, fundou o único ?Museu do Quebra-Nozes? da Europa.
A paixão por colecionar quebra-nozes deu-se também nos Estados Unidos onde há clubes organizados com mais de 15.000 integrantes. Erzgebirge produz 75 diferentes modelos de quebra-nozes dos quais 22 deles para o mercado americano.
Como se fazer um Quebra-Nozes
Primeiro se utiliza o machado para realizar o pré-forqueamento para tirar a tortura e as irregularidades da madeira. O segundo passo é colocar no torno para modelar. Depois é feito a parte da montagem (pé, cabeça e detalhes). O boneco é composto de até sete peças para montar, com cavilhas ou torno de madeira (espécie de pino). Depois de torneados, eles são todos pintados a mão.
Ao todo, são 30 quebra nozes, que medem 1,80 metros de altura, reformados e distribuídos pela cidade, dentre pontos turísticos e estabelecimentos comerciais. São maquinistas, reis e guardiões.