Coluna do Mani
Por Mani Goede
E lá se vai 2010…
Vários foram os fatos que marcaram o mundo em 2010. Uns polêmicos, outros que levaram milhões às lágrimas, tivemos ainda os que surpreenderam e os que já eram surpreendentemente previsíveis. Convido aos leitores desta coluna a um passeio pelo passado, não necessariamente feito seguindo a cronologia com que aconteceram, mas sim, como surgiram no momento da criação e desenvolvimento deste texto.
Não podemos falar em 2010 sem falar em Copa do Mundo, a Copa da África. Méritos à seleção da Espanha e ao título conquistado consagrando-se a campeã mundial pela primeira vez. Tivemos que engolir goela a baixo o argentino Maradona e suas provocações que só perdiam para a modelo Larissa Riquelme, que escondendo o celular em seus seios, chamava a atenção das câmeras que divulgavam tais imagens para os quatro cantos do mundo, mas que depois de tanto alvoroço, só chamam a atenção ainda no Brasil. E as vuvuzelas? Ensurdecedoras e inigualáveis. Como pode um objeto deste de plástico, nada complexo, ter feito tanto sucesso assim? Mick Jagger foi intitulado como pé frio, o polvo Paul como vidente, Dunga como burro e carrancudo, que não quis levar os ?meninos joias? para a competição. Legal mesmo foi escutar meninos de várias partes do continente, com diferentes sotaques, pronunciar ?Jabulani?, nome da bola oficial do evento esportivo.
Saindo do esporte e indo para a ciência, fecho os olhos e lembro a história comovente do homem que foi submetido a um transplante de rosto, após ter ficado desfigurado em decorrência de um acidente. Em junho deste ano a NASA confirmou o que muitos já especulavam através das mais incríveis teorias, fundamentadas ou totalmente infundadas, é possível sim, ou pelo menos já foi, a existência de vida em Marte. A ciência deu dez passos à frente quando iniciou uma série de testes clínicos com células-tronco embrionárias. Teve até avião movido a energia solar decolando pela primeira vez em 2010.
Da ciência para a política. Assunto polêmico, especialmente para os brasileiros que elegeram pela primeira vez na história uma mulher como presidente, ou presidenta, assim como ela ainda decidirá. Dilma Rousseff comandará o país sem jamais ter disputado um cargo eletivo antes. Antes disso, ainda nos bastidores do pleito, debates ofensivos eram travados entre os candidatos, na pauta, aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, dívida externa, tópicos lançados para ver quem tinha o melhor jogo de cintura. Destaque para Marina Silva e seus 20 milhões de votos. Foi ela a grande responsável para que as eleições deste ano fossem decididas no segundo turno. Sem adentrar no assunto, pasmem, tivemos com deputado eleito, o palhaço Tiririca e sua polêmica alfabetização. Mas fomos poupados, em contrapartida, da Mulher Pera, dos irmãos KLB e do Netinho (Negritude Junior). Falando em verdadeiras ?figuras? políticas, quem não deu boas risadas com o vovô Plínio de Arruda e sua irreverência nos debates? Foram registradas ainda importantes inovações como a aplicabilidade da Ficha Limpa, estranhamente lançada em ano eleitoral.
O último ano também foi marcado por muita crueldade. Notícias que chocaram a sociedade tamanha brutalidade. Foi desaparecimento e suposta morte da amante do goleiro Bruno, do Flamengo. Mais de 220 mil pessoas morreram com o terremoto do Haiti. Em pleno ano novo, Angra dos Reis, conhecido paraíso tropical brasileiro, ficou conhecido internacionalmente pelas mortes registradas em decorrência de um soterramento. E a promotora que torturava sua filha adotiva? E a chacina do Chile? E a francesa que matou seus oito filhos e os enterrou no quintal de sua casa? E o cartunista Glauco assassinado juntamente com seu filho? O ponto máximo foi a guerra urbana do Rio de Janeiro, o grito de basta de uma sociedade que clama pelo final da impunidade, dos crimes gerados em volta do cenário do narcotráfico. Foi emocionante ver o medo estampado no rosto dos criminosos capturados pela polícia. Homens estes, que ostentavam seus modernos armamentos e se consideravam além da justiça dos homens.
O mundo parou para acompanhar o resgate dos mineiros chilenos. A luta pela sobrevivência destes homens foi um exemplo internacional, foi impossível não se comover quando a capsula retirou do túnel o primeiro sobrevivente, o segundo, o terceiro, e mesmo o último.
No cenário musical, a invasão dos coloridos abalou o rock nacional. Amantes da boa música torcem o nariz para Restart, Cine, Fiuk, e tantos outros nomes dentro de calças apertadas, coloridas e com óculos estranhos. Nariz virado para a música, empinado para o cinema. O sucesso de bilheteria: ?Tropa de Elite 2, o Inimigo agora é outro? fez aclamar o espírito de que somos brasileiros com orgulho, apesar de tantos outros apesares. O filme lutou contra a pirataria e conseguiu, a princípio, reativar os tempos de glória do Cinema Nacional, que andava em crise.
2010 certamente foi um ano inesquecível. Fatos que ficarão nos livros, ou melhor, nos sites de buscas como um ano altamente marcante. E quando ele se findar, nós daremos boas vindas a 2011, e nesse ciclo, continuaremos fazendo da história, um ponto sem final.