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Coluna do Mani

Por Mani Goede

8 de dezembro de 2010

Então, é Natal!
Existem alguns assuntos que não temos como deixar de comentar, principalmente com a proximidade do final de mais um ano. A lista é longa, mas no topo da mesma, está, impreterivelmente, o Natal.
O movimento no comércio aumenta, as pessoas ficam alvoroçadas. A correria pelas ruas da cidade revela a pressa em conseguir comprar um presente, ou uma simples lembrancinha para os amigos, parentes e colegas de serviço.
Os mais providos financeiramente dão início aos preparativos para a ceia: panetone, champanhe, peru, frutas, enfim, uma série de produtos típicos da época. Mesmo nos lares mais modestos e humildes a presença do Natal pode ser constatada nas especiais comemorações, no sorriso das crianças que se contentam com uma simples bala como presente, isso quando é possível para seus pais comprem a mesma. Um simples brinquedo usado, doado por alguém ou alguma instituição já representa a realização de um sonho. Revela a lembrança do bom velinho em relação àqueles que são tantas vezes esquecidos pela sociedade e suas políticas (nada) sociais.
Natal é tempo de voltar a ser criança. Não tem quem não durma ansioso na véspera para que no dia seguinte possa, juntamente a sua família, começar a preparar os últimos detalhes para o grande momento. Mas, pensamos no meio dessa correria toda no que é o Natal verdadeiramente? Tem aqueles que fazem uma análise mais capitalista e acreditam que o Natal é um período do ano em que as pessoas acabam gastando mais, consumindo desenfreadamente, adquirindo presentes e artigos característicos data, contraindo dívidas para o restante do ano seguinte.
Conforme os dicionaristas, Natal é definido como um adjetivo que diz respeito ao dia do nascimento. É também um substantivo, dia em que se comemora o nascimento de Cristo. É este o verdadeiro conceito que devemos nos ater. Poucos são aqueles que comemoram de verdade o nascimento de Cristo, que relembram as dores do parto de sua mãe, que somente na presença de seu marido, num estábulo instalado no meio do nada, sob o testemunho de alguns animais, deu sentido a uma humanidade inteira, concebendo o verdadeiro pilar do ser humano e de todas as manifestações e formas provenientes da natureza. Vindo do reino dos Céus, Ele nos deu uma lição de que é sim possível ter esperança nos corações dos ?homens de boa vontade?.
Vamos comemorar neste ano o nascimento do menino Jesus, vamos fazer uma verdadeira festa de aniversário. Vamos orar, em silêncio ou em voz alta, sozinhos ou de mãos dadas com os nossos familiares. Vamos agradecer o que temos e pedir um futuro melhor para aqueles que nada têm, a não ser a esperança, que duas melhores virão. Façamos uma grande ou simbólica festa, mas que não esqueçamos, de forma alguma, de chamar o principal convidado, o aniversariante!

Uma história impactante
Li nesta semana uma história real, publicada em um blog de autor nacionalmente renomado, que relatava um acontecimento registrado há alguns anos. Gostaria de compartilhar com os leitores desta coluna, através das minhas palavras e interpretação.
Em uma época muito dura, um homem, o qual chamarei de João, andava solitário pelas ruas da cidade, na época de Natal. João estava lotado de uma solidão quase real, como se fosse uma presença praticamente palpável. Colocou as mãos em seus bolsos da calça e apalpou o único dinheiro que tinha, uma nota de R$ 20,00. Esse era o seu único tesouro, toda sua fortuna, o que restou de seu salário após pagar algumas contas. Em sua casa humilde, longe de onde ele estava, um bairro elitizado, o frango e o vinho barato já haviam sido comprados. Seria esta a sua ceia, diga-se de passagem, algo muito mais especial do que as refeições características de seus dias.
Mesmo com tantos problemas, com tamanhas preocupações que pareciam ecoar em seu interior como um tambor frenético de escola de samba, João ainda acreditava em um mundo melhor, ainda ficava esperançoso com a chegada de mais um Natal. Seguindo sua caminhada, João contemplava as casas e edifícios gigantescos, decorados com luzes natalinas de um colorido indescritível, luzes que piscavam sem parar. As árvores dos jardins destas propriedades também eram decoradas com lâmpadas, pareciam estrelas na terra, brilhando e abençoando o sonho de toda a nação.
Pessoas cantarolavam músicas natalinas. De um lugar o qual ele não conseguiu identificar era possível escutar ?Noite Feliz?: uma música composta por belas palavras de amor e paz. João avistou no topo de um prédio uma área escura e percebeu o desenho de uma gigantesca estrela, sobre um grande letreiro. As lâmpadas estavam apagadas, contrastando com o colorido que revelava pelas janelas parte do interior dos apartamentos. João parou sua caminhada e dividiu seu olhar entre o topo do prédio e a portaria do mesmo, onde via uma mulher franzina, vestida com trapos, sentada na calçada fria, com uma criança no colo, como se fosse uma pequena trouxa viva. Pensou como a miséria é dolorosa.
Neste exato momento um carro que entraria na garagem do prédio é abordado pelo braço estendido daquela mãe, que suplicava por uma esmola. O vidro da janela do veículo não se moveu, seguiu fechado. A mãe recolheu seu braço e sua esperança. Surge o porteiro do prédio, que certamente foi chamado pelo motorista daquele carro ou outro qualquer, que se sentira incomodado com a presença daquela imagem de pobreza. Ele, por ser o seu trabalho ou por igualmente não gostar daquela situação, enxotou a mãe e seu filho, da mesma forma com que se espanta um inseto que insiste em perturbar com zunidos nossos ouvidos.
O porteiro se calou quando João se aproximou. Segurou aquela mãe pelo cotovelo e ajudou para que ela pudesse se levantar. Conduziu-a para pudesse atravessar a rua. Aquela mãe tinha um andar inconstante, que revelavam toda a fome e desgaste físico que ela sentia. Ela tinha um olhar descrente, seu rosto estava sujo e seus olhos cheios de lágrima. Seu coração deveria estar mais vazio que seu estomago. João olhava para a mãe pois não se sentia encorajado o suficiente para contemplar aquele pequeno ser que estava em seus braços. Em um impulso, colocou a mão em seu bolso e pegou com orgulho a nota de R$ 20,00, entregando aquela mãe. A surpresa e a alegria surgiram em seus olhares.
Ela entregou a criança a João enquanto procurava guardar a inesperada fortuna no bolso do vestido rasgado. João segurou o pequenino contra seu peito. Olhou para o topo do prédio, agora iluminado por uma enorme estrela, completamente acesa, brilhando sobre o letreiro: Feliz Natal!

Que todos tenhamos um pouco de João
Convido você leitor (certamente farei o mesmo), que neste Natal siga o exemplo de João e que divida o pouco que tenha com aqueles que nada ou pouco tem. Que saibamos olhar o nosso próximo. Que esqueçamos quantos, atualmente estão em melhores condições financeiras que nós, e que tenhamos a humildade e hombridade para enxergarmos o que está atrás de nossos ombros, milhões de pessoas em situações de risco, que vivem na mais absoluta miséria.
Que sejamos um pouco ?João? e que se Deus nos permitir, façamos várias pessoas como aquela ?mãe?, um pouco mais feliz, tornando-as mais esperançosas.

Calendário de eventos
No dia 12/12 (domingo), haverá puxada no município vizinho, Doutor Pedrinho. O evento promete reunir um expressivo público. Para os adoradores da modalidade que auxilia na preservação dos costumes e tradições de nossos antepassados germânicos, uma ótima oportunidade para prestigiar.

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