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A vez do Surf amador

As ondas de Balneário Camboriú foram um prato cheio para que surfistas mostrassem o melhor de si durante o Billabong Brasileiro de Surf.

29 de novembro de 2010

Amador só no nome. A Praia Central de Balneário Camboriú foi palco para um show de surf, envolvendo atletas de todo país. A quarta e última etapa do ?Billabong Brasileiro de Surf?, realizada dos dias 07 a 09 de outubro, é válida pelo Circuito Brasileiro de Surf Amador 2010 e define, nesta etapa, os campeões da temporada deste ano.
As disputas foram individuais e por equipe. E para aqueles que quiseram assistir uma competição acirrada, não tiveram do que se queixar. A anfitriã Santa Catarina, ficou em segundo lugar, perdendo para São Paulo, na categoria por equipe. Paraíba e Rio de Janeiro conquistaram o terceiro e quarto lugares, respectivamente.
Na categoria Open masculina, uma surpresa anunciada. O experiente surfista de Balneário Camboriú, Adriano José Nozekowsli, mais conhecido como Adriano Trinca Ferro, titular da vaga nesta categoria, garantiu vitória dupla, para si e o Estado, na que foi a última final do nacional Billabong CBS, em 2010.


Ganhando em casa

Trinca Ferro não nega. Ganhar em casa, tem outro gostinho. ?O Campeonato Brasileiro estava no quintal da minha casa, onde treino todo dia, a responsabilidade fica bem maior. O sonho de todo surfista dessa categoria é ganhar um brasileiro. Ganhar um brasileiro na tua onda, onde estão teus melhores amigos te assistindo foi uma sensação única. Foi o melhor campeonato que eu disputei na minha vida, sem sombra de dúvidas?, comenta.
Grande parte compete no circuito amador até a categoria Júnior para aí partir para a categoria profissional. Mas Trinca Ferro não tem pressa. Embora participe de competições há 12 anos e tenha bagagem de sobra, ainda prefere ficar no surf amador. O motivo: fortalecer o nome. ?Muitos atletas preferem competir primeiro no circuito amador, para não chegar num circuito profissional de forma apagada. Geralmente os juízes que estão presentes nos campeonatos amadores estão nos profissionais, então este caminho permite que você fique conhecido e fortaleça teu nome. Claro que poderia fazer isso em menos tempo, mas também tive outros projetos, além das competições?, comenta.
Quando foi convidado para participar, Trinca Ferro sabia que uma das maiores dificuldades seria enfrentar os surfistas nordestinos, pois o mar naquela região também possui ondas pequenas, como Balneário Camboriú. E o surfista sabia que ia enfrentar adversários de peso, mesmo tendo facilidade em surfar em ondas pequenas. O fator decisivo na hora da vitória foi a própria experiência. ?A faixa etária dos competidores era até 24 anos e eu já tenho 29, então usei a tática da experiência, para escolher as melhores ondas. Santa Catarina estava contando 100% comigo, então sabia da responsabilidade?, explica.

Surf amador em SC
Hoje o surf amador, é uma preparação para entrar no circuito profissional. Para Trinca Ferro, este é o momento do surfista saber o que realmente quer e se ele está preparado para ir adiante. ?Santa Catarina é um dos circuitos mais fortes do país, muitos vêm de fora surfar no Estado. Então aquele que consegue um título brasileiro amador, ainda mais aqui em SC, está bem preparado para enfrentar o circuito profissional?, ressalta.
Falar de projeto para o futuro não é difícil. Em virtude dos seus 29 anos Trinca Ferro, que ainda não partiu para a categoria profissional, afirma que este é um caminho que talvez não se concretize. ?Hoje, você se manter somente do circuito profissional, o atleta tem que viver exclusivamente para isso. No meu caso, tenho outros projetos paralelos, que incluem uma empresa e a escolinha de surf. Mas mesmo assim, a competição está no sangue?, comenta.
E por falar em competição, Trinca Ferro quer entrar 2011 com tudo. ?Quem sabe eu me profissionalize, para ver até onde consigo chegar, mas sem deixar de lado meus projetos pessoais?, comenta.
A principal dificuldade hoje, não só para o surfista, como para qualquer atleta, é o patrocínio. ?Você precisa de pessoas que te dêem toda a estrutura para que você consiga chegar em boas condições num campeonato e buscar os resultados. Falta uma empresa investir e acreditar. É complicado para o atleta bancar tudo do próprio bolso?, ressalta.
Para Trinca Ferro, o problema do patrocínio não ocorre devido à concorrência com outros esportes. ?O surf já se consolidou e hoje está mais que provado que é uma profissão como qualquer outra. A gente já conquistou nosso espaço. Virou uma tendência até de moda. Mas claro que, antigamente, já teve mais preconceito?, comenta.
Mas afinal, é melhor surfar em onda grande ou pequena? Trinca Ferro garante: é muito mais difícil surfar em onda pequena (até meio metro). ?Para surfar em onda pequena o preparo físico tem que estar muito bom, o atleta se mexe mais, tem mais técnica. Antes de executar qualquer manobra, é necessário atingir velocidade. Na onda grande não. O surfista sai com velocidade e só vem desenhando a onda, então precisa ser mais leve?, ressalta.
O surfista que surfa bem onda grande dificilmente surfará bem onda pequena. ?Ele está acostumado a surfar com um tipo de prancha. A dificuldade é muito maior que o caminho inverso. É só ter cuidado para não se mexer muito e começar a colocar mais pressão na manobra?, comenta.
Há muita opção para treinamento. ?Fora do verão, sempre dou um jeito de viajar para poder surfar ondas um pouco maiores?, comenta.
Para 2011, as ondas do estado com certeza vão reservar as melhores emoções para os surfistas brasileiros. E que venha o próximo campeonato!
 

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