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A brilhante tacada

Os 32 melhores atletas do Estado mostraram técnica e concentração durante a terceira etapa do Catarinense de Sinuca.

29 de novembro de 2010

Quem viveu a década de 80 deve se recordar muito bem do Show do Esporte, exibido na Rede Bandeirantes. Luciano do Valle semanalmente fazia questão de transmitir os jogos de um esporte encantador. Com certeza, há quem pense que estamos falando de futebol, ou outro esporte popular, mas não. A TV descobrira o mundo das tacadas e através da sua principal figura, Rui Chapéu, mostrava que a sinuca estava longe de ser um esporte de bar, mas sim, uma modalidade que exige técnica, seriedade e muito treino.
A década de 80 passou, as transmissões encerraram e a sinuca saiu dos holofotes. Embora não seja popular, ela continua acontecendo em todo Brasil e possui uma gama de atletas que dão um show a cada tacada.
Mas para ver um bom atleta de sinuca, não precisamos ir muito longe. Nos dias 15 e 16 de outubro, o Clube Atiradores, em Itajaí, reuniu os 32 melhores atletas de sinuca do Estado. Através da Federação de Sinuca e Bilhar do Estado de Santa Catarina, ocorreu a terceira etapa do Campeonato Catarinense da Sinuca, que foi decisiva para definir o campeão catarinense da categoria e seguir rumo à disputa do Brasileiro, no próximo ano.
Durante as três etapas ocorridas em 2010, participaram 70 atletas dos municípios de Criciúma, Florianópolis, São José, Rio do Sul, Blumenau, Itajaí, Joinville, Penha e também Pomerode, que teve uma participação nas primeiras rodadas apenas.

A cara da sinuca no Estado
Caro. Fechado. Elitizado. As características da modalidade são várias e até assustam num primeiro momento, servindo inclusive como justificativa para a pouca aderência. Porém, aqueles que realmente mergulham no mundo do snooker, percebem um ambiente de técnica e precisão.
Para quem nunca acompanhou um campeonato de sinuca, quando o faz pela primeira vez, se surpreende. São cinco a seis mesas, uma ao lado da outra e em volta, atletas que em meio à seriedade e bom humor, se concentram ao máximo para acertar o alvo. Mais surpreso ainda, quando percebe que a maioria deles é da categoria sênior, com mais de 50 anos.
Cada jogo dura, em média, uma hora e quando iniciam simultaneamente, o silêncio é quase que total. Rostos sérios, porém bem focados. E o resultado disso: tacada perfeita.
O presidente da Federação de Sinuca e Bilhar do Estado de Santa Catarina, César Augusto Tancredo, afirma que no Estado, embora já tenha algumas evoluções, ainda há muito que melhorar. ?Nos últimos dez anos, podemos dizer que o nível dos atletas foi aumentando, principalmente porque tivemos participações significativas em campeonatos nacionais. Este fato ainda é recente porque a Federação data de 1993, ou seja, ainda é nova, se comparada a outros Estados que possuem federações desde a década de 80.?
O fato de ser um esporte caro também contribui para o número reduzido de atletas no Brasil. ?Como é o próprio atleta que custeia os equipamentos, nem todos podem arcar com esta despesa para se dedicar ao esporte?, ressalta.
Mesmo com pouco tempo de vida, a Federação já registrou algumas conquistas. Atualmente com cem associados, pode até não ser o destaque em nível técnico, mas em matéria de organização, já são consideradas uma das melhores das 13 federações que o país possui. ?Elaboramos um sistema de gerenciamento de competição, onde a tabela atualiza automaticamente as pontuações e a classificação, o que ainda não vimos em outras federações. Também conseguimos, em 2008, um patrocínio do Governo do Estado para custear algumas despesas, o que deu um novo impulso para a federação. Felizmente temos a prestação de contas bem transparente e conseguimos realizar a marca de dez eventos por ano?, comenta.
A sinuca ainda está vivendo seus dias de glória no anonimato. Para que o esporte tenha maior alcance, Tancredo afirma que a divulgação da mídia é essencial para o desenvolvimento do esporte. ?A partir do momento que conseguimos divulgar, também conseguimos patrocínio. Quando o esporte é mais divulgado, o número de patrocinadores também aumenta, pois a exposição dele é maior.

Paixão há mais de 20 anos
A equipe da Blitz Esportiva esperou encerrar o primeiro jogo para conversar com José Luiz, mais conhecido como Bilú, que representou a cidade de Itajaí e ficou vice-campeão catarinense, perdendo para o atleta Leandro, de Joinville, mas até então era um dos grandes favoritos ao primeiro lugar.
?Cada dia de jogo é uma emoção, você se sente na obrigação de ganhar, ainda mais quando você joga em casa e representa uma cidade. A cobrança é bem maior?, afirma Bilú.
Porém, a melhor maneira de lidar com a pressão, segundo Bilú, é relaxar. ?A sinuca não depende de sorte, depende da pessoa tecnicamente?, explica.
A paixão de Bilú pela sinuca começou em 1989, quando começou a jogar entre um grupo de amigos. E foi muito além de um hobby. A continuidade permitiu que ele fizesse parte da criação da Federação em SC, no ano de 1993. A trajetória fez de Bilú não apenas um atleta, mas um participante ativo na categoria. ?A sinuca permite você aprender a jogar com qualquer idade, desde que você tenha paciência para aprender com os mais fortes e saiba perder também. Tudo isso faz com que lá na frente você consiga mostrar que realmente tem o dom para a modalidade?, explica.

Modalidade encarada com profissionalismo
Definir a sinuca enquanto esporte, não é difícil. ?Mesmo fechado, é um esporte muito gostoso de praticar, mas longe de ser de bar ou para malandro, como antigamente era definido. Tanto que hoje os campeonatos seguem regras internacionais?, afirma.
Nada pode ser mais difícil numa modalidade que o próprio adversário, até porque se ele tem uma técnica melhor, naturalmente vai acabar ganhando a partida. A receita do jogo: mente tranquila, para que assim possa pensar qual a melhor jogada. ?Comparo uma partida de sinuca com uma partida de tênis. Se o atleta está num momento bom, ele pode até ganhar de um adversário tecnicamente melhor. Tem muita influência o comportamento do jogador no dia da partida. Ele tem que estar ciente do que está fazendo. Se errar uma bola, tem que superar e não deixar que aquela jogada prejudique a concentração do jogo?, explica.
Na visão de Bilú, a sinuca catarinense caminha bem. ?Não é um esporte com muita mídia e público, mas percebo que o Estado está bem na modalidade. No geral, temos bons atletas, mas ainda não é no nível de Estados como Paraná, que é muito forte. O município de Itajaí tem grandes atletas com potencial. O ideal é ter um atleta destaque que sirva de matriz para incentivar os outros. Aí todo mundo cresce?, ressalta.

A difícil missão de trazer o jovem
O campeonato de sinuca possui muito mais jogadores que já exibem seus cabelos brancos do que jovens. Bilú associa esta característica do perfil do jogador devido aos valores repassados aos jovens atualmente. ?O pai quer que o filho participe de esportes. Mas daí vem os estudos, e isto acaba ficando em segundo plano. Ou então prefere focar em outros esportes mais populares, como futebol ou vôlei. A partir do momento que os clubes desenvolverem sinuca para categorias mais jovens, a aderência também será maior?, comenta.
Os espaços para que o jovem pratique a modalidade também estão em falta. ?A sinuca é um esporte que toma espaço. Quatro ou cinco mesas ocupam uma área de quase cem metros quadrados, e para cada mesa jogam dois e o restante fica olhando. Então é complicado?, lamenta.
Mais do que espaço e incentivo, a própria categoria também tem carências de apoio. ?A hora que tivermos uma confederação nacional, com participação de grandes empresas como a Rede Bandeirantes, que na década de 80, deu apoio à modalidade, para incentivar jovens que estão começando, conseguiremos com que mais jovens acabem aderindo ao esporte. Promovendo campeonatos de categorias menores, como dez e doze anos, com certeza virá uma nova e boa geração de jogadores?, comenta.

O que é ser um bom jogador de sinuca?
A regra para ser um bom jogador de sinuca não foge às das demais modalidades. Treino é a peça-chave para quem quer chegar ao sucesso. ?Aquele que quer se tornar um profissional, inicialmente deve praticar pelo menos duas a três vezes por semana, em média, três horas?, ressalta.
Bilú explica que jogadores brasileiros de alguns Estados que são referência na modalidade como Rio e São Paulo chegam a praticar de sete a oito horas diárias, porém, vivem para o esporte. ?Devido ao meu trabalho e outros afazeres, infelizmente não tenho esse tempo para a prática?, comenta.
O lado psicológico é tudo, como já ressaltou anteriormente. ?Quando a gente perde, não há como ficar chateado. Mas sempre aconselho meus amigos, que também são jogadores, a superar o mais rapidamente uma perda. Um jogador só realiza uma boa partida se ele estiver bem em todos os sentidos. Não tem como ter um bom rendimento se não souber lidar com o psicológico?, finaliza.

 

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