Soletrando 2011
E.E.B.M. Duque de Caxias
No mês de abril fui convidada para participar do Soletrando 2011, e claro, aceitei de cara. Foi uma alegria imensa durante o resto do dia, tudo o que eu falava era soletrado.
Sempre quis estar lá no palco do Caldeirão, etapa à etapa, soletrando uma palavra mais difícil que a outra. Quando o Luciano Huck perguntava aos alunos, como soletrava a tal palavra, lá estava eu, soletrando junto, mas do outro lado da telinha, aonde eu podia estar naquele momento. Significado por favor… Aplicação em um frase… Afinal, sempre sonhei em dizer isso.
Após a inscrição, a expectativa aumentava dia após dia. Uma angústia e medo que cresciam junto com meu conhecimento a cerca de palavras estranhas e complicadas. Cada palavra lida do dicionário aumentava a minha expectativa em relação ao meu desempenho, a esperança de passar para a próxima etapa e o medo de ouvir o som da campainha, sinalizando um erro na soletração.
A Secretaria de Educação disponibilizou material e dicionários para que eu pudesse estudar em casa com material atualizado e completo. O Minigramática e o dicionário da nova ortografia cada vez mais estavam ao meu lado.
Conforme o esperado, o mês de outubro chegou e com ele o dia da eliminatória. Na minha cabeça só passava um número: 26, 26, 26… Até que enfim, o dia 26 chegou!
O carro de meu pai estacionando no pátio de casa foi um aviso: logo, logo estaria em Florianópolis. Saímos da escola às 9 horas com o carro cedido pela Prefeitura. Fui com meu pai e o Sr. Adilson, tecnólogo da escola. Chegamos a tempo.
Depois do almoço, fomos até a Fiesc onde aconteceriam as eliminatórias do Soletrando 2011. Apreensão e expectativa. Sei que já usei a palavra ?expectativa? muitas vezes no texto, mas dificilmente alguma outra palavra poderia descrever tão bem o que eu realmente sentia naquele momento.
Uma grande ansiedade me invadiu. Eu não conseguia pensar direito. Vinha tudo na minha mente. A expectativa da minha família em relação ao concurso, da escola, da Secretaria de Educação e a minha própria. Era uma enorme responsabilidade para mim, afinal eu era a representante de Pomerode.
Parecia fácil demais. Não eram tantos candidatos. Me envaideci diante das câmeras…tudo era filmado e gravado para o Programa. O auditório transpirava ansiedade. Percebi que o verdadeiro desafio não era soletrar, mas manter a calma.
Depois de muitos sorteios meu número foi chamado. Chegou minha vez. Meu Deus! Esqueci tudo….não….não….eu não esqueci de nada. Tudo que eu sei, eu sei. Oras, como pode?!? Estava tão nervosa, ao mesmo tempo, tão confiante. Fiz o melhor, dei o melhor de mim, estudei todos os dias, fiz os simulados, mas não consegui controlar e dominar meus sentimentos. Ou seja, meu emocional estava literalmente impedindo que eu passasse a frente dos demais. Soletre agora a palavra ?sobremesa?. A-há…tá no papo! Que palavra fácil, impossível errar. Só um tolo erraria ?sobremesa?, pensei rapidamente e mais rapidamente ainda respondi: ?s-o-b-r-e-s-a? e a campainha soou. Não acreditei. Não consegui acreditar. O que eu errei?!? O que eu poderia ter errado?!? Era tão fácil…mas na pressa, engoli as letras ?m? e ?e?.
Percebi que um conjunto de coisas me fizeram perder a concentração, entre elas: o excesso de confiança, o medo e a ansiedade. Sim, por que errar sobremesa é como errar a pergunta do tipo: ?Quanto é 1+1?? Ou a pessoa sabe ou não sabe. E eu sabia soletrar, e não há quem possa ter dúvidas sobre isso.
Então…lembro-me da história de que só morre afogado quem sabe nadar, por que quem não sabe, sequer entra na água. O excesso de confiança me fez soletrar rápido demais e enfim, engolir uma letra. O medo de ser visto como um tolo, também fez com que eu falasse correndo, mesmo tendo alguns minutos para responder. E a ansiedade me fez querer passar logo para próxima pergunta. Ma
s então, se eu não passei na eliminatória, se eu errei uma palavra tão fácil…então por que é que eu estou escrevendo uma reportagem sobre o assunto?!? Não seria melhor abafar o caso e deixar quieto?! Assim, ninguém mais comenta e pronto. Quem não é visto, também não é lembrado, não é mesmo?!
Escrevi por que quero concorrer novamente em 2012, por que acredito em mim e no meu potencial e tenho certeza de que trabalhando os meus pontos fracos, obterei um melhor desempenho. Escrevi também por que quero passar a minha experiência para aqueles que por ventura queiram participar. Escrevi por que eu gostaria de ver mais alunos do nosso município participando deste concurso para representar a nossa cidade. Escrevi por que quero agradecer a todos aqueles que depositaram confiança em mim.
Obrigada família, pelo grande apoio durante os meses de estudo e dedicação! Obrigada D. Izabel por ter aceito a minha inscrição e tanto ter me incentivado! Obrigada Sra. Roseana, que disponibilizou os dicionários e o material para estudo. Obrigada D. Andréa, que tantas vezes me estimulou e me aconselhou. Obrigada D. Edna, pelo apoio e por ter finalizado todo o processo! Obrigada APP, que disponibilizou os recursos para minha participação. Obrigada escola, por ter tido a oportunidade de representá-la e por que é daqui que tenho acesso ao conhecimento. Obrigada Secretaria de Educação e Formação Empreendedora por ter viabilizado minha participação.
Monaliza De Lima K.