Economia e Política
Por Gerson Schubert
Guerra Cambial
Este tema vem sendo usado por diversos governos e economistas para descrever uma suposta disputa entre os países envolvendo suas moedas. O que acontece é que alguns países, sobretudo emergentes, estariam ?forçando? a desvalorização de suas moedas para beneficiar seus ganhos com exportação. Os governos têm evitado um confronto direto com a China, mas muitos consideram o país asiático como o vilão dessa disputa. Além de ser uma das principais economias do mundo, a China é uma das poucas a manter o regime de câmbio fixo.
A cotação da moeda local, o yuan, é controlada pelo governo, enquanto nas principais economias o câmbio é flutuante, ou seja, tem sua cotação definida pelas negociações de mercado, como acontece no Brasil. Essa diferença entre os regimes causa diferenças na economia financeira internacional, levando à adoção de medidas de retaliação ? por isso o termo ?guerra cambial?.
O governo brasileiro já começou a agir: em menos de uma semana anunciou duas medidas para evitar a entrada de capital estrangeiro no país e, assim, tentar atenuar a valorização do real, a principal delas foi a elevação de 2% para 4% do IOF sobre o capital estrangeiro que entra no país em busca de rendimentos de curto prazo. Mas o Brasil não é o único.
No mês passado, o governo japonês decidiu intervir na cotação de sua moeda, o iene, algo que o país não fazia desde 2004. Os Estados Unidos, apesar de mais cautelosos em função da forte ligação econômica com Pequim, também têm subido o tom contra a desvalorização da moeda chinesa. No mês passado, a Câmara dos EUA aprovou um projeto de lei que permitirá ao governo americano tratar a desvalorização do yuan como um subsídio, possibilitando uma série de medidas protecionistas contra a importação de produtos chineses.
A China justamente está na base do problema por ser o maior exportador do mundo e exercer o controle sobre sua moeda, sendo responsável por grande parte do problema, mas não é a única. Outros fatores também contribuem para a excessiva valorização de algumas moedas e para um desequilíbrio comercial. Com um déficit de 3% (em relação ao PIB) em sua conta corrente, que inclui um forte déficit comercial com os chineses, os Estados Unidos culpam Pequim por prática de ?comércio injusto? ao manter o yuan desvalorizado.
Mas também há o argumento de que os Estados Unidos não só ?criaram a crise?, como também permitiram que a poupança interna ficasse abaixo do desejável, tornando o país extremamente dependente de importações. O Brasil, que acompanha os EUA nas críticas à política cambial da China, também tem problemas internos que mantêm sua moeda valorizada, ostentando uma das maiores taxas de juros do mundo para sustentar a dívida pública.
Ou seja, o problema não é só com os chineses.
O assunto promete ser o principal tema não apenas da reunião do FMI, que começa nesta sexta-feira, mas também da cúpula do G20, nos dias 11 e 12 de novembro, na Coreia do Sul. O mundo econômico está agitado!