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Editorial

Desde que vim a Pomerode, essa foi a primeira vez que precisei de fato de atendimento médico. Quando cheguei aqui, até que uma gripe muito forte insistia que eu deveria ir até o Posto de Saúde, mas as últimas experiências, em outras cidades, me fizeram persistir e não ir, optar…

29 de outubro de 2010

Desde que vim a Pomerode, essa foi a primeira vez que precisei de fato de atendimento médico. Quando cheguei aqui, até que uma gripe muito forte insistia que eu deveria ir até o Posto de Saúde, mas as últimas experiências, em outras cidades, me fizeram persistir e não ir, optar mesmo pela automedicação, que na época, funcionou.

Quatro meses se passaram e minha saúde de ferro me fez definitivamente acabar com os pré-conceitos e visitar o Posto de Saúde, não a trabalho, por necessidade. Foi algo meio difícil, confesso. A cada passo pensava em desistir, voltar ao trabalho e passar na farmácia a fim de um medicamento qualquer.

Sei todos os malefícios da automedicação. Conheço inclusive os perigos e consequências ? na prática ? deste problema que na última semana se tornou ainda mais grave, com o aparecimento do surto da superbactéria KPC.

Motivada pelo uso correto de medicamentos e pelo medo da dor no olho ser algo mais grave que uma irritação causada pelo tempo seco, fui ao Posto. Cheguei e não sabia nem por qual porta entrava. Resolvi adentrar pela central.

Cheguei no balcão e logo fui falando sem parar: ?Oi, to aqui por causa do meu olho, ele tá inxado, eu acho que é conjuntivite?. Respirando e olhando com muita paciência a funcionária me respondeu: ?Onde você mora??. Passei ao PSF, que então me encaminhou corretamente para onde eu deveria ir.

Ao preencher a ficha, apenas identidade em mãos, a senhora simpática que me atendera pediu que eu esperasse sentada, assistindo a TV. Não deu cinco minutos e me chamaram para aferir a pressão, conferir peso e altura. Outra senhora demasiadamente simpática fez seu trabalho me informando tudo antes de escrever.

Para a sala de espera fui outra vez. Em meio a muitos chamados, dos pacientes que chegaram antes que eu, devo ter esperado mais uns dez minutos (no máximo, e desculpem-me se o tempo foi menor, mas a sensação de estar em um pronto-atendimento não é do meu agrado). A médica atenciosa que me atendeu me acompanhou da sala de espera ao consultório.

Nunca uma consulta foi tão compreendida, se é que esse é o adjetivo que eu posso explicar o bom atendimento que recebi. Nem nas consultas que me custaram R$ 240,00 eu fiquei tanto tempo no consultório, e olha, essas mega-consultas eram resultado de problemas muito maiores que uma simples conjuntivite.

Orientações sobre como agir, como aplicar o remédio, o porque estava com isso, e finalmente, indicações de como resolver o problema.

Na farmácia, me diverti ao receber as indicações/informações da outra funcionária, que me explicava que o soro fisiológico deveria ser retirado em outro lugar.

Sai do Posto como nunca havia saído de um: satisfeita e com o problema parcialmente resolvido. Não é apenas pelo atendimento rápido, já fui atendida muito mais rapidamente em outras cidades. Mas, ao mesmo tempo, foi a agilidade, tranquilidade e bom atendimento que fizeram eu confiar na saúde pública pomerodense, como nunca confiara em nenhuma outra.

Pode ser que eu tenha sido uma exceção, que outras pessoas não tenham sido bem atendidas no local, pode ser inclusive que a coisa não seja tão perfeita quanto eu achei, só que vinda de uma cidade de 170 mil pessoas que disputam uma vaga para o atendimento emergencial às 04horas da manhã do dia anterior, chegar, ser atendida e sair com tudo como deveria ser é uma mudança no meu conceito de saúde brasileira.

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