Os Jogos das Despedidas
Geralmente, os atletas escolhem competições importantes como os Jogos Abertos para dar adeus ao esporte. Na edição de 2010, muitos deles resolveram se aposentar, em virtude da ocasião do Cinquentenário da competição. Um destes atletas foi o nadador Rogério Branco, que escolheu Brusque, cidade onde mora, para encerrar sua participação…
Geralmente, os atletas escolhem competições importantes como os Jogos Abertos para dar adeus ao esporte. Na edição de 2010, muitos deles resolveram se aposentar, em virtude da ocasião do Cinquentenário da competição.
Um destes atletas foi o nadador Rogério Branco, que escolheu Brusque, cidade onde mora, para encerrar sua participação nos Jasc, nadando a prova de 50m livre. Chegou na oitava colocação, sem se preocupar com o rendimento e saiu da piscina aplaudido pela torcida e companheiros de prova.
Em 20 anos de Jogos Abertos, alcançou um recorde difícil de ser batido: 82 medalhas no total, sendo 46 de ouro. Nascido em Blumenau, Rogério ganhou esse número impressionante de medalhas defendendo diversos municípios, entre eles, Florianópolis, Concórdia, Itajaí e Brusque. O nadador fez questão de se despedir do esporte nos Jogos Abertos, competição considerada por ele, como um grande palco e campo para adquirir experiência. ?É uma grande vitrine e dá chance de convivência com atletas já consagrados em competições internacionais. Devo todo o meu sucesso aos Jasc?, falou, agradecido.
Izolde: a rainha da areia
Depois de ter iniciado a carreira como treinadora em 2009, a supercampeã do vôlei de areia de Blumenau, Izolde Neitzhe, 46 anos, sentiu a necessidade de uma despedida com bastante brilho quadras. Viu na edição nº 50 dos Jasc, a oportunidade ideal para dar adeus à vida de atleta.
A despedida veio com a medalha de prata, ao lado da companheira Andréia. A dupla bumenauense não foi páreo para a dupla de Balneário Camboriú, formada por Joseane e Leize. A dupla do litoral venceu por 2 sets a 0, com parciais de 18×10 e 18×7. Mas nem por isso, Izolde deixou de comemorar e, muito menos, se emocionar. ?Hoje, para jogar, é preciso muita saúde e dedicação. Com 46 anos, sinto mais o calor e não consigo me dedicar tanto quanto antes. Esta foi minha última partida?, disse, sem conter as lágrimas.
A medalha de prata em Brusque junta-se a outras 11 conquistadas por ela nos 12 anos que disputou o vôlei de areia nos Jasc. Um fato para poucos: sempre que pisou em quadra pela competição, Izolde subiu ao pódio, conquistando oito medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze.
Com 32 anos de carreira, a jogadora é a maior responsável pelo crescimento da modalidade em Blumenau.
A volta em nome do esporte
Na contramão desta tendência, há atletas que deixam de lado a ?aposentadoria?, para tentar mais algo dentro do esporte. Pela modalidade de caratê, Ricardo Cruz, de Florianópolis, também fez história ao ganhar sua 11ª medalha de ouro, no kata individual.
Ricardo é o atual técnico da equipe de Florianópolis e estava afastado do tatame há quatro anos. Resolveu votar às disputas em função da edição histórica dos Jasc. ?Era uma dívida que eu tinha, era algo que faltava?. O atleta ganhou na final de Deivid Cavalcante, de Jaraguá do Sul, por 5 a 0, numa luta imaginária em que os árbitros avaliam velocidade, força, equilíbrio, precisão e o lado artístico da apresentação.
Ricardo Cruz, de 34 anos, declarou que vai parar de competir e se dedicar à função de técnico. Mas, no auge da emoção, deixou escapar a seguinte frase: ?Quem sabe ainda posso voltar?, justificando que o caratê corre em suas veias.