França enfrenta ?ameaça terrorista real?
Desde a semana passada que a França vive em estado de alerta, com receio de um possível atentado, nomeadamente contra os transportes do país.
?A ameaça é real, a nossa vigilância reforçou-se?, disse esta segunda-feira o ministro Interior, Brice Hortefeux. O plano Vigiparate, que põe em prática um sistema de níveis de alerta com cores semelhante ao existente nos Estados Unidos, está no vermelho, último nível antes do vermelho vivo.
De acordo com um responsável do Ministério, citado pela AFP, ?trata-se de uma ameaça que pensamos visar os transportes? e o alerta iniciou-se a partir das 17h00 de quinta-feira. Mas ?o tipo de alvo continua completamente indefinido?, acrescentou.
O receio nasce de ?informações vindas de um país amigo com o qual a França trabalha regularmente?, disse ainda o mesmo responsável. Estas informações indicam que a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico ?faz pesar uma ameaça iminente sobre o território nacional?.
Segundo um outro responsável ouvido pela mesma agência de notícias francesa, este membro da polícia, duas ?células adormecidas?, com meios financeiros em França, ?despertaram recentemente?, com a chegada ao país de vários ?islamistas radicais? vindos do Afeganistão ou do Paquistão.
Outra pista actualmente a ser seguida em França diz respeito a uma mulher suspeita de querer realizar um atentado bombista suicida em Paris. Mas ?este não é necessariamente o elemento mais inquietante? da ameaça actual, explicou à AFP o responsável ligado ao Ministério do Interior.
Entretanto, o imã da Grande Mesquita de Paris, Dalil Bubakeur, que defende a proibição do véu islâmico, está desde quinta-feira rodeado de protecção reforçada. Esta medida ?não está ligada directamente à ameaça, mas toda a gente recorda que os atentados de 1995 começaram com o assassínio do imã Sahraoui?, que era na altura responsável por uma mesquita da capital francesa, a da rua Myrha.
Abdelbaki Sahraoui era porta-voz da argelina Frente Islâmica de Saudação quando foi morto, por dois homens que nunca foram identificados.
Depois do rapto no Níger de sete estrangeiros, incluindo cinco franceses, a trabalharem para uma empresa francesa, e dos falsos alertas de bomba na Torre Eiffel e na RER, rede suburbana de comboios da capital, Brice Hortefeux tinha dito que ?a ameaça continua a concretizar-se, infelizmente, nestes últimos dias?.
O Senado francês adoptou a 14 de Setembro uma lei que proíbe o véu islâmico integral no conjunto do espaço público e vários analistas tinham já avançado que essa medida, em conjunto com a participação de Paris na guerra afegã, podia contribuir para que a França se tornasse num alvo prioritário do extremismo.
Ao mesmo tempo, em Junho, um comando francês atacou uma base da Al-Qaeda no Magrebe e o grupo jurou vingança. ?Ao inimigo de Alá, [o Presidente Nicolas] Sarkozy, dizemos: falhaste, e agora abriste a porta para que o horror chegue ao teu país?, afirmou-se então num comunicado.