Editorial
?…diga ao povo que fico? A frase dita por Dom Pedro I, em 09/01/1822, se tornou marco da Independência do Brasil. Independência esta de Portugal, que só retirava as riquezas do país e o mesmo não tinha nenhuma contrapartida, a não ser a diversidade de raças, cores e trabalho, quase…
?…diga ao povo que fico?
A frase dita por Dom Pedro I, em 09/01/1822, se tornou marco da Independência do Brasil. Independência esta de Portugal, que só retirava as riquezas do país e o mesmo não tinha nenhuma contrapartida, a não ser a diversidade de raças, cores e trabalho, quase todos herdados do nosso tempo de colônia.
Historiadores afirmam que depois do famoso do ?dia do fico?, exclamado por D. Pedro, quase nenhuma mudança significativa aconteceu. O Brasil continuou sustentado pelos colonizadores e pagando os luxos da velha corte europeia. Porém, foi a primeira etapa para a futura liberdade (embora utópicos acreditem que ela não exista de fato).
Talvez o ?menino da vila?, Neymar, nem tenha estudado sobre o dia do fico na escola. Possivelmente estava ocupado demais pensando no futebol do recreio para compreender que aquela história do Brasil antigo, imitaria a sua (ou vice-versa).
?Espero que seja um marco no futebol brasileiro. Isso tem que ser valorizado. É muito simples um jogador sair valendo um real e quando cruza a fronteira passa a valer dez. Por que não pode valer dez aqui? Eles têm que parar de olhar os clubes brasileiros como ?outlets? de jogadores?, confirmou o técnico santista, Dorival Junior.
É a mesma história do Brasil Colônia, na qual o ?velho continente? chegava, pegava as riquezas a preço de banana, e quando as mesmas chegavam a Europa, passavam a valer fortunas. Há anos que com os craques do futebol nacional isso também acontece. São retirados por um preço muito baixo, e quando chegam aos grandes clubes tem, no valor de seu ?passe?, acrescentado muitos zeros no final.
A decisão de Neymar em ficar no Santos, para muita gente foi questão de dinheiro, já que os diretores do clube aumentaram em vinte milhões de euros o valor do garoto de apenas 18 anos. Segundo o próprio jogador, Pelé e Robinho foram seus conselheiros para a difícil decisão. ?Eu estou feliz aqui, é o que eu quero. E acho que eu vou ajudar bastante no futebol porque é felicidade. E só dinheiro não traz felicidade. Então acho que é você estar feliz que dá tudo certo?.
Neymar segue os passos de seus aconselhadores. Robinho e Pelé tem uma história similar, mas que não envolvia tanto dinheiro assim. Pelé foi um dos maiores atletas a jogar no time paulista, honrando a camisa e não jogando em nenhum outro time que fosse ?rival? do alvinegro. Robinho, após grande procura depois do brilhante campeonato brasileiro de 2002, decidiu ficar um ano a mais diante da torcida. A tática funcionou, já que hoje é um dos maiores ídolos da geração ?Meninos da Vila?.
Nas palavras do presidente do clube, Luis Álvaro, ?Amanhã, vamos assistir o nascimento de um mito. O ídolo, um dia, pendura as chuteiras e encerra a sua carreira; o mito fica para sempre?, ou seja, Neymar se transformou em um mito, se não eterno, pelo menos para os próximos anos, principalmente ao declarar o amor pelo clube que o revelou.
Comparado a decisão do jogador, encontramos muitos funcionários de empresas ou até mesmo pequenos empreendimentos, que por amor ao que fazem, não deixam a situação ficar ruim. Exemplo claro desse amor a camisa também no cotidiano das pessoas ?comuns?, vimos em algumas edições do Jornal de Pomerode, quando funcionários da empresa Porcelanas Schmidt afirmavam que esperariam até o último momento para desistir do trabalho. Grande parte dos empregados, que mesmo estando sem receber há dois meses, não entrava com pedido de demissão, apesar do conselho dos advogados.
O amor pelo trabalho, pela empresa que o fez quem és, ou até mesmo pelo papel que representa nesse meio. Muita coisa entra em jogo na hora da escolha, e muitas vezes, uma proposta salarial tentadora não é o suficiente para abandonar o antigo emprego, ou, se tratando de futebol, clube.
A decisão do ?fico? de Neymar poderá aumentar as possibilidades de jovens garotos brasileiros ficarem conhecidos aqui, e não somente lá fora. A decisão também abre as portas para um esporte que é a paixão nacional, seja valorizado no próprio país. E que a decisão de Neymar seja exemplo não só nos campos, mas na vida de cada um, afinal, muitas vezes o amor supera o dinheiro, e muitas outras, o segundo não traz tamanha felicidade que o primeiro alcança.