Editorial
Diariamente, ouvimos relatos de pessoas que, com um verdadeiro coração de pedra, abandonam, machucam, maltratam e humilham crianças indefesas, que sofrem caladas a esta verdadeira “tsunami” de horror. No entanto, remando contra esta maré, vemos inúmeros exemplos de pessoas que dão a vida por elas, num verdadeiro sentimento de que…
Diariamente, ouvimos relatos de pessoas que, com um verdadeiro coração de pedra, abandonam, machucam, maltratam e humilham crianças indefesas, que sofrem caladas a esta verdadeira “tsunami” de horror. No entanto, remando contra esta maré, vemos inúmeros exemplos de pessoas que dão a vida por elas, num verdadeiro sentimento de que a raça humana ainda tem lampejos de solidariedade e amor. Este mesmo contexto pode ser aplicado aos animais, que sofrem humilhações na mesma proporção em que são amados.
Um exemplo muito forte nos foi apresentado esta semana, no Zoo Pomerode. Um simpático babuíno-verde, de nome Benjamin, nasceu em cativeiro. O pequeno macaquinho, no entanto, foi tirado de sua mãe biológica por outra macaca que habitava o mesmo recinto. Na tentativa de devolver o filho a seus pais biológicos, estes não o aceitaram mais, deixando Benjamin em uma situação muito difícil, que com toda certeza, culminaria em sua morte.
Sensibilizada com a situação vivida pelo pequeno Símio, a bióloga e os demais veterinários do local, literalmente adotaram o pequeno, dando início a uma verdadeira história de amor e cumplicidade. Benjamin é tratado como um filho pelos profissionais, que os cercam de cuidados, inclusive acordando no meio da noite, de duas em duas horas, para amamentar o macaquinho (isto nos primeiros dias de vida do babuíno, embora atualmente, a função ainda seja desenvolvida, mas em intervalos maiores).
Esta passagem, que felizmente teve um final feliz, muitas vezes tem um destino trágico. E os protagonistas não são macacos, mas sim, seres humanos, que são jogados à sua própria sorte por pessoas inescrupulosas e sem amor no coração, que os maltratam, muitas vezes, por uma simples questão de amor próprio e de autoafirmação como educadores.
Há pouco tempo, presenciou-se o julgamento do casal Nardoni, por exemplo, que foi condenado por jogar a filha da janela do apartamento onde moravam. O que leva um pai a jogar uma filha, de apenas seis anos, para o abismo – ou seria para a morte?!
E fora isto, vemos cotidianamente nos noticiários, pedófilos que abusam de crianças indefesas. Informações de hospitais garantem que TODOS os dias, crianças são vítimas de abusos sexuais ou algum tipo de violência física – e não estamos contabilizando a dureza das palavras, que muitas vezes machucam mais que um simples tapa.
E se tratando de animais, incluímos na lista de horrores, os contrabandistas, que dentro de malas transportam animais silvestres numa viagem que quase sempre acaba na metade dos tripulantes sem vida. Animais que por vezes acabam como a mãe de Benjamin, ‘guardados’ em jaulas de zoológicos pelo mundo, mas isso não é ruim, pior seria se fossem retirados do habitat natural para virarem atração de judiarias feitas em muitos circos. Em Pomerode, o Zoo, é um lar onde impera amor, muito amor.
Do ponto de vista do desenvolvimento humano, a agressividade é a arma daquele que se sente acuado, impotente, com dificuldade de se impor e de expressar aquilo que sente de forma que o outro o entenda e respeite. E os que mais sofrem com este tipo de comportamento são os mais susceptíveis à defesa, no caso, as crianças e os animais, sem esquecer de nossos idosos.