Mais de 1600 atletas além dos limites
Assim podemos resumir a sexta edição do PARAJASC, que novamente consagra Chapecó como campeã.
Superação já é palavra clichê quando falamos do paradesporto como um todo. Dos dias 24 a 30 de junho, pode-se constatar que o Parajasc foi muito mais que isso. Foi alegria, vibração, garra, disciplina. E principalmente exemplos, que são passados por 1686 atletas de 60 municípios catarinenses, que superaram qualquer dificuldade por amor ao esporte.
Toda essa euforia já foi demonstrada na solenidade de abertura, realizada no Centreventos de Itajaí, que contou com apresentações artísticas, demonstrando a cultura itajaiense e regional.
Depois de uma semana entre disputas, risos e choros, Chapecó, pela sexta vez, fica com o título de campeã na pontuação geral. Itajaí, o município-sede do evento, que ano passado ficou com o quinto lugar, conquistou a façanha de subir ao pódio em terceiro. Para o Coordenador do Esporte Adaptado, Marcos José Tomaz, este resultado deve-se ao trabalho que a Fundação de Esportes vem fazendo com as entidades voltadas às pessoas com deficiência e o empenho dos profissionais envolvidos diretamente com o projeto. “Nosso objetivo é ampliar cada vez mais atuação do Paradesporto em Itajaí, com mais investimento, desde a área escolar até a de alto-rendimento”.
Para o coordenador, a Bocha Paraolímpica foi um dos destaques neste ano. O último dia de competição reservou duas finais emocionantes, com os atletas Nivaldo Jorge da Silva e Fernando B. Wolfran, que trouxeram ouro e prata, respectivamente. Se ano passado, Itajaí ficou com a segunda colocação na modalidade, este ano, conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio. “Foi emocionante, porque competimos com adversários que já haviam participado de eventos internacionais, com uma grande experiência. E mesmo assim, conseguimos a vitória”, ressalta.
Balneário Camboriú, que ficou em oitavo lugar na colocação geral de medalhas, também não teve do que reclamar. E um dos destaques foi para o atletismo masculino – categoria deficiente físico. Mesmo com dez atletas – número menor que ano passado, quando foram em 18 – conseguiram obter a segunda colocação, perdendo para Lages. Todos, de uma forma geral, melhoraram suas marcas, na avaliação da técnica Fayola Bueno. Só nessa categoria, o município conseguiu 12 medalhas de ouro, nove de prata e cinco de bronze. “Estava mais competitivo pelo fato de outras delegações também aumentarem o número de atletas e de categorias. Mas conseguimos um bom destaque em arremessos e lançamentos”, destaca.
Uma estreia com categoria
Balneário Camboriú teve uma estreia no Parajasc 2010: o futsal masculino, categoria deficientes auditivos (D.A.). Os atletas, que são integrantes da Associação de Surdos de Balneário Camboriú (Asbac), demonstraram que tem bola no pé e enfrentaram de igual pra igual municípios como Caçador, Blumenau, Joinville, entre outros. Mesmo entrando com raça, o titulo não veio dessa vez. No lugar mais alto do pódio subiu a equipe de São Bento do Sul e Balneário acabou na sexta colocação. Mas, para Gilberto Praga, representante da delegação, que esteve à frente dos meninos no futsal, a equipe tem boas chances de despontar em outras edições do Parajasc. “O time tem qualidade, falta um pouco mais de técnica, mas isso é questão de treinamento”, explica. Para ele, esta também foi uma nova experiência, afinal, o contato com o time era recente. A comunicação com os jogadores, que poderia representar dificuldade, foi superada pelo objetivo comum: a vontade de vencer.
Contando com o auxílio da intérprete Daniele Bieleski, a Revista Blitz Esportiva conversou com um dos jogadores e capitão do time Gustavo Brustolin Horst, 29 anos. Ele conta que achou os adversários difíceis, mas que a equipe se esforçou ao máximo para conseguir um bom resultado. Além disso, Gustavo acredita que se o time treinar constantemente, terá um melhor preparo e conseguirá uma classificação melhor nas próximas competições.
O atleta, que participa da Asbac desde 2002, ressalta que a oportunidade não se restringe apenas a representar Balneário Camboriú, mas sim, em estimular outros deficientes auditivos a participarem do esporte. A equipe já participou de outros campeonatos promovidos pela Federação Catarinense de Desportos para Surdos e não ficam restritos ao futsal. Os atletas, que treinam toda sexta-feira e em alguns finais de semana, também jogam futebol de campo e futebol de areia.
Rainhas da natação
Quem esbanjou alegria foram as nadadoras Aline Gonzalez Massarelli e Charlotte Rocha Bork, que participaram das provas de natação da categoria D.I. (Deficiente Intelectual), pelo município de Itajaí. As atletas não só conquistaram, respectivamente, duas medalhas de ouro e uma prata, e três de ouro, como se consagraram hexacampeãs.
“Foi uma disputa bem difícil, mas ainda bem que conseguimos um ótimo resultado”, comenta Charlotte.
Aline, esbanjando bom humor e as medalhas no peito, não hesitou em falar que as provas mais difíceis para ela foram as categorias nado borboleta e “medley” (forma de competição que junta os quatro estilos de natação: borboleta, costas, peito e livre). “No medley eu competi sozinha e exige muito da gente”, comenta.
Hexacampeão
Balneário Camboriú também tem seu hexacampeão. Valdeci Mathias garantiu mais uma vez medalha de ouro no lançamento de dardo-K. E Mathias percebe um comprometimento cada vez maior das equipes que disputam. “Todos estão levando mais a sério, o que torna a cada ano a competição mais acirrada,”destaca.
Mas as dificuldades não se restringem apenas às técnicas. Como as competições são divididas por classe, a junção de algumas delas pode trazer dificuldade para o atleta. “Isso se reflete na produtividade. Com essa junção, o atleta que tiver lesões mais severas, terá dificuldade maior em enfrentar o adversário”, explica.
Mathias também participou das provas de lançamento de peso, onde conquistou o segundo lugar e o lançamento de disco, ficando com o 5º lugar. “Essas são provas que eu participo a fim de pontuar para a equipe de Balneário, mas meu forte é o lançamento de dardo”.
O contato com o lançamento de dardo começou em 2005, ainda na cidade de Xanxerê. Quando foi morar em Balneário Camboriú, foi convidado a participar da Afadefi (Associação de Familiares de Deficientes Físicos) e deu continuidade à prática do esporte. Atualmente, se dedica aos treinos técnicos três vezes por semana, na pista municipal de Itajaí e cuida diariamente do condicionamento físico.
Salto recorde
O atleta Flávio Reitz, 23 anos, também fez bonito no salto em altura, e não só trouxe para Itajaí o gostinho da medalha de ouro, mas ainda conseguiu bater a marca brasileira, com 1,41m. E ao que tudo indicava, esta era uma vitória anunciada. “Nos treinamentos consegui fazer a marca de 1,40m. Vi que estava numa ótima margem e que podia fazer mais”, comenta.
Reitz também participou das provas de lançamento de dardo e peso (categoria J), onde conquistou outra medalha de ouro, mas o salto em altura foi seu maior desafio. “Eu tive pouca prática com o salto, se comparado com outras modalidades”, comenta.
Para a felicidade ser completa só restava uma coisa: a marca ser reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Ele explicou que era necessário alcançar essa mesma marca no Regional Sul, competição que é organizada pelo CPB, para aí sim ser reconhecida.
Passado o Parajasc, é hora de focar nos próximos campeonatos. Em agosto, já ocorre uma disputa acirrada na 2ª etapa nacional de atletismo, em São Paulo, e a 3ª etapa em dezembro. Agora é batalhar pelas próximas medalhas.
O show do basquete tetracampeão
Emoção num campeonato do começo ao fim. Assim pode-se resumir os dias em que a equipe de basquete de Itajaí, categoria Deficiente Intelectual (D.I.), entrou em quadra. Numa final emocionante contra e equipe de Brusque, o município levou o ouro por um placar de 37 a 20 e com isso, o tetracampeonato.
Para o técnico José Antonio Gonçalves Rios, o fator fundamental para o bom resultado da equipe foi o entrosamento. “A união foi forte, tinha atleta chorando já antes de entrar em quadra e depois do final do jogo então, nem se fala”, comenta. Os atletas são integrantes do Projeto Transcender, e Rios está no comando da equipe desde 2003. Mesmo com as renovações no decorrer deste período, o técnico não tem do que reclamar. Em seis anos de Parajasc, Itajaí conquistou quatro campeonatos, dois vices e já fez mais de 1000 pontos.
A boa técnica vem de muito treino. A equipe treina três vezes por semana, durante uma hora e o amor que eles sentem pelo basquete se reflete nas quadras. “Eles raramente faltam aos treinos, mostrando dedicação e disciplina”, comenta Rios.
Ainda é possível fazer mais. Mas um dos empecilhos é a questão financeira. “Por falta de verba, deixamos de fazer melhorias e, muitas vezes, investimentos nos atletas e numa infra-estrutura como um todo”, ressalta.
O armador Luiz Fernando Loureiro foi um dos destaques da equipe, marcando sozinho, 17 pontos. Com estilo, fazia vibrar a torcida que lotou o Colégio Salesiano. Antes da final, ele conversou com a nossa equipe de reportagem e já se mostrava confiante. “O time está bom, mas temos que ir com calma. Este é um Parajasc bem concorrido, pois temos adversários de peso”, explica.
Mas competições como essas não se resumem apenas a entrar em quadra e fazer o seu papel. É muito mais que isso. “Eu gosto de conversar com as pessoas, e o Parajasc proporciona essa integração, novas amizades. E isso é muito bacana”, completa.
Confira a classificação final do Parajasc:
1º) Chapecó – 139 pontos
2º) Joinville – 119 pontos
3º) Itajaí – 92 pontos
4º) Florianópolis – 68 pontos
5º) Lages – 72 pontos
6º) Caçador – 77,5 pontos