Pronto para o combate!
?O vale tudo é uma luta complexa e aquele que quiser se tornar
um campeão, terá que doar uma parte da sua vida para isso?.
Essa é uma das fórmulas seguidas por Franklin Jensen, campeão
do Nitrix Champion Fight V.
Muitos se encantam, outros repudiam. Mas poucos sabem realmente o que significa se dedicar ao Vale-Tudo, ou M.M.A. (Mistura de Artes Marciais), como é conhecido, para se tornar um verdadeiro campeão. O glamour que gira em torno do esporte tem um preço, que nem todos conseguem pagar. Horas de treino, anos de dedicação, foco no objetivo. A força de vontade é imprescindível para superar as dificuldades que surgirão. É essa a disciplina que o lutador Franklin Jensen, ou Frank, como é conhecido entre os amigos, carrega para se especializar neste esporte.
A primeira luta ocorreu há sete anos e ele classifica como uma das mais difíceis de sua carreira. “Eu não realizava o treinamento adequado. Quando coloquei meu pé no ringue, com mais de três mil pessoas me assistindo, um adversário enorme na minha frente, pensei: como vou vencê-lo? Mas graças a Deus, consegui a vitória.”
O sucesso foi uma questão de tempo. O último desafio aconteceu no Nitrix Champion Fight V, realizado em Balneário Camboriú, no mês de maio, quando enfrentou o lutador Luciano Contini, de Curitiba. A vitória foi alcançada não só por enfrentar um adversário de peso, mas também por superar o fato emocional. “Era uma pressão grande, pelo fato de lutar na minha cidade, de ver uma torcida por mim. De certa forma, isso atrapalhou um pouco tanto no treino quanto na luta, pois eu pensava que não podia me machucar e que tinha que ganhar de qualquer jeito. Felizmente, consegui um bom resultado.”
Se no exterior, a luta rende milhões e é bem difundida, no Brasil, a aparição ainda é tímida. “Alguns dos melhores lutadores do mundo saíram daqui do país, e grande parte não sabe disso,” lamenta Frank, que ainda completa: “todo aquele glamour que girava em torno do boxe, hoje está sendo direcionado ao vale tudo.”
No estado, o esporte está conquistando seu espaço, com várias academias especializadas. Frank atualmente conta com uma equipe de sete lutadores, que já participaram de competições e outros que estão iniciando.
Início na adolescência
O primeiro contato com as artes marciais veio aos 15 anos, quando iniciou lutando Taekwondo. O intuito era de apenas iniciar alguma atividade física. E esse foi o primeiro passo para uma carreira promissora. Após cinco anos, Frank teve contato com o Jiu-Jitsu, que possui uma dinâmica de luta diferente do Taekwondo, afinal, conta com muitos golpes de chão.
Apesar de também ter conhecido Muay-Thay (boxe tailandês), Frank decidiu focar apenas no Jiu-Jitsu. Até aparecer a primeira oportunidade de participar de uma luta de Vale-Tudo, em Curitiba. A partir disso, Frank começou a se especializar cada vez mais.
A facilidade da luta como um todo é aparente. “O Vale-Tudo é uma luta muito complexa. Tem que ser bom tanto no chão, quanto em pé, tem que saber derrubar o adversário. E assim, você vai acumulando conhecimentos, aprendendo o maior número de técnicas possíveis”, explica.
Nesse processo, o lutador reconhecer quais as próprias limitações é essencial para a melhora da performance. “Sinto dificuldades na luta em pé, pois passei muito tempo focando no Jiu-Jitsu. Por isso, uma das minhas estratégias é sempre colocar o atleta no chão e, felizmente, vem apresentando um bom resultado”.
Ritmo de treinamento
Quando não tem luta marcada, Frank faz um treino por dia de aproximadamente duas horas. “Procuro me dedicar três vezes por semana ao Muay-Thay e outras três ao Vale-Tudo. Além disso, faço um treino físico e aeróbico voltado para a luta. Você tem que ter uma boa condição física para aguentar o round de cinco minutos, que pode não parecer nada, mas para nós é cansativo, pois o tempo todo você fica aplicando golpes e tentando conter o adversário”, comenta.
Em compensação, quando o confronto está marcado, a jornada se intensifica. Frank chega a treinar três vezes por dia. E o cuidado para não chegar ao overtraining (excesso de treinamento) é fundamental.
Mas o rumo dos treinamentos também depende de outro fator de peso: o adversário que virá pela frente. “Geralmente, sabemos com um mês de antecedência quem vamos enfrentar. Se eu luto com alguém que tem especialidade em Muay-Thay, por exemplo, eu tenho que treinar muito entrada de queda, para colocá-lo no chão e também bloqueios de boxe, por exemplo. Todo o treino é focado para aquele adversário específico”, explica.
Porém, os papéis a serem exercidos são vários. A vida de Frank se resume entre família, a luta e estar à frente da Academia Company, a qual é proprietário. E esse é o maior desafio: a de levar uma vida normal, além dos treinos. “Sou atleta, professor, empresário, além de cuidar da vida pessoal. Passo mais de dez horas na academia, sempre com muitas coisas pra resolver. E isso também influencia. Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito mais fácil, pois o atleta vive só para isso e assim tem mais tempo pra descansar”, ressalta.
Regra número um: disciplina
A faixa etária daqueles que procuram a luta começa entre 16 e 18 anos. Mas levar adiante é uma outra história. “Muitos não conhecem o esporte, aí se empolgam e querem treinar. Depois percebem que não é tão simples. Tem todo o glamour de ser um campeão, mas a disciplina que você tem que levar para a sua vida é muito complexa. Beber, sair, são coisas que você tem que fazer restritamente. Aliás, em qualquer esporte, se você quer ser um atleta de alto nível, a rotina a ser adotada é muito rígida”, explica.
E para aqueles que querem levar a sério, Frank já adianta: “tem que ter muita disciplina e fazer o máximo de treinos de possíveis, tanto em pé, como no chão, além da parte aeróbica. Acredito que a cabeça manda mais que o corpo e quando temos força de vontade, conseguimos chegar ao objetivo”.
Como todo atleta, a partir de certa idade, o corpo começa a não responder tão bem aos treinamentos. E no Vale-Tudo não é diferente. “As artes marciais como um todo machucam muito o atleta. E a recuperação das lesões é muito lenta. Essa é uma das dificuldades que percebo em alguns lutadores,” comenta. A pretensão de Frank, que hoje está com 35 anos, é lutar até os 40. E até lá, continuará fazendo parte da sua vida não só o Vale-Tudo, mas a disciplina, os treinos, eventos e, principalmente, o reconhecimento como um ícone da categoria.
E quem disse que “vale tudo”?
A marca UFC (Ultimate Fighting Championship) é uma das mais reconhecidas no segmento, e apresenta um forte domínio e experiência em gerenciamento de eventos esportivos ao vivo, produção de televisão e desenvolvimento de negócios auxiliares. Os eventos do Ultimate Fighting fazem parte da maior competição do mundo em artes marciais mistas, realizada entre lutadores profissionais de alto nível que utilizam disciplinas do Jiu-Jitsu, Karatê, Boxe, Kickboxing, Wrestling e outras formas de combate.
Mas para aqueles que pensam que dentro do ringue está tudo liberado, confira algumas regras estabelecidas pela UFC:
• Luvas aprovadas pela comissão;
• Não golpear na virilha ou garganta;
• Divisão por categorias/peso;
• Limite de tempo e rounds;
• Não dar cabeçada ou chutar o oponente caído no chão;
• Não dar joelhadas na cabeça do oponente caído no chão;
• Não dar cotoveladas de ponta;
• Não golpear na espinha ou na nuca.
Fonte: http://www.ufc.com