Dica de Filme
Clube da Luta
Sinopse:
Jack (Edward Norton) é um executivo yuppie que trabalha como investigador de seguros de uma grande montadora de automóveis. Ele vive muito confortavelmente, mas está em doideira progressiva e, para driblar suas crises de insônia, extravasa sua ansiedade em sessões de terapia grupal, ao lado de gente com câncer, tuberculose e outras doenças, pois é só no meio de moribundos que Jack se sente vivo e assim consegue dormir. Sua alegria só é interrompida pela chegada de Marla Singer (Helena Bonham Carter), uma viciada em heroína com idéia fixa de suicídio. Repentinamente entra na sua vida Tyler Durden (Brad Pitt), um cara ainda mais maluco que Jack. Eles se conhecem em um vôo e mal se falam, mas quando o apartamento de Jack explode misteriosamente ele vai morar com Tyler, que vive em uma mansão caindo aos pedaços. Tyler lhe oferece uma perigosa alternativa: por à prova seu instinto animalesco em combates corporais. Assim nasce o clube do título, que ganha diversos adeptos que aliviam suas tensões arrebentando cada um a cara do outro. O clube tem algumas regras rígidas: 1) Você não fala sobre Clube da Luta, 2) Você não fala sobre Clube da Luta, 3) Quando alguém disser “pare” ou perder os sentidos a luta acaba, 4) Só dois caras em cada luta, 5) Uma luta de cada vez, 6) Sem camisa, sem sapatos, 7) As lutas duram o tempo, que for necessário, 8) Se essa é a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem, que lutar. Com o tempo, Tyler demonstra, que seus planos vão além da criação do clube, uma mania, que ganha adeptos no país inteiro e assim Tyler sonha em concretizar o seu “Projeto Caos”.
Comentários:
“Ao contrário do que muitos pensam, Clube da Luta não é sobre violência, nem a banaliza. É um filme sobre ideologia, com uma crítica bem ácida sobre a sociedade moderna.
Um dos melhores filmes dos últimos tempos, do tipo que não te deixa parar de pensar, Clube da Luta vem gerando inúmeras discussões e controvérsias entre jornalistas, cinéfilos e feministas, sendo designado como fascista, machista ou, até mesmo, mera cópia da obra “Laranja Mecânica”.
Outro fator que fez com que o filme do diretor David Fincher fosse precipitadamente mau interpretado, foi o incidente ocorrido no Shopping Morumbi, em São Paulo, onde um estudante de Medicina disparou sua metralhadora na direção da platéia, durante uma seção da fita. Isso fez com que o filme saísse rapidamente de cartaz, fazendo com que muitos não o assistissem. Além de, claro, alimentar a mídia que pisoteou no filme, acusando-o de ser o responsável pelo incidente.
Porém, antes de esboçar qualquer reação, é necessário levar em consideração que o sujeito possuia problemas de conduta e personalidade, agravados desde a adolescência, além de um envolvimento com drogas. Vale lembrar também: o próprio “maluco do shopping” revelou não ter assistido ao filme (e suas testemunhas não desmentiram).
O fato é que, mesmo que o “maluco” tenha assistido ao filme 1 milhão de vezes, é de extremo mau gosto responsabilizar o “Clube da Luta”.
[* Nota: se ele estivesse numa sessão de “Orfeu”, diriam que a violência dos traficantes cariocas o inspirou, não é mesmo?]
É importante ressaltar também, a relação alardeada pela crítica entre o filme de David Fincher e “Laranja Mecânica”, o clássico de Stanley Kubrick. Os dois filmes mostram a explosão da violência como válvula de escape para o recalque provocado pela sociedade. No entanto, a comparação pára por aí.
Não se pode negar que “Clube da Luta” incite à violância ou vandalismo. E eu não nego. Pois sei que filmes deste tipo são perigosos. Mas somente às mentes pretensiosas e com tendência à destruição. Isto porque o filme nos leva à tantas reflexões, que, uma análise superficial tende à apresentá-lo como revolucionário (no sentido pejorativo da palavra). E é aí que está o perigo. Porém, o que gostaria de expor, é a minha indignação ao ver diversas críticas superficiais e precipitadas sobre o filme, mostrando o que ele na verdade não é.
Clube da Luta mostra sim, o questionamento do homem na sociedade. “Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas de cinema e do rock. Mas não seremos. E estamos aos poucos aprendendo isso”. Neste argumento do personagem Tyler Durden [Brad Pitt], vemos claramente o inconformismo, a angústia e o medo do homem ao “cair na real”, e perceber que sua vida é muito mais do que as regras que ele e a sociedade estabeleceram para viver. É quando se percebe que “(…) você não é o dinheiro que tem, nem o carro que dirige…”, e nota-se que o consumismo é algo totalmente supérfluo. E é aí que está uma das essências do filme: o questionamento das coisas supérfluas em nossas vidas. “A propaganda nos faz correr atrás de coisas, trabalhos que odiamos, para acabar comprando o que não precisamos”. São essas e outras características que se devem enxergar em “Clube da Luta”: um filme que justifica todas as acusações da influência negativa que os filmes de Hollywood têm na sociedade, particularmente entre os jovens. E não existe nada mais engraçado do que colocar Brad Pitt como o personagem anti-hollywood e Edward Norton como um cara alienado e com cara de bobo. Por falar em Pitt e Norton, é impossível negar que suas atuações foram geniais! E, sim, “Clube da Luta” é engraçado! (é perigoso que eu diga isso, pois alguns irão dizer que estou rindo da desgraça alheia, devido ao caso do “maluco do shopping”). Basta que as pessoas entendam que nem tudo o que está no filme é exatamente real. Do princípio ao fim, o filme discute o nosso perfeito “mundo moderno”, mas de um jeito diferente, através da mente do pirado Tyler Durden. Cabe à cada um decidir o que Tyler realmente era: uma alucinação de Jack?
Ou a dupla personalidade do mesmo?… Obras de arte servem para confundir, causar conflitos, reflexões. Elas não servem para explicar nada. Se explicam, e somente explicam, logo não são obras de arte.
“Clube da Luta” é assim… no final tudo faz sentido.”