O Saque para o Futuro
Inclusão social se torna uma das principais chaves na expansão da modalidade do vôlei de areia, em Indaial.
Quadras de vôlei de areia nas escolas de Indaial com alguns jogadores, entre eles, pais e alunos. Foi assim, num cenário tímido, que teve início a prática da modalidade, há cerca de quatro anos. Não demorou muito para a união fazer a força. No final do ano de 2009, com a criação de um projeto específico para o vôlei de areia, com parceria do Programa Educar pelo Esporte (Pepe) de Indaial, novos adeptos foram inserindo o esporte em seus dias. Cinco escolas e cerca de 200 alunos envolvidos são alguns números que podem ser citados atualmente.
Sonho. Esta palavra, que remete por que não dizer a uma viagem ao futuro, também integra o projeto. “Almejamos formar campeões estaduais e, por que não, brasileiros. Um dos objetivos é descobrir talentos. Se faltam oportunidades, procuramos abri-las”, afirma o professor de educação física e treinador de vôlei de areia, Jaison Pedro Fusenato.
Além dos estudantes, em média com 12 anos, a abrangência chegou aos adultos, com a organização de competições. O I Circuito Tholokko de Vôlei de Areia reúne alunos de diferentes escolas e jogadores de variados municípios. Disputada em cinco etapas e cinco categorias, nos naipes masculino e feminino, a competição superou as expectativas já nas duas primeiras realizações. Foram 137 duplas inscritas na 1ª etapa, quando se esperava a participação de apenas 60. Na 2ª etapa, mais crescimento: participação de mais de 150 duplas, de oito cidades diferentes e três duplas de Curitiba (PR). É feita a premiação em cada etapa e ao final de todas, motivando à continuação de treinamento.
A expressão “inclusão social” soa em meio a esse contexto. “Não há limite de inscrições e nem restrições. Procuramos oportunizar a participação a todos, nas diferentes faixas etárias encaixadas nas categorias”, diz o treinador. O circuito tem o patrocínio da empresa Tholokko e da Uniasselvi, que auxilia na divulgação, como também tem o envolvimento do Pepe, que é um projeto realizado pela Fundação de Esportes de Indaial, com apoio da Secretaria de Educação. Foram distribuídas camisetas, garrafas e bonés durante o circuito. A inscrição é gratuita para as crianças que fazem parte do Pepe e nas demais categorias, é cobrado um valor para a premiação.
Os frutos estão sendo colhidos aos poucos, com alguns destaques em competições regionais e estaduais. “Atletas que começaram conosco estão tendo excelentes resultados”, aponta o treinador. A expectativa para os próximos passos é abranger ainda mais as atividades, conforme a professora de educação física e coordenadora do Pepe, Joice Mariléia Correia. “O custo para prática é baixo e pretendemos abrir mais portas. Objetivamos massificar e difundir a modalidade, incentivando também a prática aos finais de semana. Além disso, queremos ampliar os polos de treinamento para o próximo ano”, complementa Jaison.
“As crianças e adolescentes envolvidos com o esporte dificilmente se perdem com o uso de drogas e bebidas alcoólicas. Muitas vezes, se ficam somente em casa, não há perspectiva. O professor faz o papel de educar. Há também a cobrança de boas notas em sala de aula. Se há indisciplina, não participa do projeto”, comenta Jaison.
A experiência do contato direto com as crianças inseridas no esporte é comentada pelo professor de educação física. “Vivencio cada treinamento e preparação para a competição. Para eles, é como se fosse uma Olimpíada. Vencer uma partida é o máximo para eles, independente de receber medalha ou não. Os alunos valorizam muito, pois para alguns, é a primeira participação em competição, no caso o Circuito de Vôlei de Areia. Lágrimas escorrem pelos rostos e a emoção é grande. Só quem vivencia para sentir como é. Cada vez mais alunos frequentam os treinos”, comenta Jaison, com um sorriso no rosto, como se estivesse em quadra com várias crianças ao seu redor.