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Vitoriosa dentro e fora das quadras

Uma carreira meteórica, com muito amor ao esporte. Assim pode ser resumida a trajetória esportiva da ex-tenista blumenauense Tatiana Buss, que já representou nosso país em muitos torneios internacionais. A vida esportiva de Tatiana começou muito cedo, aos nove anos. Mas para quem pensa que o início foi no tênis,…

21 de maio de 2010

Uma carreira meteórica, com muito amor ao esporte. Assim pode ser resumida a trajetória esportiva da ex-tenista blumenauense Tatiana Buss, que já representou nosso país em muitos torneios internacionais. A vida esportiva de Tatiana começou muito cedo, aos nove anos. Mas para quem pensa que o início foi no tênis, se engana. “Na minha casa só havia bolas de vôlei, pois meu pai era técnico e minha mãe jogadora. Devido a um problema de saúde, o médico recomendou para minha mãe procurar outro esporte que não tivesse saltos. A partir daí, o tênis entrou em minha vida”, relata Tatiana.
“No começo, eu a acompanhava para ajuntar bolinhas. O interesse pelo esporte começou a aumentar, então comecei, meio que por acaso. Aos 12 anos, eu já praticava as duas modalidades. No entanto, meu pai sempre me incentivou a jogar voleibol. Mas a paixão falou mais alto, então passei a me dedicar inteiramente ao tênis”, acrescenta.
O apoio da família foi fundamental para o sucesso de Tatiana. Seu pai conseguiu com que ela treinasse com Larri Passos, durante seis anos. Neste período, a tenista começou a conquistar alguns títulos importantes, como Campeã Estadual e Brasileira. “Também alcancei o topo do ranking júnior internacional da ITF, além de conquistar o Banana Bowl”.
A blumenauense se profissionalizou aos 16 anos. A partir daí, sua vida era o tênis, e só. “Chegava a ficar seis meses longe de casa, disputando campeonatos. Apesar da paixão pelo esporte, a saudade de casa começou a me incomodar um pouco. Com certeza, isto pesou muito na hora da minha decisão de parar, aos 19 anos”.
Tatiana diz que, apesar de todas as dificuldades, ela não se arrepende de ter passado tanto tempo longe da família. “Tive a oportunidade de disputar os mais importantes campeonatos mundias, como US Open, Roland Garros e Circuito Europeu, chegando a figurar no nº 324 do ranking mundial da WITA, a versão feminina da ATP. Neste período, muitos foram os duelos com adversárias fortes dentro de quadra. Mas, com certeza, uma partida que me marcou muito foi em 1988, numa final na cidade de Lima, no Peru. Naquele ano, o país estava passando por um golpe de estado. Havia muita tensão no ar e a final, eu joguei contra uma chilena, Macarena Miranda. O público local torceu por mim, e eu conquistei este título. Foi algo inexplicável”, conta.
Após deixar as quadras como jogadora, Tatiana foi se dedicar ao tênis, fora delas, através de um projeto, cujo objetivo é fazer o trabalho de base dentro da modalidade. “Temos como missão, em primeiro lugar, socializar. Claro que, dentre tantas crianças que ingressam, alguns talentos surgem. Mas é algo que precisa ser muito trabalhado, pois, para se fazer um tenista, é necessário o dinheiro de cinco faculdades de medicina”, diz.
O projeto na qual a ex-tenista trabalha tem três polos espalhados pela cidade. Ao total, 158 crianças fazem parte, das quais, 32 são encaminhadas para um melhor aprendizado no tênis. “Quando algum aluno se destaca, encaminhamos para que ele possa participar de campeonatos, visando o aprimoramento. Nestes polos, não somente a questão esportiva é levada em conta. Quando notamos que alguma criança tem algumas dificuldades em se socializar, trazemos para cá, para que possa ter todo o apoio. Além disso, também atendemos a terceira idade, o que nos dá um estímulo muito grande para continuar fazendo o esporte da melhor maneira possível”.
Tatiana destaca que, como o tênis é um esporte muito regrado, o retorno que se tem dos alunos é muito rápido. “A autoestima aumenta em poucas aulas. É impressionante como o tênis tem esta capacidade. Eu gostaria de poder passar um pouco mais de tempo com meus alunos, não somente dentro da quadra. Vamos continuar trabalhando para que possamos oferecer, cada vez mais, uma melhor estrutura aos nossos alunos”, enfatiza.
Perguntada sobre o que o tênis representa em sua vida, Tatiana não titubeia: “é o meu oxigênio. Eu não me arrependo de ter trocado o vôlei pelo tênis, pois não corri o risco de ter tido um pai como técnico (risos). Além disso, tenho um sonho dentro do esporte: disputar uma edição dos Jasc ao lado da minha filha, Maria Eduarda. Apesar dos 38 anos, sei que ainda tenho condições de fazer bonito dentro de quadra”, finaliza.
 

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