Além das barreiras
A deficiência visual não é motivo para deixar de competir. Entre as conquistas de Renan Oridio Farias, está a de campeão parapanamericano nos 100, 200 e 400m rasos.
Uma brincadeira no começo, uma seriedade durante, e uma determinação nos dias atuais. Assim, pode ser definido o envolvimento do blumenauense Renan Oridio Farias na modalidade de atletismo, provas de 100, 200 e 400m rasos. Ser portador de deficiência visual, devido à toxoplasmose congênita, não foi motivo para deixar de participar de competições e ir atrás de seus objetivos.
Aos 19 anos, o atleta já alcançou significativas conquistas: campeão parapanamericano Juvenil nos 100, 200 e 400m; tricampeão dos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc) nos 100 e 200m; campeão brasileiro nos 400m; 3º lugar no Campeonato Nacional nos 200m.
Foi no final do ano de 2005, a convite de um primo, que começou a treinar. “Sempre gostei de esportes, inicialmente de futebol e vôlei. Mas depois do convite, ingressei no atletismo, em Blumenau”. Posteriormente, o atleta foi competir por Itajaí, município que representa atualmente. A primeira competição foi o Parajasc, em 2006.
Convicção e determinação são as palavras que acompanham os treinos e disputas de Renan. Foi com esse espírito de saber aonde quer chegar e ir à busca disso, que afirmou: “Sonho disputar uma Olimpíada”. A rotina de treinos é focada para o alcance de objetivos. Segunda-feira é dia de treino em Itajaí; terça-feira: preparo físico, em Blumenau; quarta-feira é a vez de correr na pista do Parque Ramiro Ruediger, em Blumenau; quinta-feira: novamente preparo físico; e sexta-feira é dia de trabalho de pista, também no Parque Ramiro Ruediger.
Para este ano, a agenda integra algumas competições, em diferentes cantos do país: Etapa Regional, de 23 a 25 de abril, em Maringá (PR); 1ª Etapa Nacional, de 28 a 30 de maio, em Fortaleza (CE); 2ª Etapa Nacional, de 27 a 29 de agosto, em São Paulo (SP); Paraolimpíadas Escolares, de 01 a 06 de setembro, em São Paulo (SP); e 3ª Etapa Nacional, de 03 a 05 de dezembro, em Porto Alegre (RS).
A família é ressaltada no apoio durante o caminho percorrido. “Sem a minha família, eu não estaria aqui. É o meu equilíbrio”, destaca. Um dos momentos marcantes citados pelo atleta foi a convocação para a Seleção Juvenil. “A primeira convocação foi em junho de 2009. Não há palavras para definir isso. É muito bom. Muita ansiedade”, comenta, com entusiasmo.
“O esporte é a minha paixão. Se eu não tivesse essa paixão, teria desistido. O sofrimento faz parte”, ressalta Farias. Atualmente, também é estudante do curso de Educação Física, na Uniasselvi, e acredita que palavras como humildade e treino forte devem ser características de um atleta. “É preciso isso, para tentar chegar a um patamar bom. Também não pode faltar disciplina em nenhum atleta. Se não tiver educação e disciplina, não se chega a lugar algum”, defende.
O paratleta é enquadrado com baixa visão, nas categorias T13, a âmbito nacional e internacional, e B3, estadual. A deficiência visual foi uma das dificuldades citadas durante a trajetória esportiva. “Houve algumas limitações, mas tenho motivação e quebrei as barreiras. Se você realmente gosta do que faz, o segredo para chegar longe é treinar, treinar e treinar. Aí, você chegará à perfeição que quiser”, afirma motivado.
Em relação ao espaço do paradesporto no Brasil, Farias acredita que é necessária mais valorização. “Ainda precisamos crescer”, comenta. “Agradeço ao meu pai, toda a minha família, treinador e amigos, que estão juntos, ao meu lado, e torcem por mim”, finaliza o paradesportista.