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Medicina ou política? Por que não ambas as profissões?

Seis a cada dez crianças questionadas sobre qual profissão querem exercer quando forem adultas respondem, sem titubear, que gostariam de ser médicas. A explicação da predileção entre os futuros profissionais do país está no simples fato que atribuem ao médico a cura para todas as mazelas que atingem os indivíduos,…

29 de abril de 2010

Seis a cada dez crianças questionadas sobre qual profissão querem exercer quando forem adultas respondem, sem titubear, que gostariam de ser médicas. A explicação da predileção entre os futuros profissionais do país está no simples fato que atribuem ao médico a cura para todas as mazelas que atingem os indivíduos, atribuem aos médicos uma vida mais saudável, e assim, consequentemente, repleta de alegria, vitalidade e disposição.

Para o prefeito e médico, Paulo Maurício Pizzolatti, não foi diferente, o sonho em ser médico o acompanhou por toda a infância e juventude. “Claro que quando era jovem, na fase de adolescente, de imaturidade, quando tinha que tomar uma decisão tão importante, que iria influenciar o resto da minha vida, cogitei ter outra profissão. Isso foi naquela fase onde somos tomados por uma sensação de curiosidade, e de forma desprovida de pretensão, cogitei ser jogador de futebol ou engenheiro mecânico, até pelo fato que eu cursava o auxiliar técnico de mecânica, na época, equivalente hoje ao segundo grau. Passada esta fase, sabia para que tinha nascido. As dúvidas foram substituídas por uma única certeza. Quero salvar vidas, ajudar as pessoas, trazer novas vidas ao mundo e encher as que já existem de alegria, com a chegada de um novo bebê”, relata.

Formado na Universidade Federal de Santa Catarina, Paulo Maurício Pizzolatti concilia atualmente as profissões de médico e prefeito. “Isso só é possível, pois estou cercado de profissionais competentes, que me auxiliam em ambos os casos e pelo apoio de minha família. Minha agenda é rigorosamente planejada. Acordo todos os dias bem cedo, tomo meu café e já saio correndo. Chego à Prefeitura depois das 07h e só paro para almoçar, quando estou em Pomerode, ou seja, quando não tenho nenhum compromisso fora do município. Tento não abrir mão do almoço em família, é quando consigo reunir meus filhos e minha esposa. Depois saio correndo novamente, volto para a Prefeitura, onde fico até às 18h. Logo após, vou direto para o Hospital ou para o consultório, dependendo se a prioridade são as consultas agendadas ou alguma paciente hospitalizada. Atendo muitas vezes até às 22h, isso quando o telefone não toca durante a madrugada, daí, começa tudo novamente”, explica.

O ex-presidente e médico urulogista, Juscelino Kubitschek, é tido como um exemplo para o prefeito Paulo Maurício Pizzolatti, que lembra que ainda na época das campanhas que antecederem os dois pleitos em que ele concorreu, duas situações interessantes ocorreram. Uma delas foi que um grande número de suas pacientes dizia que não votaria nele, pois não queria perdê-lo como médico. A outra foi que muitas pessoas desacreditavam que ele fosse conciliar por muito tempo a dura e cansativa rotina. “Quanto fiquei sabendo destes dois casos, repetia para mim mentalmente a frase imortalizada de Jean Cocteau, e sem saber que era impossível, ele foi lá e fez. A dificuldade está em empecilhos que as pessoas mesmas colocam em seus caminhos. Quando começamos algo já temendo o fracasso, a probabilidade que não dê certo é muito grande. Quando entramos de cabeça naquilo que nos comprometemos a fazer, o sucesso é consequência”.

Por várias vezes já teve que responder o que é mais fácil, ser médico ou prefeito? “Ser médico, sem dúvida. A medicina necessita de preparo técnico e específico, mas é focada em um único segmento. Na Gestão Pública os problemas são mais amplos, desde infraestrutura, sociais e educacionais. Estou prefeito há um ano e três meses, em contrapartida, sou médico há mais de 20 anos. Já realizei cerca de 8.000 partos. Amo a medicina e é muito difícil viver sem ela. Ser prefeito de Pomerode foi um presente e despertou um lado politizado que há muito tempo demonstrava força em minha personalidade e caráter. O segredo é conciliar as duas profissões, tendo em comum, a paixão pela comunidade pomerodense”.

Paulo Maurício Pizzolatti salienta ainda que a população também sabe separar suas duas profissões, e que os pais, quando estão no consultório realizando um pré-natal, ou suas pacientes, quando estão fazendo uma consulta de rotina, não cobram questões relacionadas à Administração Pública. Da mesma forma, relata que os munícipes que o procuram na Prefeitura não o fazem para esclarecimentos médicos.

Questionado se não seria mais adequando que um prefeito fosse, por exemplo, um Administrador, responde afirmando: “A medicina está totalmente relacionada à política. Explico. Em meados do século dezenove, a medicina sofreu uma grande mudança, tanto na sua forma de compreensão quanto no seu modo de intervenção. O foco mudou. Deixamos de ver como prioridade a doença e passamos a primar pela cura. Para que isso fosse possível, passa a ser analisado pela área médica o meio ambiente, a natureza e a sociedade em que o homem vive, é quando surge uma maior preocupação com as questões sociais e a medicina, passa assim, a ser uma ciência do social, penetrando na sociedade, bem como, nas instituições, tornando-se completamente política”.

O médico-prefeito diz ainda que mesmo atuando há anos na área da saúde, não diminui a importância de outras áreas, como por exemplo, a educação. “Tenho um carinho muito especial por todas as questões relacionadas à formação. Depois, vivemos em uma sociedade que cobra cada vez mais que cargos públicos sejam ocupados por cidadãos politizados e com acesso à educação, através do estudo e de políticas de gestão e de qualidade”.

Finalizando a entrevista, Paulo Maurício Pizzolatti diz que se sente extremamente realizado profissionalmente quando uma das crianças que ele trouxe ao mundo cresce e se torna um cidadão de bem, com um bom emprego, com valores e princípios solidificados, e que dá o seu retorno à sociedade, que contribui com o desenvolvimento social. “O bom em ser prefeito é que tenho uma maior proximidade com estas ações e resultados na comunidade. Acabo encontrando naquela criança que ajudei a nascer, o reconhecimento médico e valorização do trabalho despendido”.

Em suas considerações finais, Paulo Mauricio Pizzolatti deixa a seguinte mensagem: “Quando se trabalha com amor e dedicação o esforço acaba sendo compensado e resulta em satisfação. Agradeço imensamente a comunidade de Pomerode a confiança depositada em meu trabalho nestes anos, como médico e também, agora, como prefeito”.
 

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