Economia
Novamente a POLÍTICA
Por Gerson Schubert
Vários meios de comunicação noticiaram o uso da máquina pública e da distribuição de recursos para interesses políticos pelo ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima. Para quem ainda não pegou o assunto: um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) aponta que entre os anos de 2004 e 2009, os municípios baianos abocanharam R$ 357,9 milhões dos recursos do Ministério, o que equivale a 37% do total liberado no período. Nos exercícios de 2008 e 2009, a Bahia foi contemplada com 65% dos repasses. No mesmo período, Santa Catarina e outros 18 Estados receberam apenas 3% das transferências. O TCU questiona a “ausência de critérios objetivos para transferência de recursos”. Em resposta às críticas, o Ministério da Integração Nacional explicou que a liberação de verbas ocorre conforme o número de projetos apresentados. Os municípios da Bahia teriam enviado mais que os outros. Além disso, o Nordeste seria uma das prioridades da pasta. Já o Presidente Lula classificou a notícia como “joguinho político pequeno” e “leviandade de quem falou”.
Já havia comentado sobre este assunto quando houve um corte de R$ 170 milhões nas verbas para prevenção a desastres para Santa Catarina. Enquanto não nos conscientizarmos de todas as reformas necessárias para o Brasil, ficaremos sempre chocados com este tipo de notícias. Foi necessário um Senador levantar a mão e pedir o estudo da destinação dos recursos. Foi necessário mais um desastre ambiental – desta vez no Rio de Janeiro. Foram necessários milhares de cariocas saírem às ruas para tentar derrubar a alteração da partilha dos royalties. Serão necessários ainda muitos acontecimentos para que algo de fato aconteça. Tal como consta na estória do filme O Dia em que a Terra Parou “o ser humano só muda quando está à beira da destruição”. Acho que não precisamos deixar chegar a este ponto!
Timbó e Jaraguá do Sul sempre se referem a Pomerode como um município de sorte por ter um representante na esfera federal e outro a nível estadual (João Pizzolatti e Gilmar Knaesel, respectivamente). Sempre que possível eles enviam recursos para nossa cidade. Sempre que precisamos, temos a quem recorrer. E por que nossos referidos vizinhos gostariam do mesmo? Porque sabem que assim conseguem maior influência política, aprovação de projetos e dinheiro para trabalhar. Independente do imposto a ser repartido, ou se o recurso parte de Ministério ou de Emenda Parlamentar, já está mais do que hora organizar esta bagunça, através de REFORMAS. Para as próximas eleições – e isso vale para todos os brasileiros, de baianos à pomerodenses – vamos tentar não pensar apenas no nosso umbigo, mas em algo maior, algo que beneficie todos os entes federados do Brasil.