Pedalar para o futuro
Com 16 anos, Letícia Rocha iniciou sua participação na modalidade de mountain bike este ano e já obteve resultados significativos.
Com 16 anos, Letícia Rocha iniciou sua participação na modalidade de mountain bike este ano e já obteve resultados significativos. Devido ao incentivo também dos irmãos e do pai ciclistas, treina há três anos. Mas suas participações em competições foram apenas este ano.
A pomerodense foi a única selecionada de Santa Catarina para o Projeto Red Bull Under My Wing – Jaqueline Mourão. O Projeto deu a chance a 30 mulheres, de 16 a 21 anos, de participar de um final de semana ao lado de Jaque Mourão.
Jaqueline Mourão teve duas participações em Jogos Olímpicos e outras diversas em etapas da Copa do Mundo e aposta em dar asas à nova e promissora geração feminina do mountain bike.
Letícia contou à redação do Jornal de Pomerode como foi a experiência e suas perspectivas daqui adiante.
JP Esporte – Conte como foi o final de semana ao lado de Jaqueline Mourão.
Letícia – Bom, a Jaque Mourão foi a primeira mulher a representar o Brasil em Olimpíadas na modalidade de mountain bike. Como ela se aposentou, o Projeto encaminha a segunda mulher brasileira. Foi um final de semana maravilhoso. Aprendi muita coisa. Adquiri bastante conhecimento e experiência.
As atividades foram realizadas de 29 a 31 de maio, em Belo Horizonte (MG). Aprender sobre mecânica da bike; realizar os testes fisioterápico e antropométrico; assistir à palestras sobre nutrição, psicologia esportiva e marketing esportivo; e pedalar em grupo foram algumas práticas desenvolvidas. Para encerrar o final de semana, fizemos 20 km de pedal com a Jaque Mourão.
Fomos avaliadas em termos de postura, comportamento e organização. Todos os dados de cada atleta participante estão sendo analisados e em agosto será divulgada a menina destaque. A vencedora ganhará uma bike e terá direito a participar da Copa Internacional Sundown de Mountain Bike, em Minas Gerais.
JPE – Como foi a seleção para o Projeto Red Bull Under My Wing – Jaqueline Mourão?
L – Uma amiga de São Paulo me falou sobre as inscrições para o Projeto e logo me interessei. Comentei com meus pais e fiz a inscrição. O resultado da seleção foi no dia 18 de maio. Fiquei muito feliz quando soube.
JPE – Quando começou sua trajetória de ciclista e como foi?
L – Comecei há três anos pelo incentivo de meu pai, Hilário Rocha, e irmãos, José Carlos Rocha e Luiz Carlos Rocha, que também eram ciclistas na época. Mas este ano é que iniciei a participação em competições. Participei da 1ª etapa do Circuito 4 Estações, em Rio do Sul, no dia 01 de março, na qual fui campeã; e da 2ª etapa, que foi no dia 17 de maio, na qual fiquei em 2º lugar. Atualmente, lidero o ranking. E agora, veio essa oportunidade do Projeto com a Jaque Mourão.
Na verdade, eu sempre quis competir. No início, tinha gente que duvidava e me questionava. Tinha alguns apoios sim. Mas eu sempre acreditei nos meus sonhos e isso é muito importante.
Foi esse ano também que surgiu meu sonho de ser a segunda mulher brasileira a representar o Brasil. Agora, é muita garra e luta para melhorar cada vez mais e alcançar os objetivos.
JPE – Como funcionam seus treinos?
L – Além de treinar terças, quintas, sextas, sábados e domingos, nado e corro para ajudar no ciclismo. Faço trajetos diferentes como de Pomerode a Blumenau ou Pomerode a Timbó. Em alguns dias faço giro para adquirir resistência, em outros subo morros ou pedalo no plano e assim vou alternando. Treino sozinha.
JPE – Na sua opinião, o mountain bike feminino pode crescer em Santa Catarina e no Brasil?
L – Sim. Essa modalidade tem pouquíssimas praticantes em Santa Catarina e mesmo no Brasil. Esse esporte pode crescer, porque é até indicado pelos médicos. Proporciona o contato com a natureza, condicionamento físico e cria círculos de amigos.
Conheci muitos lugares na minha vida por causa da bike. As pessoas que praticam o esporte em geral, são mais alegres e sabem lidar melhor com os problemas, pois são encontrados obstáculos durante as disputas.
JPE – O que significa o esporte em sua vida?
L – Amo o esporte. Quando pedalo penso na vida, tenho ideias e, posteriormente, consigo resolver problemas com mais facilidade. É um estilo de vida. Essa paixão está no sangue.
O importante é você fazer o que gosta, não pelo dinheiro e pela fama. Precisamos acreditar em nós mesmos. Sempre tive o apoio da minha família e agradeço por isso. Também agradeço minha amiga Isadora por ter indicado a inscrição no Projeto.
Acredito que dê para conciliar estudo, trabalho e esporte. É necessário deixar espaço para cada coisa em nossa vida.