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Mamãe querida

Em comemoração ao dia das mães, moradora de Pomerode faz homenagem à mãe, que hoje que sofre de Mal de Alzheimer, e afirma que só o amor é capaz de superar obstáculos

1 de junho de 2015

União e amor são as palavras que descrevem o que se encontra na casa de Zanir de Oliveira. É uma amigável senhora de 53 anos, que carrega consigo um bem sincero e precioso, que apenas quem sente a vida de modo intenso o possui, chamado emoção. Queria prestar uma homenagem a mãe e entrou em contato com o JP, oferecendo uma pauta para o Dia das Mães e comoveu com sua história.

Hoje, Zanir que gerou três filhos, Geison, Nei e Thiago, se tornou também a mãe da própria mãe, a Dona Beatriz, que sofre do mal de Alzheimer há quase uma década. Para contar a história, vamos voltar 42 anos da vida de Zanir, época de sua infância, marcada por muita pobreza e dificuldades.

A mãe Beatriz trabalhava junto com o marido cortando pedras, em uma rotina bastante puxada e cansativa. Além de Zanir, o casal teve mais dois filhos e o dinheiro era curto para sustentar a família. Apenas aos domingos a família podia aproveitar um pouco a vida ao se deliciar com as famosas macarronadas de Beatriz. Zanir se lembra desses dias com um sorriso no rosto, em meio a tantas lágrimas derramadas durante a entrevista. As celebrações festivas também animavam a família. Na páscoa, a mãe pintava os ovos e os enchia com amendoins. Chocolate não tínhamos condições de comprar, então a gente se contentava com os amendoins, recorda-se. Outra data importante era o natal, quando ganhavam os poucos brinquedos, algumas roupas e outras coisinhas que fazem bem à alma, como o pinheiro enfeitado com velas, no qual todos se ajoelhavam e oravam com a regência do pai.

Quando tinha 11 anos Zanir arrumou um emprego. Ela tinha longos cabelos e um dia, durante o expediente, teve uma mecha puxada por uma máquina, arrancando parte do couro cabeludo. Foi um susto, a menina foi levada as pressas para o hospital e ficou em coma por 24 horas. A mãe, embora muito assustada com a situação, esteve do lado dela o tempo todo.

Em um dia comum, Beatriz, que nunca saia da região, sequer para visitar a mãe e as irmãs, que viviam em Balneário Camboriú, devido a falta de recursos financeiros, estava em seu trabalho cortando pedras quando alguém gritou Telegrama e ao abrir a carta havia apenas uma mensagem seca e direita Sua mãe faleceu. Beatriz parou o que fazia, sentou-se em uma pedra e chorou como um frágil passarinho. Não pode sequer ir no velório. Zanir também se recorda de quando descobriram que o pai estava com câncer. Descobriram tarde demais, já estava avançada e apenas quatro meses depois o pai faleceu. Nesse curto período, Zanir esteve ao lado da família, foi nesse momento em que o pai profetizou que a filha estaria sempre ao lado dos pais. Ele dizia que Zanir era a filha escolhida para cuidar dos pais quando eles precisassem. E ela cuidou.

A alegria de Beatriz era cuidar dos netos. Eram muito unidos e ficaram ainda mais depois da morte do avô. Beatriz passou a sair mais. A filha a levava para Camboriú e ela passava o mês com as irmãs. Mas a saudade batia e logo a buscavam. Nesse período, Zanir disse à mãe que não se importaria que ela arrumasse outra pessoa e ela arrumou. Reencontrou um antigo conhecido e os dois se apaixonaram novamente, se casando em pouquíssimo tempo. Porém a vida colocou Beatriz a prova novamente e o novo marido faleceu meses após o casamento.

Depois disso, Beatriz começou a dar sinais do desenvolvimento da doença. Trocava nomes, esquecia coisas. Quando Zanir fez Bodas de Prata, Beatriz se confundia e acreditava que era o neto que estava para se casar. Avisavam que não era, mas alguns instantes depois ela esquecia e falava do casamento do neto. No começo, a família não compreendia que se tratava de uma doença tão séria e até achavam graça. Mas a situação foi se agravando até o dia em que Beatriz não dormiu por três dias seguidos. Ela deitava levantava, arrumava a cama e ficava sentada.

O médico que a atendia, até então, dizia que se tratavam de esquecimentos devidos a idade e não indicou um tratamento adequado. Quando trocaram de médico, veio o diagnóstico de Alzheimer em estado avançado, ou seja, não havia mais tratamento que pudesse controlar o problema. Os esquecimentos se agravaram e outras situações também. Zanir esteve ali o tempo todo, ela recorda que muita gente ajudou, como os filhos, as noras Marília e Pammela e o marido Isack, mas muita gente virou as costas para o problema, o que lhe causou muita tristeza.

Hoje Beatriz não anda e nem fala mais. Passa o dia deitada e é alimentada a cada três horas pela filha. É como se tivesse voltado a ser um bebê, até toma bebidas na mamadeira. A vizinha, Juraci também ajuda como pode, sempre leva polenta e banana para a antiga amiga. Quando cuidamos de bebês, sabemos que será temporário, que estamos ajudando a desenvolver uma pessoa. É completamente diferente quando se cuida de alguém que já está no fim da vida, fala Zanir.

Quando Zanir a trata com carinho e pede beijos, ela demonstra alegria sorri. Teve um dia que entrou um passarinho na casa, e quando se deram conta o animal estava pousado no braço direito de Beatriz. Deve ter percebido o quanto ela é amada.

A rotina dessa família é assim. Os médicos dizem que Beatriz só está vivendo assim por tanto tempo (está de cama há 2 anos), devido a boa alimentação e ao amor que recebe. De manhã, antes do café, Zanir dá um beijo de bom dia para mãe e todas as noites, antes de dormir, assim como um mantra diz. Boa noite mãe, dorme bem, sonha com os anjinhos e com Jesus também. Amém.

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