Geral

As chamas

Colégio Sinodal Doutor Blumenau

5 de maio de 2009

Colégio Sinodal Doutor Blumenau

Estava sentada sobre as rochas. Naquela pequena floresta perto de casa. Ela ia para lá todo sábado. Kelly simplesmente AMAVA observar os animais de seu pequeno esconderijo. Passava à tarde lá. O dia todo.
Lá ela conseguia pensar direito. Pensar como a Kelly. Não como a irmã da Kelly. A amiga da Kelly. Ou a mãe da Kelly. Ela conseguia ser ela mesma.
Seus dedos frios se direcionaram a sua boca seca. Comia. Sanduíche. Presunto com queijo. Sua mãe que havia preparado. Já estava quase escurecendo. Os animais a ir dormir. E a pequena Kelly a ir para casa.
Lá os problemas ressurgiam. Lá “aquela” Kelly, a verdadeira Kelly sumiria. Só voltaria semana que vem. Suas inseguranças voltariam. Escuro. Sua mãe a mataria. Com certeza. Ela não podia ficar fora até tão tarde. Mas ela não queria voltar.
Um cheiro forte. Parecia o cheiro do irmão depois da festa. Cigarro. Ela começou a juntar suas coisas devagar. Mais devagar. Assim demoraria mais para chegar. Devagar. A bronca seria infinita. Ela não ligava.
O cheiro forte envolvia suas narinas. Alguém fez churrasco? Caminhava devagar. Fitando cada árvore ao seu redor. Respirava fundo. Se não fosse por aquele cheiro, tudo seria perfeito. Como todo sábado.
Uma névoa. O cheiro mais forte. Não poderia, aquilo, ser uma névoa! NUNCA havia névoa ali… caminhava mais rápido. Mais névoa. Era quente. Caminhava enquanto a cercava. Ficava mais densa. Tossia.
O cheiro. O que era aquele cheiro? Parou. Não podia caminhar mais. Não enxergava mais nada. Gritava. A mãe poderia ouvi-la… ela não poderia estar tão longo! Poderia?
Fumaça! Aquilo era fumaça! Ficava cada vez mais densa. Quente. FOGO!
O coração da Kelly batia. Batia forte. Era a hora. Uma simples caminhada pela floresta. Ela temia que não iria voltar. Gritou mais alto.
Correu. Não sabia para onde. Mas correu. Correu muito. Correu longe. Correu. Sua respiração era forte, rápida. Poderá estar perto? Estar longe? A fumaça só dificultava sua respiração. Agonia. Tentou dar um suspiro.
Foi quando vi as chamas. Eram grandes. Majestosas. Alaranjadas. Vermelhas. Ela só as observava. Não conseguiu mover nem mais um músculo. Era quente. Muito quente… mas ela se sentia segura. Estranhamente segura?!
Tudo já estava queimado. Preto. Negro. E mais preto.
Um barulho! Mas escuridão. Preto. Preto e vermelho. As chamas se misturavam com o céu. Barulho. A escuridão. Com se estivesse os olhos fechados. Mas o barulho ainda zoava. Não havia mais chamas. Sem fumaça. Nenhum cheiro. Apenas um barulho. Era suave. Como um sino. Um pequeno sino. Pássaros! Pequenos pássaros!
Ela abriu os olhos. Não havia chamas. Não havia fumaça. Não estava preto. Só verde. Verde forte. Árvores. Céu azul.
Era apenas um sonho. O pesadelo.
Anny Angelina Carolin Edvall – 9º Ano E.F

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