Geral

Partos em adolescentes caem 26,7% em dez anos

Maior acesso a contraceptivos e ações preventivas e informativas nas escolas foram alguns dos responsáveis para redução no número de partos realizados pelo SUS.

4 de outubro de 2008

Maior acesso a contraceptivos e ações preventivas e informativas nas escolas foram alguns dos responsáveis para redução no número de partos realizados pelo SUS.


Entre 1997 e 2007, o número de partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em adolescentes de 10 a 19 anos caiu 26,7%. Dados do Ministério da Saúde (MS) revelam que, em 1997, foram 720.338 partos em adolescentes nessa faixa etária. Em 2007, este número caiu para 527.341. Até julho de 2008, foram realizados 275.892 partos pelo SUS em jovens e adolescentes nessa faixa etária.


A coordenadora da Área Técnica da Saúde do Adolescente e do Jovem do MS, Thereza de Lamare, explica que a redução no número de partos de adolescentes está relacionada a uma série de políticas adotas pelo Ministério como maior acesso aos métodos contraceptivos; aumento nessa década da cobertura do Programa Saúde da Família, que leva informações relacionadas à vida sexual e saúde reprodutiva a comunidades da capital e de cidades do interior; ações preventivas e de orientação nas escolas públicas; aumento na capacitação de equipes de saúde para lidar com a saúde sexual e reprodutiva de jovens e de adolescentes e difusão da informação para o público-alvo.


A região Sul apresentou a maior redução no número de partos em jovens e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos. Em 1997, ocorreram 90.759 partos no Sul, contra 58.448, em 2007 ? queda de 35,6%. Em seguida, estão as regiões Centro-Oeste (34,1%), Sudeste (32,4%), Nordeste (22,6%) e, por último, a região Norte (6,7%), com a menor redução.


Thereza de Lamare explica que fatores como a desigualdade de gênero, desigualdade de raça/etnia, falta de oportunidade, as condições de vida e a situação socioeconômica das adolescentes, podem levar a gravidez. “Por causa da dificuldade de escolarização e o despreparo para o mercado de trabalho, muitas jovens optam pelo casamento, pela constituição de uma família para ser inserida na sociedade”. Thereza também lembra que um bom atendimento de saúde local, captação precoce das adolescentes grávidas, assistência no pré-natal e informação são importantes para reduzir a vulnerabilidade dessas jovens.


A incidência de gravidez é maior nas adolescentes negras, com baixo poder aquisitivo e com baixa escolaridade. Em 2004, a taxa nacional de nascimentos por mil mulheres com idade entre 10 e 19 anos para a população negra foi 30% mais elevada que a observada na população branca. A maior parte dos nascimentos cujas mães eram adolescentes foi de bebês de cor negra (329.616, o que corresponde a 54,4%).

Notícias relacionadas