As coisas podem ser para sempre
Colégio Sinodal Doutor Blumenau
Colégio Sinodal Doutor Blumenau
Em todas as escolas, sempre há alguém que gosta muito de escrever. Na nossa escola não é diferente. A aluna Jéssia Zilz, do 1º. ano do Ensino Médio é um exemplo disso. Confira um dos textos que ela escreveu para o JP Escola.
Nada na vida é por acaso, as coisas acontecem por alguma razão. O tempo passa e sempre ficamos nos lamentando pelo que não fizemos. Talvez realmente eu não tivesse muitas chances, mas isso não seria uma desculpa. Aliás, arrumo desculpas para tudo desde pequeno. Quando era pequeno meu sonho era ser aviador, era fascinado por aviões. Apesar de nunca ter visto um de perto, falava todos os dias em aviões. Ganhava aviões pequenos no Natal e em meu aniversário.
Na escola eu sempre falei muito dos aviões e como funcionavam. Quando perguntavam o que eu seria no futuro eu dizia: “piloto de avião!”. “Sonhos não se realizam”, foi o que disse, meu amigo da quinta série. Lembro que nesse dia chorei, pois eu tinha um sonho e não fazia nada por isso, nem sequer tinha visto um avião, como poderia virar um piloto?
Mas realmente há pessoas na vida da gente que marcam. Meu avô foi uma delas. Já havia pedido para meu pai me levar para ver os aviões, mas nunca me levou. E acho que nunca me levou, pois não acreditava em mim, e não queria que eu me iludisse com falsos sonhos. Porém meu avô acreditou em mim, e mesmo que talvez não tivesse acreditado, ele me fez feliz naquele instante. Lembro de tudo como se fosse hoje. Há coisas que realmente marcam a nossa vida.
Tinha 11 anos, em uma tarde de sábado meu avô, que já era viúvo, veio nos visitar. Ele vinha com seu carro velho todo sorridente e eu corri para abrir o portão. Quando desceu do carro me deu um forte abraço, e caminhamos juntos em direção à porta da casa. Ele cumprimentou meu pai e minha mãe e logo foi para a sala onde ficava a televisão com meu pai, e eu fui junto, mas meu avô pediu que eu ficasse na cozinha com minha mãe.
Fiquei na verdade escondido na entrada da sala tentando ouvir o que meu avô falaria com meu pai. Ouví-lo dizer alguma coisa sobre aeroporto, cidade vizinha e ouvi meu pai reclamar dizendo que não. Não estava entendendo direito, mas gostei de ouvir a palavra aeroporto. Até que meu pai disse ao meu avô que tudo bem, porém só daquela vez, e eles se levantaram e eu saí correndo para a cozinha com minha mãe.
Quando eles chegaram à cozinha, meu avô mandou eu me arrumar dizendo que íamos dar um passeio. Saí correndo para meu quarto imaginando para onde íamos. Será que realmente eu ouvi a palavra aeroporto? Vesti-me o mais rápido que pude e fui em direção à cozinha, lá estava meu avô com um largo sorriso em seu rosto. Ele simplesmente disse “vamos” e saímos em direção ao carro.
No caminho criei coragem e perguntei para onde estávamos indo. Ele disse que era uma surpresa, e que logo estávamos chegando. Meu coração batia muito forte, já tinha quase certeza de que ele estava me levando para um aeroporto. Só de pensar que eu veria os aviões dos quais eu tanto falava, para os quais eu direcionei tanto tempo de minha infância, fico emocionado. Realmente estava muito feliz, e agora acreditava que sonhos realmente se realizam. Se meu sonho de ver um avião se realizava, por que o meu sonho de me tornar um piloto não poderia se realizar também? Só sei que naquele momento estava muito feliz e muito grato pelo que meu avô estava fazendo por mim. Mas, e se eu tivesse entendido errado? Será que ele falou realmente aeroporto? “Calma, relaxa”, disse meu avô, “já estamos chegando”.
Ouvi um barulho de motores. Motores de avião! Agora eu já via, tinha um grande sorriso estampado em meu rosto. E meu avô esboçava a mesma reação. Desci do carro e me ajoelhei no chão, fiquei um tempão contemplando aquilo que eu tanto desejei, agora estava diante de meus olhos. Quando pude me mexer de novo abracei meu avô e chorei, agradeci a ele entre soluços de um choro de felicidade. Ficamos horas observando, até que quando já estava escuro, meu avô falou que estava na hora de ir. Concordei. Como podia contrariar o homem que realizou um de meus sonhos? Só tinha a agradecer!
Hoje, quando já realizei o meu maior sonho, me recordo disso e ainda choro, choro muito. Há realmente momentos e pessoas que são inesquecíveis em nossas vidas. Se alguém algum dia disse que nada é para sempre mentiu ou não sabia do que estava falando, essas lembranças para sempre estarão guardadas em minha memória e mesmo quando eu morrer aqui estarão elas registradas para todo o sempre.