Um salto de qualidade na Educação
Numa semana em que a educação dominou a pauta e os debates no Senado, com resultados que vão representar mais recursos para esta área e melhores salários para os professores, a senadora de Santa Catarina, Ideli Salvatti (PT), tem realmente motivos para comemorar e se emocionar. Dos seis projetos relacionados à educação e aprovados nesta última semana pelo Senado, três são de sua autoria; e nos outros três, ela teve participação decisiva para que fossem aprovados, como a relatoria do projeto que criou o piso nacional de R$ 950,00 para os professores da educação básica. Com uma trajetória ligada à educação, com a atuação que mantém nesta área e com os resultados que obteve na última semana, a senadora Ideli ! Salvatti vai se consolidando cada vez mais como a senadora da educação.
Esta semana representa um marco para a educação?
Senadora Ideli Salvatti:
Com certeza. Esta foi uma semana que vai ficar para a história do Senado, para a educação brasileira e para a minha vida política. Foi a semana da educação. Estou certa que com a aprovação da minha Proposta de Emenda Constitucional (PEC 96/2003), que retira a educação da DRU, e com a criação do piso para os professores, a educação brasileira vai dar um salto de qualidade sem precedentes. Me sinto realmente muito contente e realizada.
O que vai significar, na prática, a retirada da educação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), proposta que a senhora apresentou no Senado em 2003 e que agora foi aprovada?
Senadora Ideli Salvatti:
A DRU é aquele instrumento que está na Constituição e que autoriza o governo a desvincular 20% de todos os tributos condicionados a gastos específicos – exceto as contribuições patronais e dos empregados para a Previdência – e destinar para outros gastos considerados mais urgentes. O mecanismo foi criado em 1994, na primeira gestão de Fernando Henrique Cardoso, para dar ao governo maior flexibilidade no sentido de enfrentar a crise que acontecia naquele momento. Com isto, já foi retirado da educação R$ 72 bilhões que poderiam ter sido aplicados nesta área ao longo destes últimos an! os. Para se ter uma idéia do que isto significa, só em 2008 poderíamos ter R$ 7 bilhões a mais para investir na educação. Por isso, a retirada da educação da DRU foi uma grande vitória. Imagine que este tema era uma das principais bandeiras da União Nacional dos Estudantes (UNE) há muitos e muitos anos. Vamos agora esperar a votação desta proposta na Câmara.
E no mesmo dia foi aprovado no Senado o projeto que cria o piso nacional para os professores, cuja relatoria foi feita pela senhora. Que dia, hein?!
Senadora Ideli Salvatti:
Pois é, foi só alegria, pois no mesmo dia aprovamos esta outra reivindicação histórica que é o piso salarial nacional para o magistério; desde 1989 que os professores lutam por este piso. Inclusive, no dia seguinte à aprovação, fomos pessoalmente entregar o projeto de criação do piso para o presidente Lula, que agora vai sancioná-lo. O piso vai virar lei. Ele será de R$ 950,00 por mês e é para todos os professores da educação básica, em início de carreira, que têm nível médio e carga horária de 40 horas. Este valor também é para os aposentados. O reajuste será concedido integralmente a partir de janeiro de 2010. ! Até lá, os profissionais irão receber um terço da diferença entre o valor pago e o da proposta, a cada ano, retroativamente desde janeiro de 2008. Além disso, no mínimo um terço das 40 horas deverá ser reservado a atividades extra-classe, destinadas a correção de provas, preparação de aulas e qualificação profissional. É realmente uma vitória histórica para os professores, para aqueles que se dedicam e lutam há anos pela valorização educação e da escola pública. O piso vai beneficiar 60% dos professores no nosso país, ou seja, cerca de um milhão e meio de professores. Eu ouso dizer que o piso nacional do magistério é equivalente à instituição do salário mínimo, porque vai ser o grande resgate da educação, a valorização dos profissionais do magistério. É o início, o passo mais concreto que podemos dar para alcançar um sistema único de educação no nosso país, que ainda não temos.
Na mesma semana, o Senado já tinha aprovado outros três projetos de sua autoria, dois também na área da educação e um na área da cultura. Qual a importância destes projetos?
Senadora Ideli Salvatti:
Um deles cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento dos Museus, que terá o objetivo de apoiar projetos nesta área. Inclusive, o governo federal já confirmou uma dotação de R$ 160 milhões para os museus neste ano, recursos que serão fundamentais para os mais de 2.500 museus ou instituições semelhantes que necessitam de apoio financeiro. O segundo trata da democratização efetiva das nossas escolas públicas, com a adoção da eleição direta para diretores de escola. É também uma reivindicação antiga, muitos estados e municípios já adotam o processo de eleição nas escolas. Entendemos que isto deve ser a regra, até porque a gestão democ! rática nas escolas está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. O outro projeto é o que estabelece uma cota mínima de 50% das vagas em universidades federais e nas escolas técnicas federais (CEFETs, etc.) para alunos que vêm das escolas públicas. Acreditamos que estas instituições devem estar prioritariamente voltadas para os que não têm condições de pagar e têm direito a um ensino público e de qualidade. Portanto, a reserva destes 50%, no mínimo, para alunos que vêm das escolas públicas é uma forma de fazer esta vinculação com quem mais precisa.
Por falar em universidades e CEFETs, foi aprovada ainda a criação de novos cargos para contratação de professores e técnicos administrativos nas universidades e instituições federais de educação profissional e tecnológica. Isto tem a ver com Santa Catarina também?
Senadora Ideli:
Claro. São dois projetos, também aprovados pelo Senado na quarta-feira, 02/07, que, juntos, criam 49.025 novos cargos para as universidades e para as instituições federais de educação profissional e tecnológica (CEFETs, escolas agrotécnicas, etc). É isto que vai ajudar a assegurar os profissionais necessários para a expansão da UFSC e para as novas unidades do CEFET no nosso Estado. Vamos ter três novos campi da UFSC: em Araranguá, Curitibanos e Joinville. Quanto aos CEFETs, eram apenas três em 2005 (Florianópolis, São José e Jaraguá do Sul); em 2006 foram criados mais quatro (Continente/Florianópolis, Chapecó, Joinville e Araranguá); e até 2010 serão concluídos mais nove: Lages (com extensão em Urupema), São Miguel do Oeste, Itajaí, Videira (com extensão em Caçador), Criciúma (com extensão em Içara), Gaspar, Canoinhas, Ibirama e Palhoça. Desde 2005, eu tenho apresentado emendas parlamentares que estão contribuindo para este crescimento dos CEFETs em Santa Catarina; até 2007, foram R$ 39,2 milhões em emendas para a educação profissional e tecnológica no nosso Estado. Esta expansão vai garantir a criação de milhares de novas vagas na educação de nível médio e superior, gratuita e de qualidade, para que os estudantes catarinenses possam se qualificar e assim ter melhores oportunidades no mercado de trabalho.