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88 anos de uma história atrelada à Justiça

A Justiça é cega, mas enxerga no escuro. Nesse universo viveu o pomerodense Curt A. Weege, morador da Rua Luiz Abry, que completou no dia 24/07, 88 anos, sendo que desses, 30 foram dedicados ao Poder Judiciário Catarinense. A história deste ex-dono de um "Secos e Molhados", que trabalho na…

29 de julho de 2011

A Justiça é cega, mas enxerga no escuro. Nesse universo viveu o pomerodense Curt A. Weege, morador da Rua Luiz Abry, que completou no dia 24/07, 88 anos, sendo que desses, 30 foram dedicados ao Poder Judiciário Catarinense.
A história deste ex-dono de um "Secos e Molhados", que trabalho na indústria e plantou arroz e fumo se confunde com a história da Comarca de Pomerode.
Criada em 1963, quatro anos após a emancipação política do município, teve como primeiro oficial de justiça, o pomerodense Curt. Ele foi o único profissional nativo dos quatro que trabalhavam na Comarca, que na época ficava na sede do poder Executivo, no prédio da antiga prefeitura, na Rua XV de novembro.
Curt lembra com nostalgia desses tempos, nos quais ele era uma autoridade. Tempos onde a palavra tinha mais valor e que os próprios criminosos respeitavam mais a Lei.
Bisneto de imigrantes alemãs que chegaram aqui em 1868, Curt, conta que tinha um bom relacionamento com os juízes que aqui passaram, mas destaca o primeiro que atuou na Comarca. “O primeiro juiz foi Valdir Vieira, eu era amigo e braço direito dele, assim como do promotor”, recordou.
Casado com Neli durante 55 anos, com quatro filhos, cinco netos e três bisnetos, nunca teve problemas em trabalhar com a Lei e às vezes ser obrigado, pelo ofício, a levar notícias nem sempre agradáveis para quem recebia. “Nunca tive problema, tanto que nunca precisei, sequer, pegar na arma. Sempre me respeitaram, a Justiça era respeitada. Além disso, eu conhecia todo mundo e era amigo de todos, isso ajudava muito no trabalho”, contou.
Apesar de tantas recordações, há aquelas que são mais marcantes, entre elas está um julgamento de um homem que estuprou uma mulher e depois a matou. “Foi na década de 1980 e ele foi condenado, mas depois que cumpriu pena retornou à Pomerode, porém apesar de ter cruzado com ele, nunca tivemos problemas”, relembrou.
Um detalhe curioso do trabalho de Curt é que como não tinha muito movimento na Comarca, eles precisavam correr atrás de casos para justificar a necessidade da sede do judiciário na cidade, do contrário poderia ter a Comarca extinta por inatividade.
Ele encerou a carreira aos 70 anos, em 1993 e desde então, leva sua vida tranquila em sua casa no mesmo terreno onde foi criado. Bons tempos que fazem nesses 88 anos, ter sido muito procurado para contar a história da cidade, pois além de conhecê-la, ele ajudou a construí-la.

Vida social
Curt sempre participou da vida social da cidade, envolvido com os clubes, foi um dos fundadores da Fundação Cultural e também da Associação Esportiva Floresta. Gostava de bailes e das domingueiras, mas diz que gostaria de ter 18 anos hoje para aproveitar mais. “Acho hoje melhor. Naquela época não tinham muitas opções para a juventude”, confessou.

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