760 quilômetros, 12 filhos e um sonho realizado
A vida nunca foi muito fácil para Emilia Aguiar dos Santos. E sua história começou em Quedas do Iguaçu, no Paraná, quando ela, ainda criança, trabalhava em roças para auxiliar seus pais nas despesas de casa. Quando se casou com Osny Soares dos Santos, as coisas não mudaram muito.
A vida nunca foi muito fácil para Emilia Aguiar dos Santos. E sua história começou em Quedas do Iguaçu, no Paraná, quando ela, ainda criança, trabalhava em roças para auxiliar seus pais nas despesas de casa.
Quando se casou com Osny Soares dos Santos, as coisas não mudaram muito. Nós nos conhecemos na rua. Enquanto ele estava trabalhando na beira da estrada, eu estava indo buscar fubá em um moinho para fazer polenta em casa. Mas foi num baile que nos falamos e dançamos. Desde então estamos juntos.
Depois que se casaram, o trabalho duro foi compensado com o nascimento da primeira filha. Com apenas 20 anos, Emilia sofreu as dores do parto sem qualquer tipo de anestesia, e ainda teve uma infecção após o nascimento. Depois de um tempo em casa para poder se recuperar, a vida na lavoura prosseguiu.
O marido trabalhava fora, enquanto Emilia seguia produzindo em seu terreno. Anos se passaram e também outros filhos nasceram. A gente participava de uma cooperativa lá em Quedas, mas isso não era garantia de renda. O clima sempre influenciou muito na produção e quando chegava a hora, a colheita não era como o esperado e as coisas ficavam difíceis, conta Emilia.
Quando a situação ficou insustentável, a família resolveu juntar suas coisas e partir em busca de uma vida melhor. O destino: Pomerode. A condução: um ônibus. Após 760 quilômetros, a família composta pela matriarca grávida Emilia, o patriarca Osny e dez filhos, chegou ao seu destino. A escolha por Pomerode deu-se pelo fato de conhecidos nossos já morarem aqui e sempre elogiarem a cidade. Como trabalhar nunca foi problema para nós, decidimos que era hora de mudar para melhor e querer um outro futuro, completa.
A caçula da família nasceu em Pomerode e hoje, auxilia a mãe a cuidar do negócio da família. Sempre almejando o crescimento econômico da família, todos logo procuraram emprego e se dedicaram a isso.
O primeiro local em que moraram na cidade foi no Morro da Turquia. Lembro que era a última casa do morro. Lá a gente passou por muitas dificuldades também, mas nunca deixamos de lutar pelos nossos sonhos. E para conseguir o que temos hoje, o salário do meu marido era para pagar as contas e o meu, ganho com a venda de massas, eu guardava inteiro com o intuito de conseguir algo nosso, relata.
E se os sonhos podem se tornar realidade, Emilia comprova isso. Morando apenas dois anos na cidade, a casa própria foi adquirida. Meus filhos cresceram comigo e um deles, até os 21 anos de idade, deu todo o seu salário para mim para ajudar com as contas de casa. Nossas conquistas são fruto do nosso trabalho, dedicação e empenho, afirma.
Atualmente, Emilia mora no Ribeirão Areia e fez seu nome na cidade com a criação da Pizzaria Dudonne. Quando nos mudamos para o Ribeirão Areia, em um terreno de 1.884m², os meus cursos de culinária foram postos em prática com a abertura da tele-entrega da Dudonne, explica.
A ideia de possuir o próprio negócio existia desde que era pequena, conta Emilia. No entanto, a sugestão de ser um tele-entrega de pizza partiu de um dos filhos. Meu desejo inicial não era abrir uma pizzaria, mas quando estava lendo uma revista e vi a frase O brasileiro é o povo que mais reclama e não faz nada para mudar eu tive a certeza de que a hora era agora, exalta.
Além desta frase, outra sempre esteve presente na vida de Emilia. Eu sou adepta da frase: nunca diga nunca. Sempre acredito que vamos conseguir e quando a gente acredita, a gente consegue, relata.
Em 2013, a Dudonne completa dez anos de funcionamento. Também passamos por tempos difíceis na pizzaria. O mais marcante deles, com certeza, foi o da enchente em 2011. Naquela data perdemos freezer cheios, o dinheiro no caixa, computador, louças, tudo. Ficamos uma semana inteira para limpar tudo e recomeçar, conta.
O reconhecimento do trabalho realizado com amor é feito a todos os momentos. Temos muito que agradecer a Pomerode pela confiança depositada em nosso trabalho. Nos deram crédito e respeito e respondemos com o nosso melhor, completa.
Tudo que faço é com amor. Cuido até hoje dos detalhes das pizzas e não voltaria para a roça nunca mais. Eu amo o que faço e não trocaria isso por nada, fala Emilia, ao cortar os brócolis.
A certeza de ter tomado a decisão certa há 21 anos é constante. Hoje, após passar diversas dificuldades financeiras e, muitas vezes, tendo pouco o que comer, Emilia agradece por tudo que passou e que conquistou.
Seus 12 filhos não moram mais com ela. Um está em São Paulo, dois em Curitiba e dois em Indaial. A grande família, no entanto, encontra-se com frequência e garante que tudo que é feito com amor dá certo. As dificuldades vividas fazem parte da história e da vida de cada um. E, com ela, os ensinamentos e esperança de que dias melhores sempre virão, desde que haja força de vontade.