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45 anos de história

O dia 29 de setembro é mais do que especial para o Grupo Folclórico Alpino Germânico que, nesta ano, comemora 45 anos de existência.

1 de junho de 2015

O dia 29 de setembro é mais do que especial para o Grupo Folclórico Alpino Germânico que, nesta ano, comemora 45 anos de existência. A comemoração, no entanto, aconteceu no sábado, dia 22 de setembro, no antigo Salão Lutke, e contou com a participação de ex-integrantes do Grupo.

A festa, que além do café colonial, contou com um animado baile, enalteceu a importância do grupo para a cidade e também para o estado, sendo o primeiro grupo folclórico de tradições germânicas fundado em Santa Catarina.

Tudo começou em 1968 quando ocorreu em Blumenau, no antigo Pavilhão A da PROEB, a Primeira Festa da Cerveja. Os organizadores do evento convidaram Francisco Zmazek para acompanhar um grupo folclórico alemão da Baviera, que viera abrilhantar a festa, porque ele conhecia o dialeto bávaro. A apresentação do grupo alemão encantou os participantes da festa e Guenther Steinbach e Augustinho Schramm (das Lojas Hering e Flamingo), incentivadores do turismo em Blumenau, indagaram Zmazek, se o mesmo não teria condições de criar um grupo folclórico naqueles moldes. Zmazek se interessou pela idéia e ainda naquele ano reuniu um grupo de pessoas interessadas no Clube de Caça e Tiro Testo Salto para fundar uma entidade cultural.

Assim, em 29 de Setembro de 1968, sob a coordenação de Franscisco Zmazek, um grupo de pessoas jovens se reuniu e discutiu os seguintes pontos de pauta: fundação do grupo folclórico, denominação do grupo e assuntos gerais. Após a explanação de Zmazek sobre a fundação do grupo folclórico, considerou-se fundada a entidade cultural com interesses voltados para a prática de danças folclóricas de caráter amador.

A estreia do Grupo Folclórico Alpino Germânico aconteceu no dia 5 de maio de 1969, durante a festa dos cantores, realizada no Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau. Durante oito meses os dançarinos aprenderam a coreografia da dança com o casal Zmazek e sua esposa Linda. Ela ensaiava os passos e Zmazek o sapateado. O acompanhamento musical realizado por Zmazek ao violão e Roland Findeiss no acordeão.

Os jovens se apresentaram com a indumentária típica da Bavária, desconhecida até então na região de Blumenau. O traje foi confeccionado artesanalmente por várias pessoas.
Ainda no ano de 1969, o Grupo Folclórico Alpino Germânico se apresentou na Segunda Festa da Cerveja de Blumenau, e em seguida, passou a ser a principal atração cultural do restaurante Frohsin. Entre os anos de 1969 e 1976 o grupo esteve ligado ao Restaurante e fazia duas apresentações semanais para os turistas que visitam Blumenau. No ano seguinte, 1970, Zmazek e Findeiss gravaram um disco com canções alpinas (jodler).

Em 1982, o casal Zmazek viajou à Áustria e Alemanha, onde aproveitou para procurar a indumentária do traje típico alpino. Ao retornarem ao Brasil, trouxeram na mala uma relação de acessórios que, naquele ano ainda, foram adquiridos e doados pela Companhia Karsten ao Grupo Folclórico. A empresa doou seis calças e suspensórios de couro, correntes e corpetes para moças bem como os chapéus femininos com a pena de águia.

No ano de 1983, o Grupo Folclórico Alpino Germânico recebeu o convite do Prefeito Municipal Eugênio Zimmer, para se estabelecer e representar o Município de Pomerode, porque a maioria dos dançarinos eram pomerodenses. A Prefeitura Municipal ofereceu ainda, na época, uma ajuda de custo para o transporte do grupo e até hoje é mantido uma subvenção social aos Grupos Folclóricos do Município. Em 1986, o Grupo Folclórico Alpino Germânico foi registrado no Ministério da Cultura e os seus estatutos aprovados e registrados em 1988. Nos anos de 1989 e 1995, o grupo recebeu calças e suspensórios de couro doados pela Embaixada da República Federal da Alemanha de Brasília e do Consulado Geral da República Federal da Alemanha de Curitiba. Ainda em 1991, quando o Prefeito Municipal Henrique Drews Filho viajou à Alemanha, trouxe para o grupo os chapéus de feltro masculino, para finalmente completar o traje típico do Alpino Germânico, o Miesbacher Tracht.

Desde a data de sua fundação o grupo já se apresentou em quase todo território nacional, realizando apresentações em festas típicas como congressos e outros eventos que tinham a finalidade da divulgação da tradição alemã, assim como as tradicionais festas de outubro de Santa Catarina e a Festa Pomerana. Entre inúmeras apresentações que o Grupo Folclórico Alpino Germânico realizou por todo o Brasil, destaca-se a participação na comemoração do 75º Aniversário da instalação da Shell do Brasil S/A. O grupo se apresentou nos Teatros Municipais de São Paulo e Rio de Janeiro, e em Brasília no Teatro Nacional, e representou o país da Alemanha, na homenagem realizada pelos organizadores aos descendentes de imigrantes dos países da Alemanha, Espanha, Itália, Japão e Portugal residentes no Brasil. Em 1998 participou do desfile e em 2011, se apresentou na maior festa da cerveja do mundo: a Oktoberfest de Munique na Alemanha.

Pelo Grupo Folclórico passaram muitos jovens que participaram das viagens e apresentações que o grupo realizou em seus 45 anos de existência. Com muita disposição, o casal Francisco Zmazek lutou pela criação e manutenção do grupo folclórico como uma entidade cultural preocupada em preservar as tradições alemãs através das danças típicas da Bavária e do Tirol. Muitas entidades auxiliaram e acompanharam o crescimento do Alpino-Germânico em sua caminhada e o grupo por sua vez, inspirou a criação de novos grupos folclóricos que também estão preocupados em preservar uma das mais alegres tradições da cultura alemã: a dança.

São várias as características que envolvem as apresentações do grupo folclórico. Por trás disso tudo há uma história de tradição, cultura, persistência, luta, conquistas. Cada integrante, durante sua trajetória, desenvolve seu papel fundamental dentro do grupo.

Dança folclórica é muito mais que dançar, é uma filosofia de vida. É algo que vem de dentro, que está no sangue, que invade a alma, que contagia. É uma saudade de uma vida que não vivemos, mas que representamos no presente. É certamente uma alegria que dura para a eternidade. Dançar é viver.

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