30 anos de espera
Na última edição do Jornal de Pomerode foi publicada uma matéria sobre a situação de alguns prédios do Patrimônio Histórico Municipal.
Na última edição do Jornal de Pomerode foi publicada uma matéria sobre a situação de alguns prédios do Patrimônio Histórico Municipal. Além das duas casas citadas na matéria em questão, outras surgiram com a mesma pergunta: “O patrimônio terá que cair para que então alguma providência seja tomada?”.
Toda regra tem sua exceção e, em nossa cidade, possuímos sim casas enxaimel que recebem algum benefício por parte do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico. No entanto, diversas outras estão na espera de algum repasse. Uma delas há 30 anos.
A casa da família de Íris Borchardt, tem cerca de 100 anos de história e esta história está prestes a acabar. Em uma visita a casa, o que se pode observar são paredes cedendo, janelas caindo e um sentimento de impotência em relação a isso.
Bruna, filha de Íris, é quem mora na casa atualmente. Atrás da residência uma nova obra está sendo realizada, com o aval do Conselho. A nova obra manterá as características germânicas na sua parte externa e é para lá que Bruna se mudará quando estiver pronta.
A maior preocupação de Íris é: quanto tempo a casa enxaimel ainda vai resistir antes que desmorone. “Fico preocupada com minha filha que mora aqui. Vejo os caibros cedendo e não tenho o que fazer”, explica.
O principal questionamento de quem depende de uma autorização para reformar sua casa é: “Quais são os critérios para escolher as casas que receberão benefícios?”. Íris conta que a casa entrou no Projeto do Patrimônio Histórico em 1982 para que fosse reformada. Anos se passaram e até agora nenhuma perspectiva de concretização da promessa.
Houve até uma proposta de parceria por parte da família. “Sugerimos entrar com o material e o Conselho com a mão-de-obra, mas não obtivemos sucesso”, exalta Íris. Enquanto não há acerto na questão, o tempo vai aparecendo em cada detalhe da casa. Traços germânicos estão sendo substituídos por madeiras cheias de cupins. Janelas e paredes não estão mais alinhadas e a casa cede cada vez mais.
A residência fica na principal via de acesso a Pomerode, para turistas que vem de Blumenau. “Vemos turistas que sentam na varanda e tiram fotos para levar de recordação. Sentimos muito que esse fato possa não ocorrer mais, caso haja um desabamento”, conta Íris.
A única pergunta que Íris gostaria que fosse respondida é: “Até quando?”. Até quando ela terá que esperar para que algo seja feito. Será necessário perder mais história para pensar em reconstruí-la? O questionamento fica para quem luta pela cultura, pela história e pela marca registrada de nossa cidade: o enxaimel.