25 super-heróis em você
Doe órgãos, você pode salvar vidas. A frase não é desconhecida para ninguém, e ao ouvi-la ou mesmo ao ler estas palavras já se sabe muito bem do que está se tratando. Apesar das intensas campanhas ainda há muitos tabus em torno da doação de órgãos e, por isso, muitas pessoas acabam deixando de fazer parte do grupo de doação. Já outras preferem doar os órgãos e dar continuidade à vida.
Doe órgãos, você pode salvar vidas. A frase não é desconhecida para ninguém, e ao ouvi-la ou mesmo ao ler estas palavras já se sabe muito bem do que está se tratando. Apesar das intensas campanhas ainda há muitos tabus em torno da doação de órgãos e, por isso, muitas pessoas acabam deixando de fazer parte do grupo de doação. Já outras preferem doar os órgãos e dar continuidade à vida de outras pessoas. Pessoas essas, que deram a oportunidade de Osny Soares dos Santos, poder literalmente ter uma nova visão da vida. Aos 60 anos, Osny sofreu um incidente ao brincar com a neta. Entre brincadeira e outra, a pequena acabou encostando a unha no olho avô. Dias depois, um desconforto o incomodava. Ao procurar um médico, foi constatado que a córnea estava inflamada e totalmente comprometida, o que o deixaria cego, muito provavelmente.
A solução, seria, imediato, um transplante de córnea, que foi realizado pouco tempo depois da descoberta.
Tempos depois do transplante, Osny novamente machucou o olho no período pós-operatório e com isso perdeu parte da visão. Hoje, para facilitar a visão, ele possui uma lente implantada na córnea que possibilita que tenha uma recuperação ainda mais rápida. No início, eram apenas 5% de visão, agora a porcentagem já passa de 30.
Sobre o ato da doação, hoje, com 62 anos, Osny se sente grato. 'Graças a uma pessoa que quis doar os órgãos, eu consegui recuperar minha visão; sem essa pessoa, hoje eu poderia estar cego. Então, sou muito feliz por essa ação', revela.
Apesar de atos de solidariedade como este, muitas pessoas preferem não doar, em função de mitos e até de polêmicas que rondam o tema, principalmente pelo tráfico e contrabando de órgãos.
Exemplo disso é Sérgio Manske, 41 anos. Ele afirma não ser doador, por vários motivos; mas o principal é o receio de que os órgãos não tenham a destinação correta e que pessoas precisem pagar para ter continuidade da vida. 'Não hesitaria em hipótese alguma em doar diretamente a um familiar meu, que estivesse precisando, mas de outra forma, não faria a doação.
Luis Felipe Ferreira, 27 anos, também não é doador de órgãos, ele diz que apesar de ser uma causa importante, tem receio de algum dia precisar do órgão doado e este vir a faltar no futuro, por problemas de saúde que podem aparecer. Porém, ele completa: 'A não ser que seja um caso de morte encefálica, aí, então, na minha opinião, sou a favor da doação'.
Estima-se que o ideal seria haver 10 doadores por milhão de população, porém, um levantamento de 2009, aponta que o Brasil está um pouco abaixo, mas quase no patamar ideal segundo a Organização Mundial da Saúde, com 9,6 doadores efetivos, por milhão de população, um aumento de 13,8% em relação a 2009.
No Brasil, existe a marca de aproximadamente 70 mil pessoas aguardando por um transplante. Essas vidas dependem da autorização da família do paciente com morte encefálica comprovada autorizar a doação. Um gesto que pode transformar a dor da morte em continuidade da vida.
Um único doador pode beneficiar até 25 pessoas, ou melhor, 25 vidas. No entanto, os transplantes mais comuns são classificados assim: Órgãos: coração, fígado, rim, pâncreas, pâncreas/rim, pulmão, intestino e estômago. Tecidos: sangue, córnea, pele, medula óssea, dura máter, crista ilíaca, fáscia lata, patela, costelas, ossos longos, cabeça do fêmur, ossos do ouvido, safena, vasos sanguíneos, válvulas cardíacas, tendões e meninge.
Como se tornar um doador de órgãos
O passo principal para se tornar um doador é conversar com a família e deixar bem claro o desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual o cidadão manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.
Quais os requisitos para um cadáver ser considerado doador de órgãos?
Ter identificação e registro hospitalar; Ter a causa do coma estabelecida e conhecida; Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central; Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante; Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral; Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas.
Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.
Para doar órgãos em vida é necessário:
Ser um cidadão juridicamente capaz; Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais; Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação; Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando; Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante; Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.
Órgãos e tecidos que podem ser doados em vida:
Rim; Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue); Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%); Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais); Sangue.
Quem não pode doar?
Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular; Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados; Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; Pessoas com tumores malignos, com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero e doenças degenerativas crônicas.
O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente?
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº. 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização de transplante depende da autorização da famíliar.
Sendo assim, é muito importante que uma pessoa que deseja, após, a sua morte, ser uma doadora de órgãos e tecidos, comunique à sua família sobre o seu desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.