Educação

VIII FEBIC em Pomerode: quase 900 participantes diretos e conhecimento científico de todo o Brasil

Apesar do encerramento adiantado, Feira Brasileira de Iniciação Científica reuniu grande público, com participação de diversos estados e até do exterior

9 de outubro de 2023

Emilly Fernandes Torres, Yasmim Carla Costa dos Santos e Maria Kamilla Gomes Costa e Silva, do 4º ano do Ensino Médio e Técnico do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), do campus de Ceará-Mirim. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

Devido às previsões de chuvas e possíveis consequências dos elevados volumes que estavam previstos para o fim da semana passada, a programação da VIII Feira Brasileira de Iniciação Científica (FEBIC), em Pomerode, foi encerrada antecipadamente. O evento foi realizado entre os dias 02 e 05 de outubro, no Pavilhão de Eventos de Pomerode.

No entanto, a antecipação da programação e do fim do evento não diminuiu a importância da contribuição para a educação, que o evento proporciona.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Iniciação Científica (IBIC), que organiza o evento, em parceria com a Secretaria de Educação e Formação Empreendedora de Pomerode, a VIII edição da FEBIC contou com a participação de 278 projetos e quase 900 participantes diretos, entre expositores, professores orientadores e coorientadores de projetos.

Três destes quase 900 participantes são as estudantes Emilly Fernandes Torres, Yasmim Carla Costa dos Santos e Maria Kamilla Gomes Costa e Silva, do 4º ano do Ensino Médio e Técnico do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), do campus de Ceará-Mirim. Elas apresentaram o projeto de criação de um dispositivo que realiza manobra de ressuscitação cardiopulmonar especificamente em crianças na primeira infância.

As estudantes comentam que a ideia do projeto surgiu após pesquisas sobre o índice de mortalidade de crianças em casos de parada cardiorrespiratória.

“Em nossas pesquisas, descobrimos que o índice de mortalidade pode chegar de 90% a 97% em casos de parada cardiorrespiratória em crianças. E, embora já existam equipamentos que realizam a reanimação cardiopulmonar, nenhum é voltado especificamente ao trabalho com crianças”, explicam Emilly, Yasmim e Maria Kamilla.

Desta forma, as estudantes potiguar desenvolveram a proposta de um aparelho voltado somente ao atendimento de crianças, inclusive com peças produzidas exclusivamente no Brasil, para que manutenção e conserto sejam feitos aqui, diminuindo seu custo.

Segundo as estudantes, todo o processo de desenvolvimento da iniciativa levou cerca de um ano, incluindo as pausas durante a pesquisa e execução. O projeto também abrange diversas áreas de conhecimento.

“É um trabalho diretamente ligado à biologia, para a engenharia biomédica. Inclusive descobrimos muito na área da saúde, pesquisando sobre o procedimento, quantas compressões por minuto são necessárias. Depois trabalhamos muito conceitos de física, engenharia e programação, pois criamos microcontroladores, que armazenam o código de programação e executam as ações programadas, além de planejar a parte de fluídos, com o setor elétrico e pneumático da estrutura”, afirmam.

O principal objetivo, segundo as estudantes, foi criar um dispositivo que possa contribuir com o atendimento de emergências em casos de parada cardiorrespiratória de crianças.

“Existem vários critérios levados em consideração na hora de realizar um procedimento de reanimação cardiopulmonar e é preciso leva-los em conta para individualizar o atendimento. Estes critérios são força específica, ritmo, frequência, dosagem de ar na ventilação, e é difícil administrar tudo isso em situações complexas de trauma, o que pode prejudicar o atendimento. Segundo nossas pesquisas, baseadas nos parâmetros da American Heart Association, mesmo realizando o procedimento de forma perfeita, apenas 30% do fluxo sanguíneo é recuperado. E de forma manual nem sempre há o controle deste procedimento, por isso a proposta. Nosso equipamento faz a identificação do sinal biológico, interpreta e inicia o comando, por meio da identificação da parada cardiorrespiratória. Por meio da programação, é definida a frequência e intensidade das compressões realizadas por um pistão. No início era um sistema que não tínhamos conhecimento sobre, e fomos pesquisando, testando, corrigindo os erros que foram surgindo, até chegar ao resultado final”, destacam.

As estudantes também falaram sobre a experiência de participar da FEBIC. “Esta é a segunda feira na qual estamos apresentando o projeto e a primeira de grande porte, com um número grande de pessoas participando. Nós adoramos ver a ciência sendo valorizada na FEBIC”, enaltecem Emilly, Yasmim e Maria Kamilla.

O coordenador da FEBIC, Jean Mary Facchini, afirma que a avaliação final da Feira foi positiva, mesmo com a antecipação da programação e do encerramento.

“Conseguimos avaliar todos os projetos, com um grupo de quase 200 avaliadores, e premiar mais de 150 projetos, oferecendo, além dos prêmios classificatório, 52 destaques, prêmios especiais como o pequeno cientista, meninas na ciência, prêmio professor orientador destaque e prêmio IBIC de excelência em iniciação científica. Foram oferecidas mais de 90 credenciais para eventos nacionais e internacionais e 30 bolsas de Iniciação Científica Junior oferecidas pelo CNPq. Apesar de muitas delegações terem antecipado a volta para casa, temos a certeza que ocorreu uma grande integração científica entre participantes da VIII FEBIC. Tivemos muitos visitantes externos, muitas escolas nos visitando, muita ciência correndo pelos corredores do evento. Somos gratos a todos que nos apoiaram, que nos prestigiaram e que fizeram da FEBIC uma grande festa do conhecimento”, finaliza.

Foto: Isadora Brehmer / JP

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