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VÍDEO: quando salvar vidas se torna um recomeço: a história de superação de Letícia Rocha

Hoje, recuperada, ela carrega não apenas as marcas da superação, mas também a gratidão

8 de abril de 2026

Foto: Divulgação

Receber o diagnóstico de câncer nunca é fácil. Mesmo quando há chances de cura, a palavra por si só já traz medo, incertezas e muitas perguntas. Para Letícia Rocha, de 33 anos, moradora do bairro Testo Alto, esse momento marcou o início de uma das fases mais desafiadoras e também mais transformadoras de sua vida.

Desde pequena, Letícia já convivia com problemas na tireoide. Os nódulos sempre estiveram ali, fazendo parte da sua rotina de cuidados e acompanhamento médico. Foi justamente essa atenção constante com a própria saúde que fez a diferença. Em um exame de rotina realizado no ano passado, um dos nódulos apresentou alteração maligna, confirmando o diagnóstico de câncer.

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O susto foi grande, mas hoje ela reforça a importância da prevenção. “Eu descobri cedo porque sempre cuidei muito e faço exames todos os anos. Muita gente sabe que tem problema na tireoide, sabe que tem nódulos, mas acaba não acompanhando. E sem acompanhamento, às vezes o câncer só é descoberto quando o corpo começa a dar sinais mais fortes”, alerta.

O momento mais crítico

Mesmo com o diagnóstico precoce, o caminho não foi simples. O momento mais crítico aconteceu no dia da cirurgia. Durante o pós-operatório, Letícia sofreu uma grave complicação: uma hemorragia interna que quase custou sua vida.

O que poderia ter tido um desfecho trágico foi interrompido por um olhar atento. Uma mulher chamada Rúbia, que acompanhava a filha na sala de recuperação, percebeu que algo estava errado. Ao notar o inchaço no pescoço e a agitação de Letícia, correu para chamar a equipe médica.

A partir dali tudo aconteceu rapidamente. Ainda na sala de recuperação, os profissionais precisaram agir imediatamente. A cirurgia foi reaberta ali mesmo, e Letícia foi levada às pressas para o centro cirúrgico.

Letícia lembra de um dos momentos mais angustiantes de toda a experiência. “Eu cheguei a acordar no meio da cirurgia, desesperada, sem conseguir respirar direito. Achei que fosse morrer. Então pedi para o médico segurar a minha mão, porque eu estava com muito medo e não queria morrer sozinha.”

Depois disso, ela não se recorda de mais nada.

Quando quem salvava vidas precisou ser salva

A história ganha ainda mais significado quando se conhece o passado de Letícia. Por anos, ela atuou no Corpo de Bombeiros Voluntários de Indaial, dedicando sua vida a missão de salvar outras pessoas. Acostumada a correr em direção ao perigo, ela já esteve inúmeras vezes do lado de quem oferece socorro.

Foto: Divulgação

“Eu costumava dizer que me sentia uma ‘heroína anônima’. As pessoas não fazem ideia de quem somos por trás daquela farda… e também não imaginam quantas vezes nós choramos quando não conseguimos salvar alguém”, relembra.

Para ela, cada vida salva sempre teve um valor imensurável. “Quando conseguimos, a sensação é indescritível. Eu voltava para casa com o sentimento de que fui útil no mundo, de que ajudei o amor da vida de alguém a voltar para casa.”

Até que um dia, os papéis se inverteram.

“No dia da cirurgia, eu era quem precisava ser salva.”

A experiência trouxe uma nova perspectiva. Letícia passou a enxergar ainda mais profundamente o lado humano de quem está na linha de frente da saúde. “Por trás daquela farda, e também por trás dos jalecos dos médicos e enfermeiros, existem seres humanos que decidiram dedicar suas vidas a salvar outras pessoas. Não porque têm sangue frio, mas porque têm coração e sensibilidade.”

Hoje, recuperada, ela carrega não apenas as marcas da superação, mas também a gratidão. Faz questão de agradecer publicamente aos profissionais que foram essenciais em sua recuperação: o doutor Luciano de Abreu, o cirurgião doutor Francisco Lee e toda a equipe médica envolvida.

“Sei como é gratificante receber um ‘obrigado por salvar a minha vida’. E é isso que eu quero dizer a eles”, afirma.

Ao olhar para trás, Letícia reconhece que a experiência mudou sua forma de ver a vida. Em meio ao medo e à incerteza, veio uma certeza poderosa:

“Quando achei que ia morrer, percebi o quanto eu queria viver.”

Mais do que um relato de superação, Letícia também deixa um recado importante para quem passa por esse tipo de diagnóstico e para quem está ao lado. Segundo ela, é natural que familiares e amigos tentem se mostrar fortes o tempo todo, mas reconhecer o medo também faz parte do processo.

Para quem enfrenta a doença, perceber que é amado e que sua ausência faria falta pode se tornar uma motivação a mais para seguir lutando. Ao mesmo tempo, ela reforça que é importante que todos se permitam sentir, chorar e viver esse momento com verdade sem perder a esperança.

A história de Letícia Rocha é, acima de tudo, um lembrete sobre a importância do cuidado com a saúde, da atenção aos sinais do corpo e, principalmente, da força que pode surgir mesmo nos momentos mais difíceis.

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