Veja como mulher que se passava por menina de 12 anos teve prisão preventiva decretada em SC
Suspeita de estelionato e falsa identidade teria enganado uma família de Joinville por 14 meses ao assumir identidade de adolescente vítima de abusos
Foto: Arquivo pessoal / Reprodução
Uma mulher de 37 anos, presa em flagrante em Joinville, no Norte de Santa Catarina, por suspeita de estelionato e falsa identidade, teve a prisão convertida em preventiva após pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ela é investigada por ter se passado por uma adolescente de 12 anos durante cerca de 14 meses para obter abrigo, sustento e outros benefícios de uma família da cidade.
No pedido encaminhado à Justiça, a 25ª Promotoria de Justiça argumentou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal. Segundo o Ministério Público, há indícios de risco de reiteração criminosa, além da possibilidade de fuga em razão da vida itinerante da investigada e da ausência de residência fixa.
Conforme o documento do MPSC, a mulher teria se infiltrado na rotina de uma família de Joinville desde fevereiro de 2025, utilizando o nome falso de “Gabriele”. Durante o período, ela teria simulado ser inicialmente uma criança de 11 anos e, posteriormente, de 12 anos, alegando ser autista e vítima de abusos.
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De acordo com a investigação, a suspeita adotava comportamentos infantilizados para sustentar a falsa identidade, incluindo o uso de chupeta e mamadeira, além de apresentar uma voz mais aguda e demonstrar dependência emocional das pessoas ao seu redor.
A família que a acolheu passou a custear integralmente suas despesas, incluindo moradia, alimentação, roupas e medicamentos de alto custo. Durante o tempo em que viveu na residência, a mulher participou da rotina familiar e chegou a ganhar uma festa de aniversário para celebrar os supostos 12 anos. Ela também recebeu presentes e teve um quarto decorado com brinquedos e objetos infantis.

Foto: Reprodução
Segundo a Polícia Civil, a investigada afirmava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos e utilizava essa narrativa para sensibilizar membros de uma igreja local, que passaram a ajudá-la financeiramente. Posteriormente, uma família da mesma comunidade religiosa decidiu acolhê-la e tratá-la como filha.
Para justificar a aparência física incompatível com a idade alegada, a mulher dizia ser portadora de autismo e de outras condições clínicas. Também afirmava que suas características físicas seriam consequência do uso forçado de hormônios durante a infância, quando teria sido vítima de abusos.
Ainda conforme a investigação, ela alegava não poder frequentar a escola porque o suposto pai abusador poderia descobrir seu paradeiro.
A farsa começou a ser descoberta após a denúncia de um parente da família. A partir das informações recebidas, a Polícia Civil iniciou diligências e constatou que a identidade utilizada era falsa.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, informou que a suspeita simulava crises de pânico, afinava a voz e utilizava um objeto de apego para dormir, comportamentos que ajudavam a reforçar a personagem criada para conquistar a confiança das vítimas.

Foto: Reprodução
O Ministério Público destaca que a mulher possui histórico de ocorrências semelhantes em diferentes estados do país. Segundo o inquérito policial, há registros de casos envolvendo a suspeita no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
De acordo com a Polícia Civil, o modus operandi consistia em se aproximar de instituições religiosas ou famílias, explorando histórias de vulnerabilidade para despertar sentimentos de empatia, caridade e proteção, obtendo assim vantagens materiais.
A promotora de Justiça Bruna Gonçalves Gomes afirmou que “a conduta da indiciada revelou elevado grau de reprovabilidade, periculosidade social e frieza na execução do delito, mediante a instrumentalização de sentimentos de caridade, empatia e afeto para a obtenção de vantagem ilícita”.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público também requereu a quebra de sigilo dos dados armazenados no celular apreendido com a investigada. O objetivo é analisar mensagens, registros telefônicos e conteúdos de aplicativos que possam auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas e na extensão das supostas fraudes.