Vacina do Butantan é suspensa: saiba quem deve ficar atento aos sintomas
Imunizante segue sob investigação após 42 casos de eventos adversos graves e duas mortes
Foto: Instituto Butantan / Divulgação
O Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de 42 casos de reações adversas graves e duas mortes que estão sob investigação. A medida foi anunciada na última segunda-feira, 8 de junho e, segundo a pasta, tem caráter preventivo enquanto especialistas analisam os casos identificados.
De acordo com o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, estados e municípios devem manter as doses armazenadas até que uma nova orientação seja emitida pelo Ministério da Saúde.
Os casos foram identificados pelo sistema de vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunizações. Entre os sintomas registrados estão dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e até perda de consciência. Além disso, três pessoas apresentaram um quadro compatível com dengue grave e precisaram ser internadas. Duas delas morreram, mas ainda não há confirmação de relação direta entre os óbitos e a vacinação.
Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam recebido o imunizante do Butantan. A vacinação ocorreu entre profissionais da saúde e pessoas com mais de 15 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).
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Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão não significa que a vacina tenha deixado de ser eficaz. Dados apresentados pela pasta indicam que o imunizante é capaz de reduzir em 65% a ocorrência da dengue e em mais de 80% os casos graves e as hospitalizações causadas pela doença.
Os eventos adversos registrados são considerados incomuns, já que não foram observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina. A expectativa do Programa Nacional de Imunizações é que a divulgação dos casos e da suspensão temporária possa estimular o surgimento de novas notificações, auxiliando na investigação.
Para aprofundar a análise, o Ministério da Saúde informou que está convocando um comitê de especialistas que ficará responsável por estudar os casos e avaliar os sinais detectados pela vigilância epidemiológica.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Quem deve ficar atento
A orientação é que as pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias observem possíveis sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e vômitos. Caso apresentem qualquer um desses sinais, devem procurar imediatamente atendimento médico.
Segundo o Ministério da Saúde, esse período corresponde à fase em que a forma enfraquecida do vírus utilizada na vacina ainda pode estar circulando no organismo, o que exige maior atenção.
Já as pessoas vacinadas há mais de 21 dias não apresentam risco relacionado aos eventos que estão sendo investigados.
Vacina Qdenga segue normalmente
A suspensão envolve exclusivamente a vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, do Japão, continua sendo aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O imunizante é destinado a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e, conforme destacou Eder Gatti, não apresentou qualquer sinal de alerta relacionado à segurança.
Enquanto as investigações prosseguem, a recomendação é que a população acompanhe as orientações oficiais das autoridades de saúde e procure assistência médica caso apresente sintomas suspeitos após a vacinação.
Com informações da Agência Brasil